“Consideramo-nos uma escola alinhada”

Atento às necessidades dos seus alunos e à realidade onde está inserido, o Agrupamento de Escolas da Trofa propõe-se a assegurar uma educação de qualidade para todos. Assim, se importa manter o bom trabalho já feito, por outro lado, Paulino Macedo, Diretor do Agrupamento, está atento aos elementos que devem ser melhorados. Neste sentido, combater o insucesso escolar e reforçar a participação e reflexão cívicas são as prioridades de um agrupamento “aberto à comunidade”.

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Escola Secundária da Trofa

Qualidade de ensino, estabilidade do corpo docente e acompanhamento do aluno em todas as fases são algumas das características das linhas educativas seguidas por qualquer uma das escolas que integram o Agrupamento de Escolas da Trofa. No final dos seus percursos, que alunos esperam ter preparado?
O Agrupamento de Escolas, com a configuração atual, foi constituído com a agregação da Escola Secundária da Trofa ao Agrupamento Vertical de Escolas da Trofa em julho de 2012. O corpo docente é bastante estável, com exceção do 1.º ciclo que em ano de concursos é permeável a situações de mobilidade. As escolas têm um clima muito calmo uma vez que não temos casos de indisciplina muito graves. Constatamos, como eventualmente acontecerá em muitas escolas do nosso país, que a indisciplina se desloca dos recreios para o interior da sala de aula. É o “está quieto”, “está atento”, “trabalha”, “tira o material da mochila”, que provoca casos de rejeição da autoridade do professor e potencia situações de indisciplina. Sendo uma instituição de interesse público, o Agrupamento de Escolas da Trofa propõe-se a garantir uma educação de qualidade para todos. Para atingir esta finalidade, o nosso Projeto Educativo apresenta algumas políticas educativas que são o nosso ideário:
a) Promover a aquisição de competências sociocognitivas que habilitem para escolhas ético-sociais e cívicas adequadas – educação para valores;
b) Estimular uma cultura organizacional cooperante, participativa, tendente ao fomento de uma liderança dinâmica e participada, promotora de um bom clima organizacional;
c) Promover a igualdade de oportunidades;
d) Criar uma interface entre a escola e a vida ativa, potenciando um espaço de diálogo entre a escola e as atividades económicas da região, através dos estágios profissionalizantes;
e) Fomentar a participação da comunidade educativa nas dinâmicas da escola.

Com base nos dados do Ministério da Educação e Ciência, todos os anos é publicado um ranking das escolas do ensino básico e secundário de acordo com as notas dos exames nacionais. Como tem sido a evolução do Agrupamento ao longo dos últimos anos? Que principais pontos, a seu ver, devem ser mantidos e, por outro lado, melhorados?
O histórico comparativo é reduzido. O Agrupamento foi constituído em julho de 2012. Os resultados escolares obtidos em 2015, com algumas exceções pontuais que estamos a analisar, são muito semelhantes aos de anos anteriores com ligeiras melhorias em algumas disciplinas. Consideramo-nos uma escola alinhada. Os desvios entre os resultados internos e externos situam-se, em média, em três pontos de diferença.
Os pontos considerados fortes e que devem ser objeto de acompanhamento e de reflexão que a nosso ver têm potenciado os resultados escolares obtidos são:
a) A participação ativa da comunidade educativa, designadamente, das associações de pais e encarregados de educação, em todas as dimensões da vida escolar, contribuindo para a melhoria do serviço educativo prestado;
b) A diversidade das atividades dinamizadas no âmbito do plano anual enquanto estímulo à melhoria das aprendizagens;
c) O trabalho desenvolvido de forma articulada entre estruturas internas e externas do Agrupamento com impacto na prevenção da desistência e do abandono escolar;
d) O empenho da direção na mobilização de recursos e no estabelecimento de parcerias com instituições da comunidade com impacto positivo na gestão dos materiais pedagógicos, na requalificação dos espaços e nas aprendizagens e vivências das crianças e dos alunos;
e) A existência de circuitos e mecanismos de comunicação, especialmente a utilização de uma plataforma digital, com reflexos na qualidade da partilha de documentos e de informações.
Entendemos que as áreas onde o Agrupamento deve incidir prioritariamente os seus esforços para a melhoria são:
a) A identificação de fatores explicativos do insucesso, designadamente ao nível das práticas de ensino, que possibilite a definição e implementação de estratégias pedagógicas, visando a promoção do sucesso educativo;
b) O reforço da participação e reflexão cívicas, contribuindo para a corresponsabilização dos alunos nos seus desempenhos e para a melhoria dos comportamentos em sala de aula.

Há oito anos que não há escolas públicas nos primeiros dez lugares, sendo que a última foi a Infanta D. Maria, de Coimbra, que, em 2007, ocupou o oitavo lugar. Na sua opinião, o que explica este “domínio” das entidades de foro privado?
Alunos de contextos socioeconómicos não muito favorecidos e com expectativas muito baixas em relação à escola e consequentemente beneficiários em percentagens muito elevadas dos apoios do ASE. O contexto socioeconómico tem influência nos resultados escolares das nossas escolas. Temos a consciência, por conhecimento empírico, porque temos a noção da nossa realidade (contexto não muito favorecido), o esforço que desenvolvemos para que os nossos alunos alcancem estes resultados.

