“Da investigação à Intervenção”

Fundada em 2001, a Associação Portuguesa de Psicomotricidade - APP representa os Psicomotricistas em Portugal e, este ano, realiza o II Congresso Nacional de Psicomotricidade, nos dias 4, 5 e 6 de março, em Vila Real, sob o tema “Desafios da Psicomotricidade numa sociedade em mudança. Da Investigação à Intervenção”. Cristina Vieira, Presidente da instituiçao, em entrevista à Revista Pontos de Vista, relata o percurso trilhado há quase 15 anos pela APP.

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Cristina Vieira

O que é? A Psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o ser humano através do seu corpo em movimento na sua relação com o espaço, com o outro e consigo próprio, tanto na dimensão motora, como cognitiva e emocional.
Nos últimos anos tem vindo a ser motor de um significativo desenvolvimento científico-profissional, o que promoveu a sua compreensão e aceitabilidade na comunidade científica a nível nacional e internacional.
“O desenvolvimento emergente da Psicomotricidade tem vindo a colocar novos desafios, relacionados com o desenvolvimento de modelos de formação, linhas de pesquisa e formas de enquadramento profissional, aptos a responder às novas necessidades sociais”, revela a nossa entrevistada.
A APP surgiu neste contexto de desenvolvimento em 2001 como uma associação profissional, sem fins lucrativos, com o objetivo de “promover o conhecimento do perfil profissional do Psicomotricista, impulsionar o estudo e a divulgação de conhecimentos científicos, investigar, formar ou colaborar na formação no âmbito da Psicomotricidade, assim como estabelecer os contactos nacionais e ou internacionais, considerados necessários” – a associação é um dos membros do Fórum Europeu de Psicomotricidade (FEP), entidade que representa esta área profissional a nível Europeu e da Organização Internacional de Psicomotricidade e Relaxação (OIPR), que integra países europeus, americanos e do Médio Oriente.

APP – Qual o desiderato?

A sua missão passa pela promoção das práticas formativas e profissionais da área da psicomotricidade, a nível nacional, tendo em conta as especificidades das regiões Norte, Centro, Sul, Madeira e Açores.
A entidade, além de ser dinâmica na divulgação e representação da Psicomotricidade como domínio científico, realiza também várias formações complementares  com condições especiais para os seus associados, tais como a Psicomotricidade no Meio Aquático, a Psicomotricidade em Idade pré-escolar, a Psicomotricidade na Saúde Mental ou na Gerontomotricidade, estando em preparação uma formação na área da terapia assistida por animais.
Têm ainda a revista “A Psicomotricidade” de caráter anual, em versão online, com o principal objetivo de promover um distinto nível de padrões no âmbito da investigação científica e académica.
“Na revista temos artigos inovadores de caráter conceptual, investigação qualitativa e quantitativa, revisões extensivas e compreensivas de investigações, análise política, estudos de caso, bem como pesquisas sobre criação ou validação de instrumentos de avaliação psicomotora ao contexto nacional e artigos descritivos de boas práticas de intervenção psicomotora”. “Neste momento, estamos a trabalhar para que esta seja indexada e bilingue (inglês – português) para potenciar a divulgação do nosso conhecimento no estrangeiro, no próprio Fórum Europeu de Psicomotricidade e na Organização Internacional de Psicomotricidade e Relaxação”, conta Cristina Vieira, presidente da associação.

Pela constituição de uma Ordem de Psicomotricistas

De acordo, com o Regulamento atualmente em vigor, em Portugal, o Psicomotricista é o profissional com uma formação mínima de 1º ciclo (licenciatura), em Psicomotricidade.
Sendo que a profissão de psicomotricista está regulamentada nas instituições particulares de solidariedade social, mas ainda não está regulamentada pelo ministério da educação e pelo ministério da saúde, a APP continua a desenvolver várias iniciativas com a finalidade de promover a regulamentação da profissão pelas entidades competentes do Estado Português.
Dessa forma, Cristina Vieira, revela que o caminho passa pela constituição de uma Ordem “já temos um código deontológico em vigor, temos um regulamento profissional em vigor, ou seja as principais estruturas que uma Ordem deve ter, iremos por isso avançar com a proposta na Assembleia da República de constituição de uma Ordem de Psicomotricistas, pois acreditamos que esse passo facilita e pode agilizar os processos da regulamentação da profissão”.

II Congresso Nacional

Nos dias 4, 5 e 6 de março realiza-se, em Vila Real, o II Congresso Nacional de Psicomotricidade, sob o tema “Desafios da Psicomotricidade numa sociedade em mudança. Da Investigação à Intervenção”
O congresso propõe-se ser um espaço de reunião e de partilha de conhecimentos entre a comunidade dos psicomotricistas, mas também para os profissionais, académicos e investigadores interessados nas questões relativas à Psicomotricidade “possibilitando o debate sobre o estado atual do conhecimento nesta área científica e profissional”.
No evento estarão presentes pessoas relevantes para a área científica, não só em Portugal, como no estrangeiro, tal como o professor Jean Michel Albaret da Universidade de Toulouse e o professor Franco Boscaini da Universidade de Verona – ambos colaboram cientificamente e regularmente com Portugal.
Este congresso promovido pela Associação Portuguesa de Psicomotricidade, conta com a parceria da Universidade de Trás – os – Montes e Alto Douro, a Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa e a Universidade de Évora.

Associação Portuguesa de Psicomotricidade
Av. Miguel Bombarda, 70, 1º andar, Lisboa e geral@appsicomotricidade.pt