Formou-se na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, já trabalhou na Argentina, México ou Brasil e assume desde janeiro de 2015 uma das principais linhas da frente do Hotel de Convenções de Talatona, em Angola. Como descreveria este momento da sua carreira? Que contributo pessoal tem procurado dar à gestão deste espaço?

Quando me licenciei em Direção e Gestão Hoteleira em 2005, defini como objetivo de carreira alcançar a Direção Geral de um Hotel. Desempenhei várias funções de carácter operacional em diferentes países do mundo e, em 2011 assumi a direção geral da Pousada de Alcácer do Sal, porém não sentia que havia alcançado verdadeiramente o objetivo que me havia proposto.

Em 2012 tive a oportunidade de abraçar o projeto HCTA enquanto diretora de alimentos e bebidas. Foi uma decisão difícil, mudar de continente, mudar de pequenas unidades hoteleiras de 20 a 35 quartos e não mais de 40 colaboradores, para um Hotel de Convenções com 201 quartos, 20 Vilas, dois restaurantes, três bares, 12 salas de conferências e cerca de 390 colaboradores.

Contudo foi um desafio que abracei com a determinação de contribuir com a minha experiência e know-how para o desenvolvimento de quadros angolanos que pudessem prestar um serviço de excelência naquele que é o Primeiro Hotel de 5 estrelas em Angola.

Foi com esta determinação de contributo diário para o desenvolvimento dessas pessoas que em 2014 alcancei a posição de Diretora Geral Adjunta e em janeiro de 2015 me foi conferida a oportunidade de gerir esta unidade hoteleira a que chamo “casa” há quase quatro anos.

IMG_6948De que forma o cargo de diretora geral do Hotel Talatona tem contribuído para o seu crescimento humano?

Apesar de não me considerar uma pessoa “viciada no trabalho” não escondo que sou verdadeiramente apaixonada por aquilo que faço. Não me vejo a trabalhar noutra área que não seja num Hotel, adoro o contacto com clientes e com colaboradores, definir metas, traçar estratégias e acompanhar a minha equipa dia após dia com a certeza que juntos iremos alcançar tudo a que nos propomos.

Ser diretora geral em Angola deu-me a oportunidade de experimentar dificuldades distintas daquelas que havia sentido por exemplo na Europa e aprender a geri-las e a ultrapassá-las. Estar em contacto diário com essas dificuldades, criou-me por exemplo uma admiração e enorme respeito pelos meus colaboradores pelo seu esforço diário para se apresentarem no trabalho com um sorriso na cara e a vontade de “bem servir”, mesmo quando as condições meteorológicas e sociais não estejam a seu favor.

Ser mulher e atuar no mundo dos negócios é um desafio? Dia após dia, como é que se consegue afirmar?

Ser mulher e atuar no mundo dos negócios é um desafio diário. Já aconteceu algumas vezes ser solicitada a presença do Diretor Geral do Hotel e quando chego e me apresento, ver cara de espanto ou ouvir comentários como “Peço desculpa mas solicitei falar com o Diretor do Hotel”.

Somente com determinação e profissionalismo tem sido possível contornar este desafio.

Como diz um grande amigo meu, “Tânia estás a fazer história, és a primeira Mulher a ser diretora de um hotel de 5 estrelas em Angola”.

Várias mulheres têm tomado os pulsos de muitas empresas da lusofonia e muitos são os avanços que têm sido feitos. De acordo com a sua experiência neste mercado, Angola tem sabido dar o exemplo a este nível?

Sem dúvida que existem cada vez mais mulheres no mercado Angolano a ocupar altos cargos executivos de empresas, mostrando que são tão capazes (ou até mais) que os homens.

A eficácia da gestão não se mede pelo género mas pela capacidade de “fazer acontecer” e por isso existem Diretoras, Gestoras, Ministras e muitas outras executivas a contribuir para o avanço e desenvolvimento da sociedade angolana.

Olhando para a sua vida profissional, ser mulher, em algum momento da sua carreira, foi um impeditivo ou colocou algum tipo de entrave à realização de um objetivo?

De modo algum, nunca me senti limitada ou impedida de atingir algum objetivo por ser mulher. Muito pelo contrario, gosto de mostrar pelo exemplo que nada é impossível desde que desejemos e que nos esforcemos. Esta é a inspiração que tento passar a todas as pessoas que se cruzam na minha carreira profissional.

Celebrar efemérides como o Dia Internacional da Mulher é aplaudir os avanços conquistados no feminino a nível económico, social e político. Contudo, as estatísticas continuam a revelar dados preocupantes de desigualdades. No seu ponto de vista, por que é que estes dados continuam a ser tão alarmantes? O que falta fazer?

Sem dúvida que não se deve menosprezar os acontecimentos marcantes do passado, até porque a realidade que vivemos é o resultado das várias conquistas obtidas pela humanidade.

Mas mais importante que as estatísticas no feminino, o que realmente importa realçar é o que fazemos para melhorar as condições de vida nos vários domínios da sociedade. Os contributos para esta melhoria não seguem género, religião ou raça, dependem exclusivamente da nossa atuação enquanto pessoas e, lealdade às nossas convicções e solidariedade pelo próximo.

O equilíbrio da sociedade é algo que surgirá naturalmente desde que cada indivíduo se comprometa com a sua missão de vida.

Para o decorrer deste ano, qual será a linha de atuação do Hotel Talatona no sentido de continuar a ser “mais do que um hotel, um estilo de vida”?

Para o decorrer do ano de 2016, a linha de atuação do HCTA é de diversificação dos segmentos de mercado. O HCTA tem sido, como o seu nome indica, um hotel voltado para convenções e para o mercado corporativo, para 2016 pretendemos desenvolver ações voltadas para os nossos clientes diretos e para o mercado local.

“Mais do que um hotel, um estilo de vida” está ao alcance de todos aqueles que queiram fazer parte deste lema. Não está somente reservado aos clientes internacionais que nos visitam mas está também ao alcance de todos os Angolanos. Com a demarcada crise no setor petrolífero, o turismo tem e deve ter um papel preponderante na diversificação das indústrias que contribuem para o desenvolvimento da economia Angolana. Existem diversos planos de desenvolvimento da atividade turística em Angola, e nesta senda do HCTA está alinhado com esse planeamento desenvolvendo ações que incentivem ao turismo interno.