Com mais de cem anos a indústria de fundição em Portugal expandiu-se e transformou-se, especializando-se, atualmente, na produção de fundidos para consumo doméstico e industrial, nomeadamente no fornecimento de componentes para a indústria automóvel. Mais de 80 por cento da produção atual de fundidos é exportada, tendo como destino diferentes países da comunidade europeia, não sendo despiciente a exportação para outros mercados.
A Associação Portuguesa de Fundição (APF), é criada em 1964, como organismo privado, de âmbito nacional “onde se agrupam as mais representativas fundições portuguesas, o que em termos de produção atinge cerca de 90 por cento da totalidade dos fundidos produzidos no país”, revela Filipe Villas-Boas, presidente da direção.
Com várias vertentes de apoio aos seus associados, a entidade tem por finalidade fomentar o desenvolvimento da tecnologia empregue, contribuir para a melhoria das condições de trabalho nas fundições e promover a otimização dos processos de fabrico tornando as empresas mais competitivas. Tem, ainda, a missão de representar o setor junto das entidades públicas nacionais, fomentar a formação profissional, bem como colaborar com as organizações internacionais do setor, como o CAEF (Comité das Associações Europeias de Fundição). “A nossa intervenção, como associação, vai desde as áreas de qualidade, produtividade, gestão, informação sobre legislação nacional e comunitária, até à disseminação das melhores práticas de defesa do meio ambiente, saúde, e segurança no trabalho”, explica Filipe Villas-Boas.

Filipe Villas-Boas
Filipe Villas-Boas

A Associação Portuguesa de Fundição tem como objetivo incentivar o crescimento sustentado do setor de fundição, gerando e participando das ações necessárias de modo a torná-lo forte e estável, promovendo assim, a investigação nas fundições, em parceria com as faculdades de engenharia Portuguesas. Em parceria com o IEFP (Instituto de Emprego e FormaçãoProfissional), gere o CINFU (Centro de Formação Profissional da Indústria de Fundição), com sede no Porto, que promove a formação no setor, seja a nível dos ativos que queiram ingressar na indústria, seja a nível dos próprios ativos das empresas de modo a contribuir para a elevação das qualificações dos ativos do setor.
É, ainda, um importante polo de difusão da indústria de fundição, em todas as suas vertentes, através da organização de eventos, seminários e congressos.

Plano estratégico para o ano 2016
Dentro do plano estratégico da Associação Portuguesa de Fundição para o ano 2016, Filipe Villas-Boas, esclarece que a instituição definiu alguns eixos relevantes.
Pretende-se promover um levantamento da estratégia da indústria de fundição nacional, integrada naquilo que é a fundição europeia e a fundição mundial. “Para assim perceber quais são os desafios, as vertentes, os pontos fortes e fracos desta atividade de modo a ser possível avaliar a médio e longo prazo qual é a tendência futura deste tipo de setor”, revela o nosso interlocutor.
Apostar na disseminação do manual de segurança, anteriormente desenvolvido, através de colóquios e de partilha dessa informação em comissões técnicas de trabalho.
E ainda, um projeto a longo prazo que engloba as questões ambientais “Cabe a Portugal acompanhar aquilo que é a evolução da legislação que poderá vir a afetar ou a influenciar o setor e estar apta a dar o seu contributo no sentido de se saber qual o impacto desta indústria e até que ponto a tecnologia empregue permite cumprir aquilo que é a legislação atual e futura. Além disso, a atenção à caracterização, dos produtos que o setor utiliza, produtos em fim de vida, a montante, e, a jusante, os resíduos que produz e que se pretende que possam, por sua vez, ser reutilizados no próprio setor ou noutros processos industriais.
E, por último, a organização do 17º congresso, realizado de dois em dois anos, com duração de dois dias e com elevada participação dos seus associados e não associados ligados ao setor de fundição. “É um congresso com um caráter bastante técnico, mas que também promove a discussão de temas de gestão, de economia e de aspetos estratégicos ligados ao setor a nível europeu e mundial”.

17º Congresso da Associação Portuguesa de Fundição
A Associação Portuguesa de Fundição vai realizar, em Matosinhos, nos dias 11 e 12 de maio, o 17º Congresso Nacional de Fundição.
O certame propõe-se ser um espaço de reunião e de partilha de conhecimentos e troca de ideias entre a comunidade dos fundidores, mas também de fornecedores e especialistas do setor. “É uma ocasião, por excelência, para os técnicos de fundição ouvirem as boas práticas dos processos disponíveis que se praticam noutras empresas”, explica o presidente.
No primeiro dia do evento irão estar presentes convidados de vários continentes, como palestrantes, e pessoas reconhecidas no setor, tais como o secretário – geral do CAEF, na conferência inicial. Já no segundo dia do Congresso, após a sessão de encerramento, na parte de manhã, que contará com a presença do presidente do IAPMEI, será preenchido, na parte de tarde, com visitas a fundições de ferrosos e não ferrosos.