Ourém, uma janela para o mundo

Na comemoração dos 40 anos do poder local, a Revista Pontos de Vista foi conhecer uma autarquia que vê na internacionalização e no turismo oportunidades máximas de desenvolver a economia regional e nacional. Paulo Fonseca é o Presidente da Câmara Municipal de Ourém e tem feito um trabalho de excelência na promoção de todas as valências do concelho.

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Paulo Fonseca

A Igreja vê-o como local de fé, zona nobre de devoção, onde Nossa Senhora de Fátima surgiu aos três pastorinhos. A economia aplaude a sua posição geográfica, perto de Lisboa, no centro do distrito de Santarém. Paulo Fonseca ressalva todas estas características identitárias, mas define o concelho de Ourém numa só palavra: coragem. Coragem de partir para melhores destinos socioeconómicos na segunda metade do século XX, de, por necessidade, mas também engenho, ser uma população empreendedora e futurista, de continuar a lutar por mais do que aquilo que um país em crise tem oferecido. “A dificuldade que os ourienses sempre sentiram permitiu-lhes uma outra coragem […]. Há um ADN de empreendedorismo que está associado a quase todos os cidadãos do concelho”, afirma o edil.
E é este aspeto identitário que ainda permanece nos Paços do Concelho, em pleno espaço autárquico. A visão de Paulo Fonseca encontra-se além do esperado e do comum, mas muito próximo do que é o saber ser e saber estar desta população. Apresenta-se como um presidente com objetivos claros e definidos para o desenvolvimento imediato do concelho que representa. Por este motivo, o seu programa eleitoral de 2009, na primeira campanha à presidência da autarquia, teve como quatro pontos principais “a qualidade de vida, a pujança empresarial, a internacionalização e a excelência social”. Neste sentido, além da importante missão que protagoniza no fomento de um maior bem-estar social, Paulo Fonseca tem dado uma especial atenção à captação de investimento. Inclusive tem vindo a criar parcerias com diferentes países no sentido de promover Ourém como ponto turístico, mas também como zona de investimento. O presidente da autarquia refere, por exemplo, o Brasil como uma oportunidade para a captação de empresas. Além da relação afetiva que os dois países têm, “Portugal integra a União Europeia”, sendo um veículo acessível para a entrada dos investidores brasileiros noutros países do Continente e apresenta regalias financeiras aos empresários internacionais, nomeadamente na escolha do país onde pagará impostos. Além destes fatores, o atual programa comunitário Portugal 2020 será uma mais-valia para apoiar a entrada e o desenvolvimento de novas atividades em território luso. Ourém, especificamente, apresenta “um centro de negócios onde as empresas podem instalar a sua sede de forma gratuita”. Por todos estes fatores, a Câmara tem já marcado para abril um encontro com investidores de Minas Gerais, a quem mostrará as diferentes valências deste concelho. Porque, como afirma o próprio responsável máximo da autarquia, “temos feito um esforço imenso no sentido de abrir portas por todo o mundo”. E as parcerias e protocolos com todos os países da Europa, mas também com diversas nações dos restantes Continentes são a prova máxima desta missão competentemente cumprida.
Anualmente a Câmara Municipal organiza ainda o Workshop Internacional de Turismo Religioso, destinado a operadores turísticos internacionais, permitindo-lhes compreender todo o envolvente que Portugal e nomeadamente Ourém têm para oferecer e, assim, impulsionar a visita de mais turistas ao nosso país.
Esta questão tem merecido uma reflexão profunda por parte de Paulo Fonseca, que acredita que devemos incentivar o turismo baseado na religião, mas de uma forma abrangente. Isto é, “cada vez mais, o turismo é uma disciplina transversal”, portanto, não devemos cingir-nos a uma ínfima parte do que é o território lusitano, mas a todo o seu potencial: sol e praia, património, gastronomia, lazer e, claro, a religião, um aspeto que tem sido uma “montra” do nosso país. Por esta tão entusiástica missão de tornar Portugal num ponto de chegada de turistas vindos dos quatro cantos do Mundo, Paulo Fonseca foi eleito em 2011 Presidente da Entidade Regional de Turismo Leiria-Fátima.

Uma marca chamada Fátima
Portugal vê ainda com alguma relutância a ideia de criar toda uma marca em volta de um importante marco na história religiosa nacional: o aparecimento de Nossa Senhora de Fátima em Ourém, há quase um século. Contudo, Paulo Fonseca acredita que, não retirando a importância da devoção e religiosidade envolvidas, esta situação poderá ter uma igual relevância na economia portuguesa. Valorizar o país no seu todo, “dar-lhe prestígio” nas suas diferentes valências possibilitará “gerar riqueza, emprego e desenvolvimento”.

E porquê esta vontade tão objetiva em criar investimento nesta região?
Além de ser um aspeto inevitável do progresso global, a captação de investidores e turistas tem sido um importante foco da autarquia. Em primeiro lugar, esta questão é premente pela necessidade de se colmatar encargos substanciais que o anterior executivo deixou nas mãos de Paulo Fonseca. Com uma dívida de 61 milhões de euros no início do seu mandato, o autarca conseguiu, de forma prestigiosa, reduzir este valor para menos de 16 milhões de euros até ao final de 2015.
Por outro lado, esta captação de empresas para o concelho permitirá um acesso a melhores condições socioeconómicas. Paulo Fonseca admite que, num país em crise económica, Ourém não é exceção e tem merecido toda a sua atenção no sentido de desenvolver ações em proveito de crianças e idosos, de diminuir as taxas de desemprego e de melhorar as condições de saúde. Neste contexto, é importante ressalvar a manifestação que recentemente a Câmara Municipal organizou – sem ignorar o “respeito” e “educação” que devem manter pelo Governo – no sentido de combater uma problemática que se tem feito sentir junto de toda a população: a obrigatoriedade de a população ouriense ter de se deslocar ao Centro Hospitalar do Médio Tejo sempre que necessita de cuidados de saúde urgentes. Ora, este hospital encontra-se a 75 quilómetros de Ourém, o que obriga a uma deslocação por vezes diária de doentes e familiares e a um esforço financeiro por parte da população. Neste sentido, o município e toda a sua população estão empenhados em contornar a situação e conhecer uma decisão mais favorável por parte do Ministério da Saúde, nomeadamente dando permissão a que estes doentes possam ser acompanhados no Centro Hospitalar de Leiria, a 20 quilómetros do concelho.
De futuro, Ourém continuará a desenvolver o seu trabalho no sentido de promover o progresso e oportunidades justas e merecidas para a população.