“A ALSUD OFERECE cursos únicos”

Quando chega o momento de escolhermos um percurso profissional é importante identificar a área, possuir experiência real na mesma e ter noção da sua rede de emprego. Para sabermos sobre os caminhos profissionais, a Revista Pontos de Vista conversou com Isabel Campos, Diretora da Escola Profissional ALSUD, uma instituição que oferece cursos únicos, o que atrai alunos de todo o país.

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Com um novo ano letivo à porta, que novidades apresenta a ALSUD?
Em 2016/17 investiremos em estágios internacionais para alunos e ex alunos (financiamento ERASMUS). É o ano da implementação do EQAVET (sistema de garantia da qualidade de ensino profissional europeu) e o ano da revisão do Projeto Educativo de Escola, feita pelo Conselho Consultivo da ALSUD com os parceiros locais, empregadores, representantes dos alunos e do staff. Vamos avaliar o percurso de 25 anos de ensino profissional em Mértola e traçar o rumo estratégico para os próximos cinco anos, uma espécie de ALSUD 2020.

Os cursos profissionais da ALSUD estão relacionados diretamente com o património e com o seu desenvolvimento. Qual é a razão?
Mértola é Capital Nacional da Caça, é uma Vila Museu e é a sede do Parque Natural do Vale do Guadiana. Os pontos fortes deste território são o seu património natural e cultural e a sua conservação sustentada tendo em vista a sua valorização económica. A Escola oferece cursos únicos que tiram partido das forças deste território, o que atrai alunos de todo o país. Estes encontram em Mértola um ambiente formativo facilitador, e podem trabalhar junto das melhores instituições a nível nacional, graças à articulação entre a escola e os empregadores.

Na sua opinião o ensino profissional ainda sofre algum tipo de estigma comparativamente com o ensino recorrente? Que papel assume a ALSUD na tentativa de contrariar esta questão?
Apesar dos numerosos estudos que demonstram o sucesso do ensino profissional na empregabilidade e na construção de cidadãos válidos, existe uma desvalorização deste tipo de ensino, fruto de uma mentalidade academicista que valoriza em excesso o “Dr”, o que não faz qualquer sentido, pois todas as áreas de trabalho têm conhecimentos específicos, necessários e com valor intrínseco.
A ALSUD tenta contrariar esta ideia, por um lado, propiciando ao aluno oportunidades formativas que melhor o preparem para ser um cidadão consciente e integrado (integração socioprofissional). Por outro, apoia o aluno na construção do seu percurso individual, encaminhando-o para o emprego ou o ensino superior.
Adicionalmente, o sistema EQAVET, reconhecido a nível europeu, ao avaliar e certificar a qualidade da formação, pode ajudar a mudar o olhar sobre este tipo de ensino.

Contrariamente a muitos países da Europa, em Portugal ainda não se aplica, de forma geral, o ensino profissional no secundário. Por que razão isto ainda acontece?
Muitos fatores explicam este atraso. Destaco a ausência de uma política de orientação vocacional nas escolas, digna desse nome, em particular entre os 10 e 15 anos. É uma idade importante para construir ideias esclarecidas sobre as realidades do trabalho e das profissões.

Não será errado o ensino profissional estar desligado do ensino superior? Não faria sentido os cursos profissionais de áreas técnicas estarem ligados aos Institutos Politécnicos?
Os atuais Cursos Técnicos Superiores Profissionais são cursos superiores especificamente desenhados para alunos dos cursos profissionais que querem estudar mais numa determinada área de conhecimento. A ALSUD tem um protocolo de encaminhamento com o Instituto Politécnico de Beja que vai justamente nesse sentido da articulação entre os dois níveis de ensino.

Nos dias de hoje o que considera mais importante a ter em conta na hora de escolher um caminho profissional? Que acompanhamento faz a escola junto dos seus alunos?
Na hora de escolher um caminho profissional é importante identificar-se com uma determinada área profissional, ter experiência real na área e ter noção da sua rede de emprego. Deve ser-se responsável e persistente nos objetivos. Resiliência é fundamental para qualquer área. Ter consciência das suas capacidades (limitações e pontos fortes) e não achar que se está sozinho. Uma escolha não é um caminho sem retorno.
A Escola faz comparações entre as expectativas à chegada e à saída da Escola, para aferir as mudanças e acompanha os alunos neste caminho dando uma formação técnica e geral com estímulos diversificados. Faz acompanhamento social durante a formação, nestas idades de grandes transformações. Organiza programas de empreendedorismo desde o 2º ano para ajudar a definir um projeto de vida individual. Por último, tem um Observatório de Emprego para recolher dados sobre a empregabilidade dos ex alunos, o seu percurso profissional e a adequabilidade entre a formação e o mundo do trabalho.

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