Governo britânico vai impor fim do boicote a produtos israelitas

O Governo conservador britânico vai anunciar no final da semana novas regras que preveem "penalizações severas" aos municípios e universidades públicas que promovam boicotes a bens ou a companhias israelitas.

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“Os boicotes impostos localmente podem fazer recuar a integração e ainda prejudicar o comércio externo britânico e as relações internacionais”, indica uma nota do gabinete do ministro de Estado.

“Os boicotes dos municípios comprometem as boas relações entre a comunidade, envenenam e polarizam o debate, enfraquecem a integração e alimentam o antissemitismo”, acrescenta o comunicado.

As novas regras devem ser anunciadas no final desta semana pelo ministro de Estado Matt Hancock durante uma visita a Israel, precisa ainda a declaração do Governo, sem referir as penalizações que vão ser impostas.

O ministro deverá sublinhar a necessidade de “desafiar e impedir estes divisivos boicotes de municípios”, refere a agência noticiosa France-Presse.

As novas regras apenas vão abranger a Inglaterra, pelo facto de a decisão nas outras regiões do Reino Unido ser da responsabilidade dos respetivos governos.

O Governo israelita já saudou a medida. “Congratulamo-nos com a decisão tomada pelas autoridades britânicas em não permitir iniciativas anti-israelitas a nível local”, disse o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Emmanuel Nahshon.

“A medida foi adotada após alguns casos nos quais elementos anti-israelitas tentaram desencadear iniciativas locais contra Israel”, acrescentou.

A medida será aplicada ao setor público de Inglaterra no seu conjunto, incluindo o Serviço Nacional de Saúde.

As sanções oficiais decididas pelo governo central vão ser a única exceção ao anunciado fim deste boicote, que também abrange empresas envolvidas no comércio de armamento, combustíveis fósseis e tabaco.

A medida segue-se a uma série de boicotes locais nos últimos anos e que originaram fortes críticas das autoridades israelitas.

Em 2014, o município de Leicester instituiu um boicote aos bens provenientes dos colonatos israelitas instalados na Cisjordânia ocupada.

E em 2015 a União Europeia apoiou a retenção de produtos provenientes dos colonatos israelitas, uma decisão que Israel considerou discriminatória e que poderia “comprometer” o processo de paz com os palestinianos.

O Partido Trabalhista, na oposição, já reagiu e definiu a proibição dos boicotes como “um ataque à democracia local”.

Em paralelo, o diretor do programa de relações económicas para o Reino Unido da Amnistia Internacional (AI), Peter Frankental, indicou que a medida constitui um recuo “nos incentivos às empresas para assegurarem que nas suas cadeias de fornecimento não existem violações dos direitos humanos, como escravatura, e numa situação em que os organismos públicos deixam de poder controlá-las”.