A Revista Pontos de Vista conversou com Desidério Silva, Presidente da RTA – Região de Turismo do Algarve, que nos deu a conhecer o que tem sido realizado neste domínio, aquilo que ainda falta fazer, sem esquecer que os desafios nunca cessam e que as prioridades são sempre as mesmas, ou seja, trabalhar mais em prol do Algarve, uma marca que tem conquistado diversos reconhecimentos de diversas partes, tendo sido recentemente eleita, pela primeira vez, como Marca de Confiança por parte dos leitores das Seleções do Reader’s Digest, onde a qualidade, a relação custo/benefício e a perceção das necessidades do cliente foram os critérios que levaram a esta eleição.Mas para que o Algarve continue a figurar nos principais «palcos» dos melhores destinos de férias é necessário um trabalho conjunto, assente em parcerias entre operadores privados e públicos, em que a única linha orientadora seja a de um desiderato comum, continuar a fazer do Algarve o destino predileto de milhões de pessoas a nível mundial.

Mas afinal quais são as principais razões que perpetuam o Algarve como um dos melhores destinos de férias a nível global? A confiança é, sem dúvida, um dos fatores principais, mas existem mais. “O Algarve, nos últimos anos, tem sabido preparar-se para isso mesmo. Tem havido investimentos privados que buscam uma melhoria da qualidade e com capacidade para encontrar soluções que tivessem capacidade de resposta quando fossem necessárias”, advoga o nosso entrevistado, assegurando que o Algarve soube percorrer esse caminho, “quer através dos investimentos privados, como dos públicos”, afirma, reconhecendo que nem tudo está feito, embora tenha havido, nos últimos anos, uma preocupação grande na criação de condições para que o Algarve fosse visto como um território com ofertas diversificadas e de qualidade, “o que contribui, naturalmente para que esta região seja a escolha de muitos turistas para gozar as suas férias”.

“A palavra de ordem é Confiança”

Estar no topo, pressupor também um incremento das responsabilidades e quando falamos em convergência de interesses e de um sentido, é preciso que todos os players existentes nesse fito tenham a perceção clara das suas reais responsabilidades. O investimento privado e local, tal como já foi referido, tem sido uma das alavancas do desenvolvimento da região. E estes? Têm sabido lidar com o aumento da visibilidade e responsabilidade na região? Desidério Silva não tem dúvidas em responder afirmativamente, mas é preciso continuar neste caminho. “Têm realizado um esforço no sentido de se adaptarem a estas novas procuras, propiciando condições para uma oferta de qualidade. Estão a trabalhar arduamente e de uma forma equilibrada para garantir a continuidade desta procura, não criando situações pontuais que poderiam contribuir para denegrir a imagem da região. Queremos, acima de tudo, proporcionar uma oferta de qualidade, credível e de confiança para que os operadores e os agentes compreendam que o Algarve tem vindo a comportar-se na linha da gestão da sua oferta para garantir investimentos, inclusive de âmbito internacional. A palavra de ordem é Confiança”.

“O Algarve não tem sido reconhecido no que concerne ao contributo para a economia nacional”, assevera o Presidente da Região de Turismo do Algarve, que lembra que ao longo dos últimos Governos “sentimos sempre isso, pois não temos tido sido em conta em função da importância e da riqueza que a região gera. Naturalmente que têm sido dado passos importantes no que concerne às denominadas infraestruturas básicas como o saneamento, a água e acessibilidades, mas ainda há muito a fazer na região para melhorar a imagem como região de excelência turística e neste panorama precisamos de mais apoio do Governo”.

Como líder máximo de uma instituição com a dimensão e a credibilidade da RTA, o nosso interlocutor assume que o seu papel é o de “alertar e pressionar”, até porque ainda existe muito para se fazer, “e um Governo que esteja minimamente atento, sabe que qualquer investimento realizado no Algarve terá retorno, produz riqueza e emprego”.

