“Ucranianos, se quiserem que seja Presidente, serei Presidente”, afirmou Nadiya Savchenko, na primeira conferência de imprensa após ter sido libertada pela Rússia, onde esteva detida por envolvimento na morte de dois jornalistas russos, acusação que nega categoricamente.

Reconhecendo que aquilo de que realmente gosta é de voar, Nadiya Savchenko, que integra o partido Batkivschina, não afastou o cenário político, o que adiaria a sua reincorporação na Força Aérea ucraniana.

Questionada sobre a sua detenção na Rússia, a piloto disse desconhecer as razões. “Simplesmente, puseram-me num carro, puseram-me um saco na cabeça e levaram-me”, relatou, acrescentando que não lhe perguntaram nada. Até que um dia “voltaram de noite” e lhe deram ordem para “pegar nas coisas”, sem referirem para onde a levariam.

Segundo a justiça russa, a 17 de junho de 2014, a piloto passou às forças ucranianas as coordenadas de um posto de controlo das milícias pró-Rússia da região de Lugansk, onde se encontravam dois jornalistas da radiotelevisão russa, que acabaram mortos.

As autoridades russas garantem ainda que a piloto foi detida na fronteira, quando tentava atravessar para a Rússia, a partir da Ucrânia, disfarçada de refugiada.

Esta versão foi desmentida pelo Governo ucraniano, que a qualificou como prisioneira de milicianos, que a transportaram ilegalmente para a Rússia.

A libertação de Nadiya Savchenko, condenada a 22 anos de prisão pela justiça russa, só foi possível graças a uma troca de presos. Os soldados russos Aleksandr Aleksandrov e Yevgueni Yerofeyev, condenados a 14 anos de prisão na Ucrânia, por combaterem ao lado dos separatistas, foram devolvidos à Rússia.