O regresso de Portugal aos mercados foi muito positivo para os cofres do Estado. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) conseguiu convencer os compradores a abdicar de rentabilidade nos Bilhetes de Tesouro a três meses, fechando a emissão de 300 milhões de euros com uma taxa média de -0,004%.A taxa abaixo de zero significa que os investidores pagam ao Estado português para emprestar dinheiro no prazo mais curto de emissões públicas, uma realidade que se aproxima dos mínimos históricos conseguidos no ano passado. A nova vaga de ajuda financeira do Banco central europeu ao sistema financeiro permitiu que a confiança regressasse à dívida portuguesa e com o otimismo, as taxas quase historicamente baixas estão de volta.

Além dos 300 milhões vendidos em dívida a três meses, o Estado português encheu-se com mais 800 milhões de euros graças aos Bilhetes a 11 meses colocados nas mãos de investidores com uma taxa média de 0,037%. Em ambas as emissões a oferta ultrapassou largamente a oferta.

“Os planos de estímulo do BCE, em particular a compra de dívida soberana, continua a beneficiar largamente o preço a que Portugal se endivida”, assume Filipe Silva, do Banco Carregosa. Para o diretor de ativos, é possível que “as taxas baixas se mantenham por mais algum tempo”, apesar dos níveis atuais de juros estarem já abaixo de zero.