A Siemens e a Govia Thameslink Railway (GTR) assinaram contrato para substituir a frota de comboios suburbanos da linha Great Northern, em Londres, no valor de cerca de 260 milhões de euros. As 25 automotoras, de seis módulos cada (Bo’ Bo’+2′ 2’+2′ 2’+ Bo’ Bo’+2′ 2’+ Bo’ Bo’), com controlo automático de climatização, serão construídas na fábrica da Siemens em Krefeld, na Alemanha. A entrada em serviço está prevista para o final de 2018.

Estes comboios vão circular entre Moorgate, no centro financeiro – City – de Londres, e as cidades de Welwyn, Hertford, Stevenage e Letchworth e serão uma variante do tipo Class 700, baseados na plataforma Desiro City, cuja construção está em curso para o novo serviço Thameslink da GTR. A nova frota irá substituir os comboios elétricos mais antigos do Reino Unido do tipo Class 313, construídos em 1976/77.

Charles Horton, CEO da GTR, disse: “Estamos muito satisfeitos por ter assegurado o financiamento para esta nova frota que proporcionará aos nossos passageiros da linha Great Northern um ambiente moderno e de alta qualidade, anos-luz à frente do que temos sido capazes de oferecer até à data, com material circulante com quase 40 anos. E quando os comboios de Moorgate entrarem em serviço também aumentaremos significativamente a frequência do serviço fora do horário de pico, aos fins-de-semana e até, embora em menor grau, nos picos da manhã e da noite. Os novos comboios de Moorgate constituem apenas uma das três maiores frotas que estamos a introduzir para melhorar continuamente o serviço e a satisfação dos passageiros”.

As caraterísticas do novo comboio suburbano incluem:
Intercomunicações entre módulos que proporcionam mais espaço para passageiros
Ar condicionado controlado por um sistema de climatização inteligente
O mais moderno sistema de informação aos passageiros, com informações em tempo real
Totalmente acessível para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, de acordo com o normativo do sector ferroviário
Tomadas de eletricidade ao longo do comboio
WiFi disponível para os passageiros

Um bom exemplo para a linha de Cascais

As linhas de Great Northern e Thameslink são, sem dúvida, projetos de referência que podem ser adaptados um pouco por todo o mundo em modelos operacionais semelhantes. Em Portugal, por exemplo, a linha de Cascais é uma das infraestruturas a aguardar desenvolvimentos que poderá usar como referência as premissas tecnológicas e operacionais que fundamentaram estes projetos.

Atualmente, com cerca de 25 km e 18 estações, a linha de Cascais liga esta vila ao Cais do Sodré, em Lisboa. Tem uma procura diária média de mais de 80 mil passageiros. Nela opera uma frota reduzida de 24 comboios (de 42 inicialmente fornecidos) que, embora tenham sido objeto de uma suave modernização nos anos 90, estão no final da vida útil, não permitem a garantia da oferta programada o que coloca o operador, com diversos problemas ao nível da disponibilidade do serviço e elevados custos de manutenção.

A modernização de ligações suburbanas, como a Linha de Cascais, é de grande importância não só para a criação de uma rede de transportes sustentável, bem como para o desenvolvimento socioeconómico do País.