As obras, que acabam por ser concretizadas no mandato de Rui Moreira (o único candidato que não fez campanha eleitoral no mercado), provocarão alguns constrangimentos de trânsito, para já limitados e que serão atualizados em www.porto.pt. A Antena 1 (RTP Rádio) foi hoje ao mercado, acompanhar o sentimento dos que assistiram aos, para já, importantes mas discretos trabalhos no subsolo e encontrou otimismo.

O projeto e calendarização, que há dias foi atualizado em reunião de Câmara, foi formalmente apresentado a 22 de abril de 2015, numa sessão no próprio mercado por Rui Moreira.

Então, o presidente da Câmara explicou que o projeto que agora começa a ser executado “é conservador, mantém a traça original do espaço, preserva o mercado de frescos e introduz diversas soluções tecnológicas” para torná-lo mais seguro e confortável.

A intervenção vai privilegiar soluções tecnológicas atuais, o conforto dos comerciantes e visitantes, a segurança humana e alimentar, redes de eletricidade, esgotos, frio e aquecimento modernas. O edifício será dotado de coberturas no piso inferior, acesso direto ao metro e cave técnica com acesso para cargas e descargas. O piso superior, com entrada pela rua Fernandes Tomás, vai manter a parte comercial e instalar restauração, transferindo todo o mercado de frescos para o piso inferior.

“E tudo isto, sem estragarmos o Bolhão. Tudo isto, mantendo a sua traça, a sua função, as suas soluções mais genuínas e a sua alma”, garantiu o presidente da Câmara Municipal do Porto, no discurso da apresentação do projeto.

“Temos que garantir a elevação de pessoas com mobilidade reduzida através de elevadores; temos de assegurar que aqui se podem fazer cargas e descargas com condições de sustentabilidade e conforto para as imediações do mercado. Temos que garantir que, (…), o mercado apresenta condições competitivas para que a indústria da restauração e da hotelaria aqui venha abastecer-se”, explicou o autarca.

Rui Moreira prefere classificar a empreitada simplesmente como “”O Projeto do Mercado Bolhão”, um projeto que tem “uma dimensão de arquitetura, uma dimensão económica, uma dimensão cultural, uma dimensão turística e uma dimensão humana que ultrapassam, até, qualquer entendimento técnico”, sublinhou.

O presidente da autarquia portuense adiantou ainda que o concurso público para a execução da obra será lançado depois do próximo verão, mas não se compromete com datas para a finalização da mesma.

“A obra será feita no menor prazo possível para ficar bem feita, a tempo dos seus atuais vendedores regressarem e voltarem a encher este lugar com a sua fruta, as suas flores e sua alegria”, garante.

Rui Moreira assegura ainda que não serão indispensáveis verbas privadas para a concretização do projeto, pois a autarquia, graças à folga orçamental que apresenta.

“Embora isso não me assustasse como hipótese de recurso, posso ainda garantir que este projeto não precisará de dinheiros privados para ser executado. A Câmara do Porto, graças a um caminho de sustentabilidade que encetou há anos e que no último ano e meio soubemos honrar, tem uma situação financeira que lhe permite encarar este desafio sem sobressaltos e sem depender de ninguém”, frisou. O autarca admite, contudo, a candidatura a fundos comunitários, dada a importância patrimonial e histórica do edifício para a cidade, avançando ainda a intenção de arranjar mecenas para apoiar a animação do espaço.

Recorde-se, que o mercado do Bolhão está, desde 2005, suportado por andaimes devido a um alegado risco de ruína que só não levou ao seu encerramento porque os comerciantes o impediram.

Teve um primeiro projeto de requalificação em 1998 e foi objeto de muitas promessas eleitorais, mas nunca nada saiu do papel pelas mais diversas razões.