Venezuela e Colômbia vão criar bilhete de identidade fronteiriço

O anúncio foi feito em Caracas pela ministra venezuelana de Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, à saída de um encontro de mais de cinco horas com a sua homóloga colombiana, Maria Ângela Holguín.

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Venezuela e Colômbia chegaram esta sexta-feira a um acordo para criar um “bilhete de identidade fronteiriço” para cidadãos de ambos países, dentro de um conjunto de medidas que visam a reabertura da fronteira comum, encerrada há um ano.

O anúncio foi feito em Caracas pela ministra venezuelana de Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, à saída de um encontro de mais de cinco horas com a sua homóloga colombiana, Maria Ângela Holguín.

As duas ministras haviam já emitido um comunicado conjunto em que anunciaram ter acordado ações com vista à abertura “paulatina” da fronteira comum, de 2.219 quilómetros.

A reunião não resultou numa decisão definitiva para a reabertura, mas apenas no acordo para uma “avaliação detalhada e minuciosa” dos tratados e protocolos entre as duas partes. A decisão de normalizar a questão caberá aos chefes de Estado, não havendo ainda data anunciada para uma reunião.

“A Colômbia fez uma proposta que foi aprovada, que é a criação de um bilhete de identidade fronteiriço para os cidadãos venezuelanos e colombianos da fronteira, que conterá informação fundamental das atividades que desenvolvem”, detalhou Delcy Rodríguez no final do encontro.

Segundo a ministra venezuelana, o documento permitirá mais rigor nos controlos de segurança, no quadro da luta contra o contrabando de gasolina, o narcotráfico e a criminalidade organizada.

Por outro lado, Maria Ângela Holguín sublinhou que este cartão de identificação “será muito útil” e contribuirá para a “abertura segura da fronteira”.

Segundo a ministra colombiana, as autoridades de ambos os países trabalham “para fazer a abertura paulatina da fronteira”, que deverá ocorrer assim que Nicolás Maduro e Juan Manuel Santos se reunirem, em data a anunciar em breve.

Em julho, mais de 100 mil venezuelanos cruzaram a fronteira com a Colômbia para comprarem produtos básicos e medicamentos escassos na Venezuela, durante dois domingos em que houve uma abertura fronteiriça temporária a peões, segundo as autoridades colombianas.

A 19 de agosto de 2015, Maduro ordenou o encerramento da ponte Simón Bolívar, principal passagem entre a cidade colombiana de Cúcuta e as localidades venezuelanas de San António e Ureña.

Cinco dias depois, as autoridades venezuelanas decretaram o estado de emergência em seis municípios fronteiriços com a Colômbia, justificando a medida com o combate a grupos paramilitares, ao narcotráfico e ao contrabando.

O estado de emergência foi depois estendido a 20 municípios, abrangendo os estados venezuelanos de Táchira, Zúlia e parte de Apure.

Desde o encerramento da fronteira, mais de 1.355 colombianos foram repatriados e mais de 19 mil abandonaram a Venezuela voluntariamente, segundo fontes não oficiais.