Sabemos que a Adoro.Ser.Mulher é uma comunidade de networking que suporta e promove o empreendedorismo feminino em Portugal, PALOP, Brasil e Comunidades de Língua Portuguesa. Mas quem é hoje a Ana Cláudia Vaz?
Alguém que encontrou o equilíbrio entre filhos, marido e a gestão de uma Comunidade Internacional ao lado de Mulheres fantásticas com quem tenho aprendido muito. Mas, principalmente, a nível profissional encontrei a paixão por partilhar, o que me traz uma motivação capaz de conquistar o mundo.

A comunidade assume como missão ser uma facilitadora da vida profissional da mulher. Nos tempos atuais, no outro prato da balança, o que tem dificultado o sucesso de uma mulher na promoção e desenvolvimento da sua carreira?
Depende dos países, não podemos ignorar que fatores como a política, desigualdades sociais e não só, pesam nessa balança, e escrevo um ótimo exemplo de três países no meu artigo. No entanto, com curtas palavras, não generalizando e não direcionando só para as mulheres, essa dificuldade está dentro de cada um de nós. Se estivermos constantemente com medo de fazer e a dizer que não conseguimos, o mais provável é não conseguirmos mesmo. Agora, quando fazemos, devemos ser humildes para pedir ajuda, ajudar o próximo e afastar emoções negativas.

Esta comunidade foi erguida tendo como base quatro pilares: destaque, motivação, vendas e contactos. Desconstruindo-os, o que é que cada um significa?
São os caminhos essenciais para criar negócio e dinheiro, e falando francamente, dinheiro é também um fator muito importante para a nossa qualidade de vida, não é só, mas é importante.

Acredita que “não existe nenhuma pós-graduação capaz de superar a força de uma mulher que é empresária, empreendedora, encarregada de educação e conjugue”. Onde é que a Ana Cláudia encontra a sua força para conseguir conciliar várias funções?
Começa pela paixão que encontrei neste projeto que me dá  horas de felicidade e muita motivação, e também muito importante para a minha parte organizacional, é seguir religiosamente uma mágica folha de planificação semanal.

Fazendo um balanço da sua vida profissional, é notório que tem crescido e conquistado o seu espaço de uma forma ímpar, como empresária, consultora de imagem, modelo. Ser mulher, em algum momento da sua carreira, foi um impeditivo ou colocou algum tipo de entrave à realização de um objetivo?
Mais do que ser mulher, é termos um pouco de imagem. Mas isso nunca foi impeditivo de eu realizar seja o que for, porque sou bastante persistente. Agora, não estaria a ser sincera, se não dissesse que senti alguns projetos a não serem levados a sério. Compreendo que a beleza traga algum tipo de curiosidade, e infelizmente ainda existem alguns “cérebros” que acham que por se ter boa imagem, somos estúpidos.

Celebrar efemérides como o Dia Internacional da Mulher é aplaudir os avanços conquistados no feminino a nível económico, social e político. Contudo, as estatísticas continuam a revelar dados preocupantes de desigualdades. No seu ponto de vista, por que é que estes dados continuam a ser tão alarmantes? O que falta fazer?
Esses dados são verdadeiramente alarmantes para alguns países no mundo onde a mulher não tem valor nenhum, e é uma vergonha para os direitos humanos, para todos nós, que só assistimos de longe e nada fazemos. Em outros países, penso que há mais reclamações do que ação. Estamos a entrar na era dourada do empreendedorismo feminino, e devemos aceitar com a maior felicidade do mundo e não confundir com desigualdades do género. O homem foi desde sempre educado para ser líder e empreendedor, tudo bem, foi assim a história, aceitamos. Agora é a nossa vez, em paralelo com eles, e temos que saber fazer as coisas. Aprender, ter mais formação, aproveitar todas as ferramentas fantásticas ao nosso dispor e sermos apoiadas. Não cair no individualismo e na demasiada independência. Falo por mim, que passei 7 anos sozinha em frente de uma mega estrutura, 12 horas diárias, e não tinha vida pessoal nenhuma. Tal como escrevi no meu artigo de opinião, o que falta fazer está na educação dos nossos filhos, prepara-los para serem empreendedores, escolherem bem os companheiros para a vida e também aceitarem o próximo. Não há nada melhor do que sermos apoiados pela família.

