“CONSTRUIR O FUTURO EM CONJUNTO”

“É essencial que haja comprometimento por parte dos países que integram a lusofonia, bem como a criação de políticas que facilitem a circulação de bens e serviços através da redução de encargos tributários e a simplificação na obtenção de vistos entre os países membros”, refere Beatriz Sebastião, Presidente Executiva do Grupo Alcea.

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O Grupo Alcea apresenta-se no mercado como uma empresa Angolana de referência na prestação de serviços com soluções especializadas em diversas áreas de negócios. Estamos a falar de uma empresa que tem apostado no setor petrolífero, recursos humanos e agência de viagens. Que balanço é possível fazer de uma empresa com esta complexidade e dimensão?

O balanço que fazemos até ao momento não é positivo, visto que as condições não estão favoráveis para quem trabalha neste setor e só nestes últimos meses é que conseguimos equilibrar, mas devido aos outros segmentos do grupo.

O Grupo destaca-se por ser o número um no apoio marítimo a plataformas petrolíferas em Angola. Com forte crescimento nos últimos anos, adquiriram experiência e competência que vos tem permitido contornar as dificuldades que o setor petrolífero tem apresentado. Qual tem sido a estratégia? O que representa este setor para a empresa?

Ainda não somos o número um no apoio marítimo às plataformas petrolíferas em Angola. Mas, não descartamos a possibilidade de algum dia alcançar esta posição. O serviço que prestamos no apoio marítimo às plataformas petrolíferas em parceria com a Tandem International Network Limited resulta da estratégia pela aposta no capital humano através de inputs que permitem à nossa equipa adaptar-se facilmente às mudanças que o mercado, ultimamente, vem apresentando.

A empresa encontra-se a reforçar a sua actuação no segmento turístico interno com enfoque para as descobertas das potencialidades nacionais. Segundo Beatriz Sebastião avançou, a aposta no turismo interno começou a ser projetada antes da crise que o setor petrolífero vive neste momento. Que mais-valias acarretam esta aposta para a empresa e para região?

É verdade que continuamos a investir no turismo interno e desde o início sabíamos que o retorno do investimento neste setor não seria imediato, mas é promissor. Por exemplo, dos 100% do rendimento registado no primeiro semestre de 2016, a prestação de serviços nacionais contribuiu com 15%. A maior parte do rendimento é proveniente da prestação de serviço para o turismo externo.

O Grupo Alcea venceu, em 2015, o Prémio Empreendedorismo na Expo Oil and Gas. O galardão outorgado pelo ministro dos Petróleos, Botelho de Vasconcelos, deveu-se a capacidade de liderança, qualidade, empenho, criatividade e contributo à diversificação da economia. Qual é o caminho a seguir pela Alcea? Há algum plano de expansão?

Por agora estamos a identificar as soluções para contornar os desafios que o atual momento económico nos apresenta, assim como elucidar os conceitos e funcionamento da cadeia de aprovisionamento do setor petrolífero.

O conceito de “Lusofonia” pretende estabelecer uma lógica de intervenção para o desenvolvimento do espaço dos países de expressão portuguesa, com os próprios vetores de atuação da CPLP. O que é que nos liga para além da fala?

Para além da fala estamos ligados pela história e pelo modus vivendi. Como diz Yves Leonard a respeito da lusofonia: “uma espécie de família espiritual repousando na recordação de um passado comum, sobre uma parte do esquecido e sobre uma vontade de construir o futuro em conjunto”.

A Lusofonia na atualidade é um termo que obedece ao princípio da globalização e interdisciplinaridade onde se almeja afirmar uma identidade comunitária, para além da questão linguística. O que é essencial para os negócios entre Portugal e os países de língua portuguesa para intensificar e promover a lusofonia?

É essencial que haja comprometimento por parte dos países que integram a lusofonia, bem como a criação de políticas que facilitem a circulação de bens e serviços através da redução de encargos tributários e a simplificação na obtenção de vistos entre os países membros.