Há seis alemães que têm algo em comum. Wolfgang Niersbach, Helmut Sandrock, Theo Zwanziger, Horst R. Schmidt, Stefan Hans e Franz Beckenbauer foram todos dirigentes da Federação Alemã de Futebol (DFB), antes ou depois de o país ganhar o direito a organizar o Campeonato do Mundo. Só que nenhum tem o nome, a história e o palmarés do último, que é um senhor que ganhou tudo e mais alguma coisa no futebol e que, agora, é suspeito de ter feito “possíveis pagamentos indevidos e contratos para ganhar vantagem no processo de seleção do anfitrião do Mundial de 2006”.

O Comité de Ética da FIFA anunciou esta terça-feira, via comunicado, que começou a investigar os seis antigos dirigentes germânicos. Franz Beckenbauer é a cara mais conhecida entre eles — enquanto jogador, conquistou o Europeu de 1972, o Mundial de 1974 e três Taças dos Clubes Campeões Europeus seguidas (entre 1973 e 1976), antes de vencer um Campeonato do Mundo como selecionador alemão (1990). É por isto, e pela forma como jogava à bola, que é visto como um dos melhores futebolistas de sempre e que ganhou a alcunha de Der Kaiser (O Imperador).

Beckenbauer, hoje com 70 anos, é um de quatro ex-dirigentes que é suspeito de ter efetuado pagamentos em trocos de votos a favor da candidatura alemã ao Mundial de 2006 (os outros são Zwazinger, Schimdt e Hans). Já Niersbach e Sandrock serão investigados por alegadamente não terem reportado à FIFA uma violação do Código de Ética da entidade.

Wolfgang Niersbach demitiu-se do cargo de presidente da Federação Alemã de Futebol em novembro do ano passado, quando as suspeitas de corrupção começaram a rodear a candidatura germânica ao Campeonato do Mundo. Um mês antes, o Der Spiegel publicou uma investigação que deu conta da alegada existência de uma conta bancária, na Suíça, que serviria para alojar os fundos com que seriam realizados os pagamentos ilegais e os subornos. Niersbach sempre negou a existência de tal conta, embora Theo Zwanziger, homem que o antecedeu na presidência da DFB, admitisse o contrário, escreve o The Guardian.

Quanto a Franz Beckenbauer, o ex-internacional germânico já negou, por várias vezes, que tenha efetuado qualquer pagamento ou suborno. “Nunca dei dinheiro a ninguém para garantir votos. E tenho a certeza que nenhum outro membro do comité de candidatura fez algo do género”, chegou a dizer, em outubro de 2015.