“Mais do que uma marca, uma forma de viver”

Assim é a Bovi. Com matérias-primas de qualidade, bordados ricos, acessórios especiais, formas elegantes e intemporais e acabamentos perfeitos, esta empresa de têxteis-lar está no mercado há mais de 50 anos e tem sido através de uma consolidada aposta na inovação e na versatilidade que esta marca se tem afirmado nos mais variados e distintos mercados.

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Presença da marca na Heimtextil

É sabido que a indústria portuguesa de têxteis-lar é reconhecida mundialmente pela qualidade. Ao longo dos anos, e por mérito próprio, as empresas deste setor conquistaram uma imagem de excelência no que se refere à conceção, produção, inovação e comercialização dos seus produtos, fidelizando clientes e conquistando outros tantos. A Bovi, no setor de têxteis-lar desde 1960, conheceu esse percurso, soube acompanhar tendências e firmou a sua posição de referência no mercado. Aqui, é de uma atenção extraordinária aos detalhes que nascem produtos de uma qualidade reconhecida e foi com Amélia Marques que recuámos no tempo, ao momento em que a atual administradora da empresa chegou à empresa constituída pelo pai, “um inovador e um empreendedor”, descreveu.
Foi em 1977. Amélia Marques tinha terminado a sua licenciatura e abraçou uma realidade completamente distinta da que esperava. “Nessa altura as condições eram muito difíceis. Saí da faculdade com muitos conhecimentos teóricos e sonhos e deparei-me com uma realidade complicada, com problemas de trabalho, reivindicações de sindicatos, inexistência de um sistema administrativo devidamente organizado e, além disso, problemas de ordem comercial e financeira. Foi uma luta e um desafio conseguir ultrapassar tudo isso”, recordou a administradora.
Depois de solucionados alguns dos problemas de base, levantavam-se duas questões cruciais: “continuamos sempre a fazer os mesmos produtos e temos os resultados que se veem ou procuramos novos produtos e arriscamos em novos mercados?” A resposta pareceu evidente para Amélia Marques. A Bovi precisava de inovar e desligar-se de velhos hábitos, como por exemplo a relação que mantinha com armazenistas. “Não era com o mercado interno e com o tipo de interlocutores que tínhamos no momento que conseguiríamos solucionar os problemas da empresa. Importava entrar em novos mercados e apostar em produtos diferentes”, assegurou. Foi assim que a Bovi começou a desbravar caminhos fora de Portugal, nunca descurando o mercado interno, apesar das quebras que iam sentindo. Apesar de hoje exportar para mercados como Espanha, Inglaterra, Espanha, EUA, México, Coreia, Costa do Marfim ou Camarões, entre outros, a Bovi não desviou a sua atenção de Portugal. “Num primeiro momento não digo que não tenha sido colocado em segundo plano. Mas desde há muitos anos que o mercado interno é muito importante para nós só que passamos a atuar de um modo diferente. Assim, se antes trabalhávamos com armazenistas, hoje trabalhamos com mais de 60 lojistas. Visitamos as lojas duas vezes por ano, temos uma coleção e um catálogo a partir do qual podem encomendar todos os meses e garantimos entregas num prazo de seis semanas”, explicou Amélia Marques que se orgulha de estar à frente de uma das poucas empresas portuguesas que de forma persistente e insistente não desistiram do mercado nacional.
Mesmo sentindo as oscilações do mercado, a Bovi não deixou de trabalhar com o mesmo afinco. Visitou lojas, tentou aumentar a rede de lojistas e diversificou os seus produtos. Assim, além de artigos para a cama, banho e mesa, a empresa incluiu ainda uma linha exclusiva de roupa de dormir feminina, onde, mais uma vez, a atenção é centrada nos detalhes. “Nas nossas coleções há um ponto forte que é o bordado que já denota uma preocupação com o pormenor. E porquê os bordados? Numa primeira fase existiam máquinas de bordar que foram trazidas para Portugal pelo meu pai. Comprou-as na Suíça e pediu a um austríaco para fazer a montagem. Desde então que a Bovi começou a ficar conhecida por fazer lençóis de bordados e hoje continuamos essa tendência”, recordou. E para que nada falhe a chave está numa boa organização interna. Além de uma maquinaria eficaz, de um acompanhamento rigoroso de todas as etapas produtivas e de um apertado controlo de qualidade, Amélia Marques é perentória: “para garantir que a nossa marca esteja sempre dentro das expectativas que criamos aos clientes, é preciso organização”.

Heimtextil: Frankfurt é paragem obrigatória
Para os agentes que atuam no setor de têxteis-lar, Frankfurt é o palco principal onde todos querem estar. A Heimtextil é já considerada a maior feira internacional do setor e Portugal continua a ser um dos países com o maior número de presenças, sendo este certame uma autêntica montra do que de melhor se faz cá. Pesando todos os elevados investimentos que são necessários fazer para marcar presença, a Bovi considera este certame inevitável. “Temos uma rede de clientes que espera a nossa presença e, se não estivermos lá, há uma grande desilusão. A Heimtextil é como uma meta que mobiliza pessoas e nos permite mostrar as nossas coleções. No fim, se os imensos contactos que lá fazemos se irão traduzir em clientes fiéis, só o tempo o dirá”, defendeu Amélia Marques que, pela sua experiência internacional, acredita que a imagem dos têxteis-lar portugueses está cada vez melhor mas “se muitas vezes ainda nos comparam com os italianos é sinal de que ainda temos muito trabalho a fazer para sermos vistos como os portugueses e termos uma identidade própria”, assegurou.
Num momento em que ainda se está a fazer o balanço de mais uma Heimtextil, Amélia Marques falou nos seus projetos para uma empresa à qual dedica grande parte de si há cerca de 40 anos. Além da construção de um pavilhão novo para alargar o setor dos acabamentos e de uma forte aposta na melhoria do layout da empresa, o objetivo passará ainda pela criação de uma loja online para que, conjugados todos estes investimentos, a marca Bovi seja ainda mais conhecida nacional e internacionalmente.