«Batalha» para esbater a sazonalidade

A sazonalidade sentida no Algarve ainda é um entrave ao desenvolvimento da região, embora o mesmo tenha vindo a ser cada vez mais mitigado, até porque a RTA, lançou, no ano passado um Plano de Marketing Estratégico para o Turismo do Algarve para o período 2015/2018, tendo como componentes a estruturação do produto e ofertas para serem integradas e complementadas na região, cenário que tem vindo a ser colocado em prática. Os produtos em destaque no plano de marketing dividem-se em três prioridades: Produto consolidado, no qual se integra o Sol & Mar, Golfe e Turismo residencial; Produto em Desenvolvimento, onde estão o Turismo de negócios, Turismo de Natureza e Turismo Naútico; e ainda Produto complementar, destacando a Gastronomia e Vinhos, Touring e Turismo de saúde.

Naturalmente que o Algarve não pode ter sustentabilidade se estiver em «atividade» somente na época de verão e daí ser necessário, como tem vindo a ser realizado, criar medidas e apostar em novos segmentos. “Só seremos sustentáveis se conseguirmos alargar as margens para além dos meses de verão. Assim, temos intervido bastante nesta vertente nos últimos anos, criando novos produtos, reformulando e reestruturando os existentes que permitam que a oferta seja mais alargada”, salienta o nosso entrevistado

Desta forma, tem sido realizada uma aposta em diversas vertentes, como o turismo de natureza, “que tem crescido bastante” e em tudo o que esteja associado com a gastronomia e os vinhos. “Há sinais claros que nos vão dando indicações dessa oferta e retoma para podermos ser sustentáveis por um prazo mais alargado e daí a criação de atividades e eventos que permitam reposicionar a região, conferindo-lhe mais notoriedade e visibilidade”, esclarece Desidério Silva.

“É possível superar o ano de 2015”

O Algarve é hoje um dos principais destinos de Golfe da Europa, sendo considerado um produto de elite para os praticantes da modalidade e estando no topo ao nível das ofertas do turismo algarvio. A simbiose entre os traçados dos diversos campos com a paisagem fantástica em que estão inseridos, satisfazem os requisitos dos aficionados mais exigentes.

Como não podia deixar de ser, o Golfe algarvio continua numa fase ascendente, tendo atingido, em 2015, o maior número de voltas em golfe jogadas, tendo superado os resultados de 2007, o melhor ano para o golfe na região antes da crise financeira mundial que mergulhou a economia europeia em recessão. Estes dados demonstram que o golfe é um pilar decisivo na diminuição da sazonalidade. “Os indicadores que temos refletem isso mesmo, ou seja, o Golfe tem ajudado e muito a esbater a sazonalidade e o período de meses em que é mais complicado em termos de taxas de ocupação. É este nível de aceitação e recetividade que pretendemos para outros produtos da região”, refere o nosso entrevistado.

Se foi um grande ano para o Golfe em 2015, para a hotelaria e turismo em geral no Algarve também o foi, sendo, até hoje, o melhor ano do Turismo no Algarve, tudo isto consequência de um crescimento do envolvimento dos parceiros privados com a Região de Turismo do Algarve. Mas é possível superar 2015? Desidério Silva não tem dúvidas. “Claro que sim e tudo indica que será claramente superado. 2016 será o ano do Algarve. Se olharmos para os números do aeroporto, verifica-se que nos três primeiros meses do ano teve taxas de crescimento perto dos 20% e isso são sinais positivos, com o aumento das rotas para novos países. Há vários indicadores que estão a coincidir com aquilo que é o apelo transversal da região, verificando-se uma procura superior ao ano passado. Verifica-se isso nos restantes meses do ano sem ser em julho e agosto”

Sinais positivos

Reino Unido, Alemanha, Holanda, Irlanda e Espanha têm sido os principais emissores de turistas para a região algarvia e vão continuar a ser uma forte aposta, sendo que o mercado francês também tem conhecido um crescimento substancial nos últimos dois anos. Há outros mercados, como o Benelux, e países como a Suíça, Áustria, Bélgica e Polónia, “que também têm contribuído para o nosso crescimento no que concerne à procura da região e isso reflete-se na economia, no mercado de trabalho e, consequentemente, na requalificação por parte dos empresários da região para melhorar a qualidade do Algarve. Esse trabalho tem sido feito”, esclarece o nosso entrevistado, lembrando contudo que existem cenários que são inexplicáveis. “Não podemos ter uma unidade hoteleira de 6 estrelas com acessibilidades completamente degradadas”, salienta, assegurando que, felizmente, as autarquias “têm percebido esta necessidade e qual o caminho a percorrer para continuarmos a colocar o Algarve no patamar da liderança”.

