i-medical, um novo conceito de integração de informação na Saúde

A opinião de João Guedes de Oliveira, CEO da i-medical

1978
João Paula, João Guedes de Oliveira e Cristiano Machado

A i-medical foi criada em 2011 por 3 promotores e duas capitais de risco, uma portuguesa e outra de origem inglesa, que foram fundamentais não só no capital como na experiência que trouxeram, tendo efetuado um aumento significativo de capital com a Capital de Risco Portugal Ventures na busca de crescimento e internacionalização. O percurso dos promotores na área de Imaging Healthcare IT (IH-IT) foi todo feito na Siemens, sendo que as suas competências eram complementares e fundamentais para a criação estruturada de um novo projeto. João Guedes, o CEO da i-medical, foi responsável pelas Departmental Solutions, nas quais estavam incluídas as Imaging Management Solutions, tendo vasta experiência em implementação de soluções em ambiente hospitalar, na qual a Siemens era líder de mercado em Portugal. João Paula, COO, foi o primeiro especialista de aplicação em Portugal, tendo um profundo conhecimento de produto, mercado e das necessidades clínicas na utilização deste tipo de plataformas. Cristiano Machado, CTO, vem dos Professional Services, sendo responsável pela interoperabilidade de sistemas e tendo estado em inúmeras implementações.
O inicio da empresa foi também o começo da aprendizagem do que é criar, manter e fazer crescer uma start-up no contexto empresarial e económico Português, e da visão externa que existe desse contexto. Foi necessário criar de raiz um produto tecnológico complexo para um mercado muito pouco tolerante a falhas e mudanças, assegurando desde o primeiro dia que havia músculo financeiro para suportar essa criação. É também critico para as start-ups explorar múltiplas estratégias em paralelo, manter uma visão de médio/longo prazo e estar consciente que a procura de mercados externos tem que acontecer desde o primeiro dia; e estar também consciente que para que isso se consiga, a empresa e os promotores têm que se preparar a vários níveis: ter soluções escaláveis para mercados maiores; estudar esses mercados, definir e implementar estratégias viáveis (o processo de exportação é muito caro); procurar constantemente novas fontes de financiamento que sustentem as suas estratégias.
Nos últimos anos temos sentido que o alerta que existe para a iniciativa de criação de start-ups em Portugal aumentou drasticamente. Os espaços de incubação e aceleração de empresas, a informação e network que permite aceder a investidores, estão cada vez mais ativos. A Portugal Ventures também teve um papel fundamental em “agitar” este espaço, criando programas de investimento em strat-up tecnológicas, em criar redes internacionais, quer com os seus painéis de avaliação quer com parcerias com Hubs (como em San Francisco, Boston ou Berlim) e ajudar os novos empresários a montar e pensar os seus negócios.
A geografia de Portugal na Europa bem como a sua dimensão tornam difícil competir no espaço internacional, e se há algo que temos de reconhecido e comprovado valor é o nosso “Brainware” tecnológico. Acreditamos que as apostas em start-ups tecnológicas vão dar frutos a médio prazo permitindo a expansão fora de fronteiras.

Sabíamos que tínhamos que efetuar a validação de mercado e produto, tendo sido para isso fundamentais os nossos clientes beta (que ainda hoje se mantêm como clientes i-medical). Portugal sempre esteve na linha da frente relativamente a IH-IT, sendo apenas ultrapassado por alguns países da Europa do Norte (o primeiro sistema de Telerradiologia sobre exames de TAC foi feito em Portugal). Esta maturidade dava-nos garantias quanto à capacidade do mercado e dos nossos clientes de validar a nossa solução e modelo de negócio, o primeiro dos muitos passos do processo para crescimento e exportação.
Os modelos de negócio e as soluções que estavam (e em parte ainda estão), disponíveis para o mercado IT para a gestão de fluxos e dados imagiológicos clínicos, têm-se mantido bastante semelhantes praticamente desde que começaram, no início da década de 90: assentam em múltiplas plataformas para endereçar um único fluxo (com vários atores clínicos e não clínicos), e modelos de negócio de venda de infraestrutura, licenciamento convencional e grandes custos de evolução e manutenção. Mas desde então, tudo mudou: a relação que temos com a tecnologia, a internet, a conectividade social, a mobilidade, em todos os seus aspetos, e o crescimento exponencial das infraestruturas de comunicações.

