Anti-aborto, católico e com seis filhos, entre os 14 e os 29 anos, o juiz que o Ministério da Educação não considera isento para decidir da questão dos colégios começou a sua carreira judicial do lado do Ministério Público. Nascido há 54 anos em Coimbra, no seio de uma família também apegada à religião, Tiago Lopes Miranda deixou de ser procurador em 2008, para se tornar juiz de direito administrativo.

Um opúsculo dedicado à sua família e editado pelo Movimento Rotário no ano seguinte conta que casou com uma professora de educação moral e religiosa católica, “tendo o matrimónio sido abençoado com seis filhos”. “Foi a fé que acabou por nos unir”, disse a docente numa entrevista a um jornal regional.

O liceu fê-lo naquele que havia mais recentemente de se tornar numa das maiores escolas particulares com contratos de associação do país e o núcleo duro da revolta contra o Ministério da Educação: o Colégio Apostólico da Imaculada Conceição da Companhia de Jesus, em Cernache.

Em 1998 e 2007, Tiago Miranda empenhou-se a fundo na luta contra a despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Foi mandatário nacional do grupo de cidadãos “Aborto a pedido? Não!”, criado por causa dos referendos sobre esta questão, tendo chegado a criticar figuras da hierarquia católica por não serem tão firmes quanto desejava na condenação desta prática.

Andou — como escreveu num artigo da sua autoria — “da missa do padre A para a missa do padre B, desta para o santuário do monsenhor C, e daqui para o centro comercial e para o estádio de futebol, de caneta e abaixo-assinado na mão, tudo para numa total precariedade de meios” recolher assinaturas contra a legalização do aborto. Dois anos depois, foi um dos que defenderam a realização de um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, para tentarem impedir a mudança da lei.

Membro da direcção da Associação de Defesa e Apoio da Vida de Coimbra, que apoia grávidas e pais em dificuldades, o juiz faz ainda parte de um grupo coral onde cantam vários familiares seus, pertencendo também a um movimento monárquico sediado em Coimbra. No ano passado, o nome de Tiago Miranda veio à baila depois de ter mandado a Segurança Social reintegrar provisoriamente uma funcionária colocada no contingente de requalificação.