De acordo com o estudo “Ranking das escolas: impacto nas escolas públicas e privadas”, publicado este ano pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o fosso entre as secundárias e públicas e privadas agravou-se e a explicação não passa pela falta de qualidade mas sim pela disparidade nos recursos disponíveis. Concorda com esta visão?
Temos que saber interpretá-los e dar-lhe o valor que têm para nós, escola (Comunidade Educativa) e para os media. Enquanto ordenação (ranking) das escolas boas e más tem pouco valor.

Paulino Macedo
Paulino Macedo

Escolas e empresas devem estar ligadas, criando sinergias em prol do emprego. Desta forma, como é que o agrupamento tem promovido ofertas formativas organizadas e diversificadas de forma a responder à procura, sem descurar as necessidades do mercado de trabalho?
A definição de uma adequada qualificação profissional é importante para inserir jovens e adultos no mercado de trabalho. Não podemos esquecer que ela é imprescindível no crescimento das pessoas, na formação de cidadãos e na elevação da autoestima. A qualificação profissional de facto muda as pessoas, as suas famílias e a comunidade onde elas vivem.
Para que essa mudança ocorra é necessário que a formação profissional seja feita corretamente, isto é, de maneira consciente e de acordo com a demanda do mercado de trabalho em termos latos, por um lado, e da região onde vive o aluno/adulto por outro. A escolha de um curso ou o encaminhamento para uma formação profissional não pode estar desvinculada da realidade que circunda o formando, sob pena de não o levar à tão sonhada realização profissional.
Nesta encruzilhada somos entidade promotora do CQEP da Trofa. Destaque ainda para a candidatura de um projeto conjunto de instituições de educação e formação, das instituições empresariais aglutinadas na AEBA e Câmara Municipal, para permitir a articulação das diferentes ofertas formativas, contribuindo para o aumento dos níveis de qualificação da população da região.

A prioridade da ação educativa nos sistemas de ensino deve estar direcionada para o bem-estar e para a formação pessoal e social do aluno”. Na realidade nacional, acredita que esta tem sido a linha de atuação dos agentes deste setor? Qual tem sido o papel do Agrupamento?
Desenvolvemos um programa de apoios e tutoriais aos alunos identificados com dificuldades de aprendizagem. Criamos um gabinete do aluno (GA) que acolhe, com uma tarefa de natureza pedagógica prescrita, os alunos que são colocados fora da sala de aula, criamos um gabinete de informação ao aluno (GIA) com o objetivo de os informar e acompanhar e criamos um gabinete de acompanhamento de situações de carência económica. O nosso Plano Anual de Atividades é rico e nele integramos as atividades das várias associações de pais, da associação de estudantes e, com maior predominância, todas as atividades propostas pelos Departamentos Curriculares. Para coordenar estas valências utilizamos uma plataforma (sharepoint) onde criamos várias aplicações informáticas.
Faz parte da nossa ação o desenvolvimento da cultura de mérito e o aprofundamento do reconhecimento daqueles que pelo seu esforço e competência se destacam para tornar concretizável um maior envolvimento de interação entre alunos e permitir o aprofundamento de práticas de solidariedade e de ajuda entre si. Criamos os quadros de mérito escolar e os melhores são distinguidos com o “Prémio Eurico Ferreira” (empresa de renome internacional sediada na Trofa e que protocolou com a escola esta distinção).
Em todas as escolas do Agrupamento está formalmente constituída uma Associação de Pais e Encarregados de Educação. Os presidentes destas constituem uma comissão de presidentes (CAPEAT) com o objetivo de reunir com o Diretor e outros Órgãos. Além desta comissão, cada turma elege dois encarregados de educação que os representa em assembleia de representantes para tratar de assuntos de interesse do Agrupamento em geral ou de cada turma em particular.
Digamos que é uma escola aberta à comunidade cuja intervenção/participação dos pais é sempre bem-vinda.

Que desafios se colocam para o Agrupamento de Escolas da Trofa? A vossa posição estratégica será a mesma ao longo de 2016?
O nosso Projeto Educativo orienta o nosso trabalho no sentido da construção de uma escola aberta à comunidade e a uma crescente colaboração com os pais e encarregados de educação, criando oportunidades para uma maior participação na vida da escola.
Pretendemos ir ao encontro dos problemas detetados que dizem respeito às competências sociais e escolares dos alunos (o respeito por todos, a tolerância, o desenvolvimento do espírito de igualdade, a aquisição de saberes) e à participação da família na vida escolar dos seus educandos.
Procuramos estabelecer novas parcerias e reforçar as já existentes, nomeadamente com o ME, com a Câmara Municipal, com a AEBA, com o Instituto de Emprego e Formação Profissional, com o Centro de Saúde, Centro de Formação maiatrofa, Eurico Ferreira, instituições/entidades reconhecidas legalmente e cuja participação beneficiará a nível pedagógico e científico a população escolar.