Sindicato denuncia trabalho ilegal e precário na hotelaria e restauração do Porto

O Sindicato da Hotelaria do Norte denunciou que há trabalhadores "ilegais" e "precários" em hotéis, cafés e restaurantes do Porto, a fazer 12 horas por dia de trabalho não declarado através de empresas de trabalho temporário.

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O Sindicato da Hotelaria do Norte denunciou que há trabalhadores “ilegais” e “precários” em hotéis, cafés e restaurantes do Porto, a fazer 12 horas por dia de trabalho não declarado através de empresas de trabalho temporário.

“Nós já não podemos izer que as jornadas de trabalho de 10 e 12 horas diárias, que o trabalho ilegal e clandestino, o trabalho não declarado, que é só nos cafés e restaurantes e nas pastelarias, mas também em algum setor do alojamento”, disse à Lusa Francisco Figueiredo, da direção do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte (STIHTRSN).

Numa entrevista telefónica à Lusa, à margem de uma conferência de imprensa daquele sindicato fez, Francisco Figueiredo referiu que a precariedade que se está a verificar “põe em causa os direitos dos trabalhadores, mas põe em causa também a qualidade de serviço”, considerando que os hotéis têm de ter um “quadro mínimo de trabalhadores que pertençam ao hotel” em vez de recorrem a empresas de trabalho temporário.

O sindicato promoveu uma ação pública no Porto, junto ao Hotel Ipanema Park, para denunciar publicamente a situação de baixos salários mesmo com a redução do IVA de 23% para 13%, da precariedade e da violação de direitos dos trabalhadores.

Segundo o sindicalista Francisco Figueiredo, os patrões estão a aumentar os proveitos, mas não estão a reduzir os preços aos clientes e estão a fazê-lo “de costas voltadas para os trabalhadores, que são o que lhe dão lucro, que são o que produz e que recebem muito bem os clientes e lhes devem esta situação”.

“Estivemos à porta de um hotel (Ipanema Park) que não dá aumentos salariais há cinco anos, desde 2011, um hotel de cinco estrelas que emprega 100 trabalhadores (…), que levam para casa cerca de 500 euros por mês e nem com a descida do IVA de 23 para 13% os patrões se manifestaram disponíveis para darem aumentos salariais e os preços continuam a aumentar, quer no alojamento, quer na restauração”, conta.

Francisco Figueiredo reitera a ideia de que hoje em dia não é só nos cafés, pastelarias que há precariedade.

“No hotel onde estivemos hoje, (…) o alojamento, os andares, a limpeza, a lavandaria já não têm trabalhadores do hotel. E mesmo os trabalhadores do restaurante, do bar e da cozinho são trabalhadores temporários”.

O Sindicato promete que as ações de luta vão prosseguir até que a “associação patronal”, a Associação Portuguesa de Hotelaria Restauração e Turismo (APHORT), “reconsidere a sua posição e dê aumentos salariais”.

“E vamos dar prioridade aos hotéis que não deram aumentos salariais este ano”, avisa aquele sindicalista.

A taxa de ocupação por quarto da hotelaria nacional aumentou em maio face ao período homólogo de 2015, atingindo os 78,2%, tendo sido mais acentuado nas unidades de cinco estrelas, segundo anunciou hoje a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), os estabelecimentos hoteleiros registaram 1,8 milhões de hóspedes e cinco milhões de dormidas em maio de 2016, correspondendo a aumentos de 5,1% e 7,8%, respetivamente.