Apesar do envelhecimento global ser uma história de sucesso, marcada pelo triunfo da saúde pública, pelo avanço médico, e pelo desenvolvimento económico, as doenças não transmissíveis, particularmente as doenças cardiovasculares, o cancro, as doenças respiratórias crónicas e a diabetes são as que mais contribuem para a morbilidade e a mortalidade mundiais. Quando um dos fatores de risco comportamental compartilhado por estas doenças crónicas é o sedentarismo, torna-se fundamental atender às contribuições positivas do exercício físico para a saúde.

Os benefícios do exercício físico consubstanciam uma melhoria considerável na qualidade de vida, apontando também para uma redução significativa na taxa de morbilidade e mortalidade por todas as causas. Os estudos mais atuais sublinham que 150 minutos de atividade física por semana com intensidade moderada reduz em cerca de 30% a taxa de mortalidade, sendo os benefícios ainda mais evidentes em indivíduos com mais de 60 anos. Os avanços da investigação científica ao nível da prescrição de exercício físico sugerem a adoção de modelos que fundamentadamente apontam o treino de força muscular em conjunto com o treino aeróbio como a mais poderosa estratégia no combate à perda de força e massa muscular típica do envelhecimento, apontando em simultâneo a redução da massa gorda, da pressão arterial e de outros fatores de risco cardiovasculares, bem como a diminuição dos sintomas de doenças crónicas como a diabetes, a osteoporose, ou a depressão. Estes modelos de prescrição de exercício apontam também o treino de equilíbrio como componente essencial à redução do risco de quedas e fraturas associadas. A estes benefícios comprovados cientificamente acrescem os resultados mais recentes divulgados em estudos epidemiológicos e de intervenção que demonstram a contribuição do exercício físico na redução do risco de doença de Alzheimer, bem como no declínio cognitivo associado ao aumento da idade.

Conscientes destes desafios e tendo em vista harmonizar a integração da inovação científica na formação profissional de nível avançado, o Instituto Universitário da Maia (ISMAI) e o Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano do ISMAI (CIDESD-ISMAI), apresentam um Mestrado em Exercício Físico e Saúde que tem como missão preparar profissionais capazes de compreender, planificar e operacionalizar diferentes propostas de exercício enquanto ferramentas de natureza preventiva ou terapêutica, em diferentes contextos e populações, de forma individualizada. São exemplos desta interligação entre a inovação científica e a formação profissional os compromissos firmados no âmbito da European Innovation Partnership on Ative and Healthy Ageing (EIP-AHA), que integraram a candidatura Porto4Ageing a EIP-AHA reference site: 1) CIDESD-ISMAI evidence-based exercise programmes – implementação de programas de exercício físico baseado na evidência para idosos e indivíduos com doenças cronicas; e 2) CIDESD-ISMAI falls prevention initiative – implementação de um programa de diagnóstico precoce e prevenção de quedas.

Para operacionalizar esta filosofia formativa inovadora, o Mestrado em Exercício Físico e Saúde dispõe de um corpo docente com elevada experiência profissional e envolvimento em projetos de investigação científica financiados por entidades externas, e beneficia de infraestruturas e equipamentos altamente especializados. Adicionalmente, o compromisso de ligação às comunidades da região onde o ISMAI se insere, originou a criação de uma rede de parceiros estratégicos, dos quais se destacam a Câmara Municipal da Maia e o Agrupamento de Centros de Saúde Grande Porto III – Maia/Valongo, entre outros prestadores e utilizadores de cuidados de saúde e serviços sociais, que atualmente nos proporciona um ecossistema extremamente favorável para a procura de soluções inovadoras que visem a melhoria da qualidade de vida das populações.