Como tal desenvolvemos uma plataforma que gere todos os processos associados ao diagnóstico clínico baseado em imagens médicas, explorando o melhor do mundo do PACS (Picture Archiving and Communication Systems) e do RIS (Radiology Information System). Somos a única empresa que endereça na mesma plataforma, os fluxos desde a prescrição de exames imagiológicos passando pela realização e o diagnóstico sobre os mesmos até à disponibilização de resultados para os pacientes e médicos ou entidades prescritoras. E fazemo-lo “portalizando” a plataforma por perfil de utilizador, em ambiente web puro, cloud-based com ferramentas de gestão e monitorização transversais e ainda com “social connectivity” que permite a interação em tempo real entre utilizadores.

Na i-medical acreditamos profundamente na desmaterialização de estrutura, investindo em comunicações para suportar soluções cloud ou host-based. Acreditamos que para vender valor acrescentado, temos que vender “inteligência”, plataformas que “compreendam” os fluxos, as necessidades, que espelhem em tempo-real o negócio e a performance do mesmo bem como a dos seus participantes. Acreditamos também em comercializar esta plataforma como um serviço, potencialmente num modelo de Software as a Service (SaaS), do que vender produto, licenças, hardware e contratos de manutenção.
Acreditamos ainda que as soluções têm cada vez mais que ser agnósticas ao hardware e Sistemas Operativos, têm que estar preparadas para trabalhar em dispositivos móveis (smatphones ou tablets), pelo que temos apostado em desenvolvimento assente em HTML5, a primeira linguagem verdadeiramente transversal a todos os Browser.

O modelo de negócio permite um alinhamento de objetivos entre fornecedor e cliente; deixa do lado do fornecedor a gestão da estrutura bem como a garantia de confidencialidade e segurança de dados; deixa do lado dos clientes a procura da melhoria da produtividade e dos serviços prestados aos seus pacientes.
Adicionalmente a crise e o aumento da competitividade faz com que as empresas procurem cada vez mais as ferramentas que lhes permitam obter KPI’s de eficiência e produtividade, bem como soluções inteligentes que lhes permitam tomar decisões de gestão.
A nossa plataforma e modelo de negócio apresenta-se como particularmente interessante para as clínicas privadas que prestam serviços para múltiplas entidades, publicas e privadas, utilizam recursos bastante móveis e flutuantes, e que têm a necessidade de disponibilizar resultados clínicos para diversos atores desde os médicos até aos pacientes.
Esta tem sido a nossa aposta para o mercado Português onde já temos uma amostra expressiva de clientes. Estamos também preparados para crescer para projetos mais ambiciosos nomeadamente com as Administrações Regionais de Saúde, Sociedade Portuguesa de Radiologia e com Hospitais, sendo este o nosso desafio Nacional para 2016.

A saúde em Portugal tem uma qualidade extraordinária quer do ponto de vista clínico quer do ponto de vista de serviço. Sabemos que há ainda muito a fazer em termos de eficiência, mas a evolução dos últimos 20 anos tem sido extraordinária. Pré-crise de 2009, os gastos médios com a Saúde em Portugal estavam abaixo da Europeia e com uma qualidade bem superior. Nos últimos anos houve regressão em alguns aspetos, como na relação com os prestadores de serviços externos, mas também evolução noutros, como na procura da melhor eficiência financeira. Existe também uma grande consciência relativa à forma como as tecnologias da informação podem ter um papel importante na melhoria da eficiência e da qualidade dos serviços prestados.
Este contexto pode representar uma oportunidade para empresas como a i-medical.

Temos também clientes fora de Portugal, nomeadamente em Espanha, onde já trabalhamos com Serviço Andaluz de Sanidad. Suportado nesta experiência, este é um mercado onde queremos crescer. Mas a nossa ambição para 2016 não fica por Espanha. Estamos a preparar a expansão para o Sudoeste Asiático, para o qual temos uma parceria em vias de fechar, que pensamos ser um mercado de oportunidade para nós: tem as vantagens de ser um mercado em crescimento, com fortes investimentos estatais e privados; tem já uma razoável e crescente estrutura de comunicações; e é ainda um mercado aberto e flexível para empresas ocidentais de pequena dimensão, algo bastante diferente de outros mercados muito competitivos e maduros como os Estados Unidos ou o Japão.

Os principais objetivos da i-medical são apostar permanentemente no desenvolvimento de novas soluções e continuar a procurar formas sustentadas de crescer e expandir para novos mercados apoiados em produtos e serviços diferenciados.