Lisboa entrou em obras. Os condutores vão sofrer com isso

Lisboa, neste ano, estará em obras: só de repavimentação serão mais de cem intervenções.

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As empreitadas decorrerão a par de projetos de grande dimensão de requalificação do espaço público, como os do Cais do Sodré, Corpo Santo e Campo das Cebolas, já em execução, o do eixo rodoviário Entrecampos-Saldanha-Marquês de Pombal, a iniciar em meados do próximo mês, e a remodelação da 2.ª Circular, que começará a sair do papel no verão.

Os trabalhos implicarão condicionamentos no trânsito até ao final deste ano e preocupam a União de Associações do Comércio e Serviços (UACS), que preferia que as empreitadas não decorressem em simultâneo. Já os moradores ouvidos pelo DN preferem destacar o facto de o resultado final ser positivo.

Os dados constam do mapa de ação, disponível no site da câmara municipal, do programa Pavimentar Lisboa 2015-2020, lançado em julho do ano passado para responder de forma estrutural ao problema dos buracos na estrada: este ano, está previsto o lançamento de 118 empreitadas, a acrescentar às 29 já em curso. Entre as freguesias abrangidas, está a dos Olivais.

É ali que mora Gonçalo Maggessi, membro de uma associação cívica local e que, enquanto residente, não esconde a satisfação por ver ruas que há décadas não eram alvo de qualquer intervenção serem “finalmente” repavimentadas. Os constrangimentos à circulação existem, reconhece o lisboeta, mas nem por isso o incomodam. “Acho que é mais difícil para quem atravessa os Olivais”, sublinha o DN.

Dificuldades são, de resto, o que espera encontrar quando, em junho ou julho – data já avançada pelo presidente da autarquia, Fernando Medina -, começar a ser concretizada a remodelação da 2.ª Circular. O projeto, atualmente em fase de aperfeiçoamento, inclui o alargamento e a arborização do separador central e a repavimentação da via. A garantia do município é de que os trabalhos decorrerão durante a noite e a previsão é de que se prolonguem por 11 meses.

Feitas as contas, as obras estarão concluídas em maio ou junho de 2017. Por essa altura, já deverá estar terminada a requalificação do eixo Entrecampos-Saldanha-Marquês de Pombal e, na frente ribeirinha, do Cais do Sodré, do Corpo Santo e do Campo das Cebolas, com conclusão prevista para o primeiro trimestre do próximo ano. A autarquia já admitiu que a primeira, a iniciar dentro de um mês, causará constrangimentos na circulação, algo que tem vindo a ocorrer à beira-rio, devido às restantes.

Nesta semana, a CML informou, em comunicado, que, durante três meses, a Rua dos Arameiros está encerrada à circulação e que a Rua da Alfândega e a Avenida Infante D. Henrique “estarão sujeitas a condicionamentos”. A circulação no Cais do Sodré tem estado igualmente limitada, estando a ser coordenada por agentes presentes no local.

Comerciantes preocupados

António de Campos Rosado, presidente da Associação de Moradores da Baixa Pombalina, elogia a finalidade das intervenções, mas critica o facto de a divulgação dos desvios de tráfego nem sempre ser a melhor. “É muito fraca”, avalia, precisando que, muitas vezes, os residentes se confrontam no momento com as restrições. Ainda assim, defende que o “incómodo” causado pelos trabalhos “vale a pena”.

“Tudo o que seja obras para requalificar o espaço público é positivo”, concorda a presidente da UACS. Carla Salsinha teme, porém, que as obras se atrasem e, por isso, preferia que não decorressem em simultâneo. Até porque, lembra, os trabalhos vão decorrer durante o verão – a época alta do turismo.