O corpo de Rikki Neave foi encontrado num bosque, num dia de inverno. Estava nu e havia sinais de que fora estrangulado. A sua roupa foi depois encontrada dentro de um bidão. Rikki, um miúdo de seis anos, tinha sido visto na véspera, às nove da manhã, a sair de casa, no bairro de Welland, não muito longe da autoestrada e dos campos que rodeiam Peterborough, uma cidade 120 quilómetros a norte de Londres. Isso foi em 1994.

James Watson também é de Welland. Na altura da descoberta do cadáver de Rikki tinha 13 anos. Hoje tem 35 anos. Em abril de 2016, 22 anos depois, a polícia foi bater-lhe à porta para o levar à esquadra. Foi interrogado e informado que passou a ser o principal suspeito do homicídio da criança. Apesar de não o terem mantido preso, porque ainda não está acusado formalmente, fixaram-lhe um termo de identidade e residência e proibiram-no de se ausentar do país. Mas em junho, Watson saiu. Escondeu-se dentro da autocaravana de um amigo e veio por aí abaixo: de Dover, na costa inglesa, pelo eurotúnel até Calais, em França, e daí para Espanha, até chegar a Portugal. Na cabeça dele, fazia sentido. Só precisava de se apresentar outra vez para ser interrogado no dia 20 de setembro, o que dava mais do que tempo para ir e vir.