SERÁ QUE SOMOS INTELIGENTES NA INTELIGÊNCIA QUE DAMOS AO NOSSO NEGÓCIO?

O Business Intelligence não é um fim em si, mas um meio para alcançar algo, que introduz obrigatoriamente alterações processuais, sendo por isso crítica uma eficaz gestão da mudança.

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O Business Intelligence (BI) tem um papel crítico na forma como hoje as organizações usam a informação para conseguirem responder aos seus desafios de negócio, mas é também, em muitos casos, uma verdadeira fonte de frustração. Frustração porque, apesar dos fortes investimentos realizados neste tipo de soluções, muitas vezes o resultado fica muito aquém do esperado.

Mas o que é afinal o BI, porque é crítico e porque é ainda uma fonte de frustração para muitas organizações?

A palavra Inteligência está associada a lógica, compreensão, conhecimento, comunicação, controlo, resolução de problemas e planeamento. Podemos então inferir que informação inteligente é aquela que é lógica e de fácil compreensão? Que é a corretamente comunicada? A que permite controlar e resolver problemas? A que gera conhecimento? Aqui afirmo que sim, e defino BI como a capacidade de uma organização em gerar e fornecer informação inteligente a quem dela necessita para tomar decisões críticas e estratégicas.

Mas questiono se é esta a informação que temos realmente nas nossas organizações? Será a informação comunicada de forma visualmente eficaz, permitindo saber rapidamente o que se passa, ou somos distraídos por “imagens bonitas”? Conseguimos simular cenários, ser alertados quando algo não corre como o esperado ou até medir objetivos? Conseguimos saber o que o cliente espera do nosso produto? Prevenir situações de fraude?

Se a sua resposta é sim para a maioria destas questões, então Parabéns! No entanto, ao longo dos meus 20 Anos de experiência nesta área tenho vindo a assistir de forma continua a erros estratégicos no que concerne à implementação de soluções de BI, quer na capacidade de gerar informação de valor (não deveremos esquecer que valorizamos apenas o que utilizamos), mas também no que concerne à escolha das ferramentas que a suportam. É sobre este segundo ponto central que me pretendo debruçar, questionando se será que não sabemos o que precisamos, ou será que é o Mercado que nos está a “impor” o seu ritmo?  Para garantir que a sua escolha é conduzida pelas necessidades da sua organização, e se torne em um investimento estratégico, apresento sete passos que considero fundamentais para o seu processo de decisão:

  1. Enumere as questões de negócio que quer resolver;
  2. Identifique o perfil dos utilizadores que irão utilizar a informação. Lembre-se que todos são importantes para o dia-a-dia da sua organização e não caia na tentação de “one size fits all”;
  3. Identifique os desafios do ponto de vista de dados, tais como o volume de informação e velocidade no acesso aos dados. Tendo em conta a velocidade com que o mercado muda e a informação cresce, escolha soluções que têm facilidade em lidar com grandes volumes de informação e altamente escaláveis;
  4. Dê mais autonomia aos decisores para realizarem as suas próprias análises e chegarem às suas próprias conclusões;
  5. Esqueça os “bonitos”, o seu foco deverá ser a forma. Qual deve ser a melhor forma de representar a informação quantitativa de forma a agilizar o processo de tomada de decisão?;
  6. Avalie soluções que funcionem como plataforma integrada, pois endereçarem o governo de dados e terá a garantia de custos significativamente inferiores com os processos de manutenção;
  7. Realize uma scripted demo com os principais fornecedores tecnológicos, e avalie quantitativamente a forma como respondem aos seus requisitos funcionais e técnicos.

Por outro lado, devemos sempre ter muito presente o objetivo final a alcançar com uma solução de BI, porque só desta forma conseguimos garantir que a escolha irá permitir à organização ganhar vantagem competitiva. O BI não é um fim em si, mas um meio para alcançar algo, e introduz obrigatoriamente alterações processuais, sendo por isso crítica uma eficaz gestão da mudança. Deixo uma última nota para reflexão: selecione uma solução que não limite o pensamento e conhecimento que cada colaborador tem sobre o seu negócio e acredite que se lhes der esta liberdade, bem como a possibilidade de partilhar as suas descobertas com a restante organização, irá atingir resultados que até então pareciam inalcançáveis. ▪

Boas escolhas e boas férias!

OPINIÃO Paula de Oliveira, Managing Partner da Passio Consulting