O seu “core business” é a consultoria de imagem, os workshops e os eventos empresariais. A verdade é que cada vez mais a imagem assume-se na sociedade atual e no seio das empresas como um fator decisivo para o sucesso pessoal e profissional. Existe um momento ideal para se recorrer a um consultor de imagem?
Isso seria estar a dizer o mesmo que só quando queremos ter sucesso é que recorremos a um profissional, ou seja, por outras palavras, quando as coisas estão caóticas é que pedimos ajuda….Devemos ter autoestima suficiente para gostarmos de nós ao ponto de querermos melhorar a nossa imagem. Somos diferentes uns dos outros, uns mais tímidos, outros mais arrojados, e recorrer a um consultor de imagem é uma viagem de autoconhecimento que vai ajudar no crescimento pessoal, e a partir daí tudo o resto vem, amor, trabalho, dinheiro. Sim, faz diferença aos olhos da sociedade, não uma pessoa que veste roupas caríssimas, mas uma pessoa que sabe estar e espalhar charme, com educação. Portanto, não existe um momento especial para aprender com um consultor de imagem, a não ser que sinta que foi várias vezes prejudicado por causa da sua má imagem.

Num futuro certamente marcado pela contínua voz desta comunidade em prol do sexo feminino, que objetivos pretendem ver concretizados no decorrer deste ano?
Para já vamos ter Gestoras Independentes em mais cinco cidades diferentes. Restruturamos a nova loja on-line “Let´s Brand Together”, um projeto desenhado para ajudar as empreendedoras a vender, e pode ser encontrado na rede, na nossa APP e em todas as páginas do Facebook, e estamos a lançar um cartão ASM. Um universo feminino num só sitio (cartão) concebido para fortalecer a economia interna na nossa rede e fidelizar clientes para estas mulheres todas, não só em Portugal, mas em todos os outros países onde a comunidade já está presente. Por fim, paralelamente aos eventos de networking estamos também a apostar em workshops de autoestima  e valorização pessoal, a base do sucesso.

De uma empreendedora para várias empreendedoras que estarão a ler esta entrevista, que mensagem quer deixar? Por outro lado, para as “suas” empreendedoras de um modo particular, para todas as mulheres que integram esta comunidade, o que tem a dizer?
Para as empreendedoras que fizeram parte desta edição, muito obrigada por fazerem acontecer. Mais do que sucesso, queremos fazer a diferença no mundo e deixar um legado para a melhoria das condições de vida do local onde vivemos. Este foi um grande exemplo do nosso lema: #juntassomosmaisfortes. Para as restantes mulheres da rede e não só, muito obrigada também por estarem desse lado, sei que um dia vão juntar-se a nós de uma forma mais ativa. Cada uma a seu tempo e à sua maneira, e não há nada de errado nisso. Informem-se, ajudem-se umas às outras, não tenham medo de arriscar! O Adoro.Ser.Mulher estará aqui para apoiar. Por fim, obrigada aos parceiros que estiveram connosco na sessão fotográfica.

AGRADECIMENTOS
Apoio à produção:
Inspira Hotels, loja La Boheme, maquilhadores Alda Figueiredo, Daniela Homero, Rita Refoios, Susana Gomes e maquilhador coordenador Miguel Molena

Ana Cláudia Vaz
Ana Cláudia Vaz

OPINIÃO, Ana Cláudia Vaz | Fundadora Adoro.Ser.Mulher

A exaustão do Empreendedorismo feminino, do Empreendedor e da Liderança

“Como pais, podemos e devemos preparar os nossos filhos masculinos a vir a casar com uma empreendedora, e que isso será fantástico, porque um bom companheiro é um fator essencial para o sucesso profissional dessa mulher.”

No nosso país é usual as coisas boas tornarem-se tendências, até à exaustão. Mas esta, é uma das mais saudáveis e necessárias, por isso, até que enfim! Imagine que, se torna uma grande tendência ir sempre votar, ou comprar mais produtos nacionais, ou, e fundamental, partilhar com o próximo, sem esperar algum retorno. O sítio onde vivemos, seria um local mais agradável, digo eu… Mas então, porquê tanta voz sobre o empreendedorismo?
De facto, a criação de pequenos negócios contribui para impulsionar a inovação e a competitividade, mas também para a criação de emprego e estabilidade política e social. A questão da criação de empresas por parte das mulheres tem particular relevância social e económica para os países, não só pelo potencial produtivo e criativo das mulheres, mas também por razões de igualdade de oportunidades, dado que este grupo representa, claramente, uma minoria no contexto das economias globais. À semelhança do que acontece noutros âmbitos sociais e económicos, a presença feminina neste domínio de atividade, é ainda inferior à presença masculina. Apesar disso, tem-se verificado um aumento do empreendedorismo feminino em vários pontos do
mundo. Mas ouvimos e lemos demasiadas vezes estas palavras, e na prática, são poucos os que se destacam como sendo verdadeiramente empreendedores.

