A ARQUITETURA DE SOLUÇÕES ABRANGENTES

Opinião Nelson Pereira, CTO da NOESIS Portugal As economias e as sociedades deparam-se regularmente com profundos processos de mudança, o atual ciclo prende-se com a digitalização, a qual está a transformar as empresas e as economias, gerando novos produtos, serviços, modelos de negócio e alterando a forma como nos relacionamos.

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À medida que mais setores vão sentindo o impacto da transformação digital, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de assegurar que a arquitetura das soluções tenha flexibilidade para se adaptar às alterações de contexto, possa recorrer a metodologias de desenvolvimento ágeis e permita o acesso e disponibilização das soluções de uma forma simplificada e rápida, garantindo a sua adequabilidade aos desafios que as organizações enfrentam.

Na verdade, o desenvolvimento de uma arquitetura de última geração que respeite os requisitos enunciados exige, habitualmente, atenção a três níveis distintos. Em primeiro lugar, há que ter em conta o propósito com que esta é desenvolvida, o que implica uma profunda compreensão dos processos dos clientes, garantindo que as suas reais necessidades são endereçadas, e avaliando também a potencial abrangência da solução, se conjugada com novos serviços, produtos ou modelos de negócio. Quando foi iniciado o desenvolvimento do 4Assets (solução de gestão de ativos), e apesar do foco inicial na automatização dos processos operacionais associados aos ativos, nomeadamente logísticos e de Reparação & Manutenção, a arquitetura foi desenhada para poder escalar a solução para outras funcionalidades. Incorporando sensores nos ativos, garantimos comunicação em tempo real e tratamos de forma inteligente a informação, o que permitiu transformar a filosofia como os nossos clientes gerem e controlam os seus ativos.

O segundo ponto que merece especial atenção é a longevidade e escalabilidade da solução sendo que, para tal, é necessário que a solução seja elástica o suficiente para se adaptar aos diferentes contextos que vai enfrentar. Nos dias que correm, utilizadores com perfis não técnicos, dos responsáveis de marketing aos de operações ou aos financeiros, têm cada vez mais preponderância na definição das arquiteturas funcionais. Esta mudança tem implicações profundas nas arquiteturas de solução, as quais devem ser permeáveis à mudança e a acomodar requisitos adicionais quando solicitado. Um outro fator a considerar é que que cada vez mais as arquiteturas têm de ser abertas ao exterior, permitindo a convergência de múltiplas soluções de negócio e que o utilizador possa configurar ou adaptar facilmente a sua experiência de utilização. Para que uma solução respeite estes quesitos, a arquitetura tem que ser obrigatoriamente “change friendly”.

Nesta sequência abordamos o último ponto que consideramos importante no desenvolvimento de uma arquitetura adaptada às exigências deste novo paradigma tecnológico: o papel da informação para os processos das organizações, do Big Data ao manuseamento de informação com recurso a mecanismos preditivos ou inteligentes. O acesso a esta informação implica, por um lado, receber dados de uma multiplicidade de sensores ou dispositivos em diferentes formatos e, por outro, estruturar a informação que já está disponível, mas não está organizada. Para concretizar este cenário, é indispensável que a solução disponha de uma arquitetura favorável à integração de informação em diferentes formatos e a partir de outras plataformas de gestão de dados.

Embora a exigência de racionalidade e otimização dos orçamentos tecnológicos possa gerar uma natural tendência para a padronização de soluções e ofertas, a personalização, abertura e disponibilidade não podem ser comprometidas, sob risco de a própria solução falhar o seu propósito.

No caso da solução 4assets, por exemplo, existia uma variedade significativa de utilizadores de diferentes entidades e geografias, com diferentes objetivos e diferentes competências. Para endereçar os requisitos definidos, a solução foi desenhada enquanto plataforma, onde em primeiro lugar é permitido acoplar pequenas e diferentes aplicações, podendo em seguida funcionar como hub de consolidação, interpretação e disponibilização de informação. Flexibilidade, melhoramento contínuo, desenvolvimento ágil, rapidez e capacidade de processar dados de diferentes fontes são aspetos fundamentais das arquiteturas de soluções do futuro. Na NOESIS, trabalhamos diariamente para concretizar este objetivo para os nossos clientes.