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Milhares de universitários californianos passam fome

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Milhares de universitários californianos passam fome

Segundo a rede pública de universidades Cal State, a maior do país, o problema é nacional e muito subestimado.

O inquérito apurou que entre 8,7% e 12% dos 460 mil estudantes da rede Cal State, que conta 23 ‘campus’, não têm domicílio fixo e entre 21% e 24% não têm acesso regular a alimentação.

“Quando vemos os números, ficamos estupefactos”, admitiu o dirigente da rede universitária Timothy White, durante uma discussão pública, na segunda-feira, em Long Beach, nos arredores de Los Angeles.

Adiantou que o estudo tinha sido encomendado, “depois de comentários isolados aos quais se quis colocar números”.

O estudo citou testemunhos de estudantes, como o de Yvette: “Penso que quando tiver o meu diploma, posso avançar. Mas, no fundo de mim, tenho a impressão de me estar a afogar”.

Uma outra estudante, Nikki, lembrou que “quis discutir o facto de ser uma sem-abrigo durante as férias”, tendo recebido como resposta “se se fizesse isso (dar-lhe abrigo), ter-se-ia de fazer para todos”.

Os estudantes que responderam não ter alojamento fixo mudam na maioria de uma habitação para outra, recorrendo a amigos ou família. Mas há outros que dormem em viaturas, tendas, estações ferroviárias ou rodoviárias, parques de estacionamento, motéis, parques de campismo ou refúgios.

O estudo salientou que os estudantes que não têm acesso a alimentação e não têm domicílio fixo são “invisíveis e há muito pouca investigação sobre esta população”.

A Cal State, que está a estudar soluções mais globais e de longo prazo, avançou já ter disponibilizado “cupões para compra de alimentação” e ajudas para os estudantes acederem a habitações de preço moderado, entre outras ajudas sociais.

Timothy White manifestou a esperança que o estudo faça falar do problema nos EUA.

A Cal State, que se define como “a mais vasta rede universitária do país, a mais diversa e uma das mais acessíveis”, oferece estudos por um pouco mais de cinco mil euros (4,4 mil euros) por ano, menos do que a prestigiada rede de universidades públicas, designada Universidade da Califórnia, que cobra mais de 12 mil dólares anuais, mas bem menos do que exige uma universidade privada.