Segundo Augusto Cury:
“Ser um empreendedor é executar os sonhos, mesmo que haja riscos. É enfrentar os problemas, mesmo não tendo forças. É caminhar por lugares desconhecidos, mesmo sem bússola. É tomar decisões que ninguém toma. É ter consciência de que quem vence sem obstáculos triunfa sem glória. É não esperar uma herança, mas construir uma história… Quantos projetos deixou para trás? Quantas vezes os seus medos bloquearam os seus sonhos? Ser um empreendedor não é esperar a felicidade acontecer, mas conquistá-la.” – Pergunto: Quantos amigos, ou até conhecidos, conhece com esta atitude?
É importante, portanto, perceber quais as especificidades do empreendedorismo feminino que fazem com que seja um fenómeno de muito menor peso que o fenómeno masculino e, por outro lado, compreender quais os fatores que têm provocado o seu crescimento nos últimos tempos. Baseando-me na minha experiência como impulsionadora e organizadora de eventos de networking internacionais, posso descrever a minha visão sobre  três tipos de mulheres empreendedoras de países diferentes. A nossa Comunidade Internacional Adoro.Ser.Mulher, esteve o ano passado (2015) na cidade da Praia – Cabo Verde, Rio de Janeiro – Brasil, e claro, iniciou-se em Portugal.
Reforçando que a mulher é muito empreendedora em toda a parte do mundo, e considerando que estas mulheres têm várias coisas em comum, tal como, a língua portuguesa, cultura, a feminilidade e a vontade de fazer acontecer, porque conseguem também ser tão diferentes? A mulher portuguesa, e atenção que não estou nem posso generalizar, tem todas as condições políticas e sócio-culturais para arriscar e lutar pelo seu sonho. Tem eventos, formações e muita informação ao seu dispor para se desenvolver. No entanto, os fatores crise e endividamento social, fizeram com que seja mais desconfiada, um pouco individual, sobrecarregada de tarefas familiares, e não só, o que leva a uma autoestima menor. Em Cabo Verde, são demasiadamente empreendedoras, isto devido ao fator ilha pouco desenvolvida e limitada. Resultado, vários negócios diferentes, e pouca satisfação profissional.
Por outro lado são super mães, e muito femininas. Respiram muito a desigualdade do género, tema sempre presente em qualquer conversa, provavelmente até com alguma razão, em que se culpa o homem ou o companheiro, ou até outra mulher. Ao serem assuntos demasiado explorados, qualquer comunicação ou desenvolvimento, morre. Já a mulher carioca, é empreendedora e trabalhadora ao mesmo tempo. Não perde tempo com palavras como crise e desistir, pois é algo que já está habituada, talvez por viver numa sociedade com graves problemas.
Precisa sim, de orientação profissional e mais formação, e para nós foi uma surpresa saber que não existia muito networking feminino numa cidade tão grande. Mas, o que me deixou feliz, é a capacidade de ser unida, partilhar e ajudar-se mutuamente, talvez seja assim que consegue sobreviver a tanta corrupção e desigualdade social.
Não deixam de ser pontos de vista de análise muito interessantes. Isto para dizer que, a maior razão da desigualdade, seja do que for, está dentro de nós, dentro da personalidade de cada um e do próprio desenvolvimento pessoal. Passa por escolhermos bem o companheiro ideal, para nos apoiar durante a vida, e neste caso, na carreira profissional. Em construir com visão e originalidade. Em não cair na tentação de copiar ou imitar. Em ajudar a construir e não a derrubar, e controlar emoções, como a revolta e a inveja.
Voltando ao tema do empreendedorismo feminino, nem todas as mulheres têm perfil e querem ser líderes. Muitas adoram ser donas de casa. Existe, e vão sempre existir diferenças entre o homem e a mulher, que podem ser bem divertidas e muito saudáveis. Mas como pais, podemos e devemos preparar os nossos filhos masculinos a vir a casar com uma empreendedora, e que isso será fantástico, porque um bom companheiro é um fator essencial para o sucesso profissional dessa mulher.

1 COMENTÁRIO

  1. […] Adoro.Ser.Mulher, fundada por Ana Cláudia Vaz, é uma comunidade de networking que procura apoiar e motivar o empreendedorismo feminino em Portugal, no Brasil e nos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa). A sua principal missão consiste em ajudar a mulher na sua vida profissional – o que lhe permitirá ter mais sucesso nos negócios – para que possa desfrutar, ainda mais, da sua vida pessoal. […]