Outro ponto identificativo deste crescimento e revelador que 2016 pode de facto ser o melhor ano de sempre para o Algarve passa pelos números até agora obtidos do aeroporto, em que se verifica, nos três primeiros meses do ano, uma taxa de crescimento a rondar os 20%. “São sinais muito positivos e que estão a coincidir com o que é o apelo transversal da região”.

Na presidência da RTA desde novembro de 2012, Desidério Silva tem sido uma das vozes mais críticas sobre a postura da TAP no Aeroporto Internacional de Faro, assegurando que é necessário um maior envolvimento da companhia aérea portuguesa. “Infelizmente, a TAP representa apenas 3% dos passageiros do Aeroporto de Faro, e isso significa que não tem uma política que se adapta à nossa região e pouco ou nada tem contribuído para o desenvolvimento da região com a sua política de não realizar voos de Faro para as cidades europeias, o que faz toda a diferença na captação de turistas para o Algarve.” ▪

“A região necessita de um «brilho»”

Assegurando que hoje o turista português é tratado de igual forma em relação ao visitante estrangeiro, segundo o Presidente da RTA é necessário continuar a trabalhar em prol do Algarve e não adormecer à sombra dos dividendos até aqui alcançados. “Falta concluir infraestruturas que ainda estão em fase de construção. É necessária uma rede de transportes que faça a ligação entre todos os municípios e os destinos turísticos. As marinas e os portos necessitam de melhorias e requalificações. A região necessita de um «brilho» e de uma melhor funcionalidade das diversas estruturas para que a oferta turística algarvia funcione de uma forma mais complexa. Não são necessárias mais unidades hoteleiras, mas condições que melhore a oferta que já temos”, revela, assegurando que uma das prioridades atuais passa pela formação de recursos humanos no domínio do Turismo.

Há três anos e meio a «dirigir» os destinos da RTA, Desidério Silva é hoje um homem convicto que a região do Algarve tem credibilidade e que é uma instituição respeitada e ouvida e que trabalha em conjunto com os parceiros da região”. Mas qual a maior conquista? “A realidade é evidente. Conseguimos posicionar o Algarve como o principal destino turístico do país e um dos mais importantes do mundo e, em simultâneo, conseguimos criar maior diversidade e visibilidade dos produtos. Estamos a conseguir que a região seja falada não só pelo Golfe, o sol e as praias, mas por outras vertentes e segmentos. Esta é a nossa conquista, temos conseguido crescer bastante sobre «números grandes” e isso é o mais difícil. Não vamos ficar por aqui, porque o Algarve e os algarvios merecem esta dedicação”, conclui o Presidente da Região de Turismo do Algarve.

Desidério Silva em Discurso direto

“Vamos manter o nosso plano de marketing e planos de ação, cujas principais preocupações estão relacionadas com o turismo de natureza, com o património e com o turismo desportivo. Temos uma série de ações que já estão no terreno que nos permite verificar que já há empresas que nasceram vocacionadas para a vertente marítima turística, a cultura e o turismo de natureza. É sinal que as coisas estão a correr bem e no sentido que pretendemos que corram. As empresas estão a dar corpo e a especializar-se na oferta diversificada que o Algarve tem. Queremos aumentar o mercado interno para o resto do país e Espanha, e é um trabalho que já estamos a fazer. Conseguimos alargar as rotas para Madrid e Barcelona por um período de tempo maior, por isso vamos apresentar o destino Algarve nessas duas grandes cidades espanholas. Temos já um programa e uma ação de intervenção para o próximo ano em Madrid focando a oferta que o Algarve tem a nível turístico. Queremos tornar a região num destino de excelência para o ciclismo, pelo que também já temos ações de trabalho nesse sentido em parceria com o Turismo Portugal e a Federação Portuguesa de Ciclismo para promover provas de BTT e o ciclo turismo”.