Células T: as aliadas da ciência na luta contra o cancro

Após anos de estudos e de casos de sucesso comprovados, surge agora a certeza: a ciência conseguiu reverter e aniquilar os sinais de leucemia em nove de dez pacientes.

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Em novembro, o Lifestyle ao Minuto dava conta da história de Layla Richards, a menina de cerca de ano e meio com um tipo de leucemia extremamente agressivo e classificado como incurável. À data, Layla foi submetida a uma técnica genética inédita – que recorre a células imunológicas para ‘editar’, em laboratório, o ADN – e o resultado não poderia ter sido mais surpreendente: a doença, até agora incurável, tinha sido revertida.

Para os investigadores, o estudo levado a cabo pelos médicos do Great Ormond Street, em Londres,  já mostrava um avanço na imunoterapia para tratar a leucemia mieloide aguda. O anticorpo em causa reorganizou as células T para combater este tipo de leucemia.

E o sucesso foi tal que, passados pouco mais de dois meses, a ciência dá mais dois passos em frente.

Uma investigação norte-americana revela, agora, que esta técnica de alteração de células consegue reverter e anular o cancro em nove em cada dez pacientes.

Depois de testarem esta nova técnica em vários pacientes, os investigadores conseguiram obter aquilo a que chamam de “resultados extraordinários”. Mais concretamente, 94% dos participantes com leucemia linfoblástica aguda (LLA) viu os sintomas desaparecem completamente, lê-se no The Guardian.

Os pacientes com linfoma não-Hodgkin tiveram viram os sintomas diminuir em 80%. E ao fim de 18 meses, 24 dos 26 doentes estava em remissão completa.

A investigação está a ser levada a cabo pelo investigador Stanley Riddell, do Fred Hutchinson Cancer Research Center, nos Estados Unidos, e foi apresentada esta semana na conferência anual da Associação Americana para os Avanços na Ciência.

Na mesma conferência, a investigadora italiana Chiara Bonini mostrou que outras células T que sejam modificadas podem manter-se no organismo dos doentes durante 14 anos.

A conclusão é de uma investigação do Instituto Científico San Raffaele (Milão) e dá mais um (gigante) passo na luta da ciência contra o cancro.

Uma descoberta com anos de estudo
No ano passado, o investigador Gurunadh Chichili também estudou esta nova técnica, que em 2014 era já vista como promissora e dava passos largos nos Estados Unidos. No mesmo ano, um trabalho desenvolvido por uma equipa de investigadores portugueses do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, sob a coordenação de João Taborda Barata, obteve “resultados bastante promissores no que respeita ao potencial desenvolvimento de uma terapêutica alternativa para tratamento da leucemia linfoblástica aguda de células T (LLA-T), um tipo de leucemia bastante frequente em crianças”.

Em 2013, a investigadora Paula Videira, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, deu início a um estudo que pretende, através da manipulação de anticorpos, juntar as células do sistema imunitário, designadas células T, com as do cancro da mama, para que as primeiras eliminem as segundas. No ano seguinte, os Estados Unidos analisavam o impacto destas células também no cancro da mama.

No ano passado, investigadores espanhóis viram nas células T a forma mais eficaz de melhorar o tratamento da Sida.