Desde o início do meu mandato, o maior desafio que tinha pela frente era o projeto de requalificação do Forte da Graça. Tinha, à partida, muitas condicionantes, principalmente a condicionante de prazos muito difícil de cumprir mas, com a força de vontade de todos, conseguimos concluir com êxito e com um enorme orgulho este feito”, afirma o Presidente.

Estamos a falar de um investimento de 6,1 milhões de euros, num projeto concluído num tempo record e que não derrapou no seu orçamento. Certificada como Património Mundial, a “Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações” viram o Forte da Graça ganhar, ainda, o prémio de melhor projeto público, por contribuir para o desenvolvimento turístico do Alentejo.

Foi um exemplo ímpar de recuperação que tem merecido algumas menções e prémios de reconhecimento desse mérito.

Inaugurado a 27 de novembro de 2015, pelo Forte da Graça já passaram mais de 50 mil visitantes, mudando toda a estrutura e qualificação do turismo no Alentejo. Apesar de os bens classificados como Património Mundial serem dois fortes, três fortins, cinturas de muralhas, aqueduto, castelo e centro histórico, o Forte da Graça é a peça-chave no panorama turístico e monumental da cidade.

Por outro lado, havia, por parte do presidente, um compromisso muito forte com os programas sociais que, para além de mantidos, foram reforçados, conseguindo, assim, cumprir todas as áreas que se propôs levar a cabo. “Temos cerca de 26 tipos de apoios. Não é fácil no contexto em que estamos, com as dificuldades todas que nos foram impostas nos últimos anos, com a possibilidade da não contratação de pessoal, apesar do elevado número de funcionários da Câmara a reformar-se. Temos tido alguns entraves, no que diz respeito aos recursos humanos, mas mesmo assim, com menos recursos financeiros e humanos, estamos a conseguir cumprir com o nosso programa”, explica Nuno Mocinha.

Investir em Elvas

Desde o início do mandato de Nuno Mocinha, em outubro de 2013, já foram criadas 111 empresas, as quais geraram cerca de 500 postos de trabalho. Estamos a falar de pequenas empresas, que estão a contribuir para a economia local.

“O maior desafio que enfrentamos é a falta de investimentos em Elvas e os fundos comunitários que demoram a chegar para apoiar as nossas empresas. Temos a economia estagnada de um tecido empresarial que em Elvas é já por si fraco”, lamenta o presidente.

Contudo, estão a ser desenvolvidos trabalhos para promover o centro histórico da cidade, de forma estratégica e diferenciadora. O comércio está a ser alvo de modernização e diversificação de forma a promover o turismo e criar condições para aumentar o número de visitantes a Elvas.

“É um trabalho imaterial, que não é visível, mas que já está a dar frutos. Os Elvenses começam a viver mais o seu património e a sua identidade. Há um sentimento de união e de pertença à terra. Estamos a caminhar todos no mesmo sentido”, refere o autarca e garante que a melhor promoção que se pode fazer desta cidade alentejana é recebendo bem os seus visitantes, para que fiquem a gostar de Elvas e para que queiram voltar. “É esse o nosso caminho. Temos de ser todos a fazer por Elvas e eu tenho sentido isso por parte dos meus munícipes”, congratula o presidente.

O projeto Eurocidade

Com a crescente dificuldade em criar postos de trabalho e, consequentemente, atrair pessoas para Elvas, a prioridade do Município tem sido fixar a população local, criando condições para que as pessoas não vão embora, bem como condições para o tecido empresarial.

“A aposta em nós não tem sido muito forte, por sermos vistos como uma cidade do interior; mas, para Elvas, não somos o interior do País, mas sim a centralidade, dado que estamos na porta da entrada da Europa, com uma localização estratégica para desenvolver projetos com o outro lado da fronteira”, afirma o autarca.

Considerando-se a nova centralidade, Elvas tem um projeto em parceria com Badajoz e Campo Maior, a Eurocidade, que, ao interligar estas três localidades, é criado o maior núcleo urbano entre Lisboa e Madrid, que permite contribuir para a afirmação de Elvas a nível nacional e internacional. “Sozinhos podemos ir mais rápido, mas juntos vamos mais longe. Queremos juntar estas três localidades e geri-las como uma só numa lógica de complementaridade. Para além de que há aspetos diferenciadores em cada uma destas cidades que podem beneficiar as outras”, explica Nuno Mocinha.

Assim, neste sentido de consolidar Elvas a nível internacional, o município tem estado presente em feiras internacionais de turismo, em Madrid e Lisboa, para promover o seu património classificado de Património Mundial desde 2012 e realçar a localização estratégica da cidade. ▪

Sabia que?

O emblemático Forte da Graça é composto por um conjunto de fortificações abaluartadas, classificado como Património Mundial, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Durante a intervenção, foram repostas todas as cores originais do forte e recuperadas as estruturas, como a cisterna, a prisão, as galerias de tiro e a capela, onde foram descobertos frescos do século XIX, também alvo de intervenção.

Sabia que?

A gastronomia típica e tradicional do Alentejo é muito procurada e apreciada pelos vizinhos espanhóis. A gastronomia alentejana tem em Elvas um oásis de excelência. Os sabores tradicionais, como o porco, o borrego e as ervas, que servem de base à comida tradicional, têm sempre como ponto final o sericá, doce típico de Elvas acompanhado pelas ameixas em conserva. O bacalhau dourado, nascido na Pousada há mais de 50 anos, é hoje uma iguaria imperdível na mesa de quem sabe que, nesta cidade, vai encontrar qualidade e tradição na gastronomia.

Sabia que?

O Aqueduto da Amoreira é considerado o grande símbolo de Elvas. A sua construção deveu-se aos problemas de abastecimento de água que a cidade há muito padecia. É uma obra com 7054 metros de comprimento, da zona da Amoreira até à muralha, percorre depois uma galeria 450 metros até à Fonte da Misericórdia, onde a água jorrou pela primeira vez em 1622. Os 1113 metros que leva a percorrer o vale de S. Francisco são efetivamente de grande beleza. Quatro ordens de arcos, com 31 metros de altura, suportados por contrafortes e gigantes de várias formas. Chega a ter galerias subterrâneas a passar dos seis metros de profundidade. Tem, em todo o seu percurso, 843 arcos.