Agência de Prevenção do Trauma tratou mais de mil casos em dois anos

A Agência para a Prevenção do Trauma Psicológico e da Violação dos Direitos Humanos, criada há dois anos em Coimbra, duplicou as organizações associadas e atendeu mais de mil pessoas, disse António Reis Marques.

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Constituída formalmente em 18 de fevereiro de 2014, para estreitar o relacionamento entre instituições e enfrentar o problema do trauma de forma eficiente e integrada, a Agência tem hoje associadas 39 organizações públicas e privadas, que representam mais do dobro do número de entidades com as quais começou a trabalhar, afirmou à agência Lusa Reis Marques, um dos responsáveis e impulsionadores do projeto.

“Não se pode ainda avaliar o grau de sucesso desses atendimentos”, mas “existe a noção de que foram alcançados resultados muito positivos” e que o trabalho desenvolvido pela Agência para a Prevenção do Trauma Psicológico e da Violação dos Direitos Humanos (APTPVDH) atingiu “uma dimensão que ultrapassou todas as expectativas”, acrescentou aquele responsável, que também é diretor do Centro de Responsabilidade Integrada de Psiquiatria e Saúde Mental (CRI-PSM) do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Atualmente, a Agência está a receber, em média, dez novos casos de vítimas e agressores por semana, em resultado do aumento de entidades associadas, mas também da desburocratização dos respetivos processos e das campanhas de informação e sensibilização, alertando para a importância da prevenção das situações que propiciam o trauma psicológico e a violação dos direitos humanos.

Neste sentido, está a ser projetada a criação de uma ‘linha verde’ para as vítimas de acidentes de viação, revelou Reis Marques, salientando que é “quase regra” os acidentados cuidarem dos traumas de ordem física e “esquecerem-se” dos problemas de caráter psicológico, não raras vezes mais graves do que aqueles.

A APTPVDH tem em curso, entretanto, “uma campanha de prevenção do assédio moral e sexual no hospital” e, por outro lado, uma investigação, coordenada por Duarte Nuno Vieira, junto de escolas da zona de Coimbra, sobre fatores adversos na infância.

Mas há muitas situações cuja prevenção não depende da intervenção médica, reconhece Reis Marques, salientando que há contextos culturais, de pobreza, de toxicodependência ou de prostituição, por exemplo, que propiciam casos de trauma e violação de direitos.

Mas isso não significa que em ambientes diferentes e mesmo opostos àqueles não ocorram casos (mais do que porventura se julgue) de trauma e de violação de direitos, adverte.

Dirigido por João Redondo, que também é coordenador da Unidade de Violência Familiar e do Centro de Prevenção e Tratamento do Trauma Psicogénico do CHUC, a APTPVDH foi criada e funciona no âmbito (CRI-PSM) do CHUC.

A APTPVDH tem associadas entidades como a Administração Regional de Saúde do Centro, o centro regional da Segurança Social, o Instituto de Medicina Legal, o Departamento de Investigação e Ação Penal, a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação de Coimbra, a Fundação Bissaya Barreto, a PSP, a GNR o INEM, as ordens dos Médicos, dos Enfermeiros e dos Advogados, organizações não-governamentais (ONG), bombeiros ou a Associação Nacional de Municípios Portugueses.