Pela Qualidade e Boas Práticas Científicas

Milton Costa, Professor Catedrático da Universidade de Coimbra, foi o primeiro português a presidir à Comissão Internacional de Sistemática de Procariotas responsável pela descrição e classificação de bactérias. Em entrevista à Revista Pontos de Vista, responde a questões como o que é a Legionella pneumophila e de que forma os laboratórios atuam na prevenção da doença.

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Atualmente, na sua opinião, quais são as maiores preocupações para a atividade laboratorial?

Desde que o laboratório seja acreditado para a pesquisa de Legionella pelo IPQ (Instituto Português da Qualidade) não há qualquer tipo de preocupações. O laboratório tem de obedecer às regras impostas através de auditorias, se estiver tudo de acordo com o que é proposto as preocupações são praticamente eliminadas pois não há margem para erros.

O que é a Legionella? Estas são perguntas ainda sem resposta para muitas pessoas. Que trabalho tem sido desenvolvido no Laboratório de Microbiologia do CNC/Biocant sobre a doença dos legionários?

Não lidamos com as pessoas mas sim com as fontes de contaminação. A Legionella é uma bactéria que vive em água e é extremamente resistente ao calor. Normalmente encontramos legionelas em águas com temperaturas superiores a 17ºC e inferiores a 60ºC. Apesar de não trabalharmos diretamente junto das pessoas já fizemos alguns exames para descobrir Legionella em doentes. Quando solicitados, vamos aos locais como hotéis, hospitais colhemos água, biofilmes de vários sítios e de seguida cultivamos os microrganismos e identificamos as bactérias. Os procedimentos são específicos para Legionella. Passados quatro dias já conseguimos obter um resultado preliminar. Também colhemos amostras para determinar a presença de legionellas mas aquilo que procuramos não são legionellas vivas e infeciosas mas sim ADN de Legionella.

Quais as maiores lacunas no mercado e de que forma o Laboratório de Microbiologia do CNC/Biocant as combate?

É difícil apontar lacunas do mercado uma vez que há regras para os procedimentos. Quando há erros são algo como as temperaturas de incubação, as estufas microbiológicas a uma temperatura errada, são alguns exemplos do que pode acontecer, de modo a que não aconteça erro nenhum, tudo o que é feito é anotado.

A qualidade e as boas práticas científicas são um compromisso para o Laboratório de Microbiologia do CNC/Biocant que investiga e fornece serviços para empresas, organismos públicos e privados na área da saúde, laboratórios de investigação, empresas de biotecnologia, indústria farmacêutica, alimentar e agro-pecuária, empresas de águas termais e Câmaras Municipais. Dada a diversidade dos serviços prestados, como descreveria o contributo da prática da atividade laboratorial para com a sociedade?

O nível de qualidade é elevado porque trabalhamos sob o controlo de várias acreditações, e com tantos anos de experiência o difícil é cometer um erro. Temos 30 anos de experiência, com artigos publicados sobre os nossos procedimentos. Relativamente ao contributo da prática laboratorial para a sociedade, as pessoas não têm grande noção do trabalho dos laboratórios, porém, quando surge um problema em que o único recurso são os laboratórios aí apercebem-se da importância e do nosso papel.