“Sempre me senti respeitada”

A propósito do Dia Internacional da Mulher, celebrado no passado dia 8 de março, a Revista Pontos de Vista quis saber mais e quis conhecer mulheres que se destaquem. Assim, conversámos com Ricardina Andrade, Diretora Geral do Hospital Agostinho Neto, uma gestora que tem dado provas que as lideranças não têm género e que são as pessoas as grandes mais valias.

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Diretora do Hospital Agostinho Neto, Ricardina Andrade assume-se como uma mulher de força e uma gestora de enorme competência. No sentido de contextualizar o nosso leitor, que análise perpetua da sua carreira?
Diria 16 anos pautada de muita determinação, paixão pelo meu trabalho, aliada à curiosidade para saber e fazer mais, à disciplina para fazer bem e organizar para fazer melhor e à minha vontade de servir à sociedade, contribuindo com algo de bom para a vida das pessoas.
Terminei a minha licenciatura em Psicologia Social e das Organizações em Coimbra em 1998 e tive oportunidade de realizar o estágio numa multinacional da área de gestão de pessoas, em Lisboa, onde tive oportunidade de conhecer, de aprender e de implementar as técnicas de gestão e desenvolvimento dos RH.
A busca pelo autodesenvolvimento tem sido o meu foco, e tenho aproveitado todas as oportunidades para aprender e melhorar o meu desempenho como profissional e como pessoa. Fiz o MBA em Gestão Global com o ISCTE em 2007 e tenho participado em eventos relacionados com as várias áreas de gestão, inclusive via web, para a troca de experiências.
Tive o privilégio de trabalhar e aprender com excelentes líderes, homens e mulheres, que marcaram a minha trajetória profissional. Faço uma análise muito positiva, de muito aprendizado, de muita entrega e também de muita gratidão.

Fazendo um balanço da sua vida profissional, é notório que tem crescido e conquistado o seu espaço de uma forma ímpar. Ser mulher, em algum momento da sua carreira, foi um impeditivo ou colocou algum tipo de entrave à realização de um objetivo?
Nunca. Com exceção do HAN, onde predominam as mulheres, sempre trabalhei em ambientes predominantemente masculinos e sempre me senti respeitada e acolhida.

Celebrar efemérides como o Dia Internacional da Mulher é aplaudir os avanços conquistados no feminino a nível económico, social e político. Contudo, as estatísticas continuam a revelar dados preocupantes de desigualdades. No seu ponto de vista, por que é que estes dados continuam a ser tão alarmantes? O que falta fazer?
Temos que pensar nas mulheres no mundo todo! Faltam, efetivamente, politicas globais focalizadas no empoderamento da mulher. Vejamos: as estatísticas mundiais evidenciam a predominância das mulheres entre os pobres, consequência do desigual acesso às oportunidades que proporcionam ascensões económicas e sociais. Julgo serem necessárias políticas públicas focalizadas no empoderamento da mulher, condição fundamental de mudança da sua posição social, quer em relação a sua consciência, quer em relação aos seus direitos, quer ainda em relação às suas capacidades, possibilitando, dessa forma, a sua autonomia e sua emergência na vida económica e política nas sociedades. Neste particular, o acesso a Educação e à Saúde e Bem-estar são requisitos fundamentais para o empoderamento das mulheres em todas as esferas da sociedade.

O que é, para si, uma Liderança no Feminino?
É uma liderança que responde as demandas do mercado e da sociedade, integradora, resiliente e serena.

Na sua opinião, existe alguma diferença entre uma liderança feminina e masculina?
É importante compreender que homens e mulheres têm diferentes modalidades de aprendizado, interpretação e ação no contexto profissional. A diversidade é complementar, não excludente e a realização do trabalho em conjunto aumenta o desempenho e a concretização de resultados. Penso que, mais importante que a diferença feminina-masculina, devemos pensar nas pessoas, no seu caráter e nas suas competências.

Sente que as mulheres têm de «provar» mais que os homens para singrar no universo da gestão de grandes projetos?  
Até então, nunca tive necessidade de provar mais que os homens.

Quais são as grandes prioridades para si enquanto gestora/diretora do Hospital Agostinho Neto?
Somos a maior estrutura hospitalar do país com a missão de proporcionar o bem-estar à população, prestando os cuidados de alta complexidade com eficiência e qualidade. Temos como visão “Ser (e ser reconhecido como) um Hospital de Referência, a nível nacional e regional, na prestação de cuidados de saúde. A prioridade é fazer com que cada profissional trabalhe para o cumprimento da missão e o alcance da visão, independentemente das hierarquias existentes.