48% dos americanos não querem condução autónoma

Um inquérito para avaliar a receptividade dos condutores norte-americanos aos automóveis autónomos, permite concluir que, quase metade, não é fã do sistema. Mesmo entre os clientes das marcas de luxo.

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A MaritzCX levou a cabo, entre Maio e Agosto, um inquérito que envolveu 12 353 proprietários de automóveis e tinha por principal finalidade perceber qual a receptividade dos automobilistas norte-americanos aos veículos dotados de tecnologia de condução autónoma. Os resultados variaram bastante em função do tipo e da marca do automóvel que os participantes conduzem, sendo que, globalmente, 48% dos inquiridos afirmaram não ter interesse em adquirir um veículo com tais características, mesmo que 94% tenha afirmado estar a par desta tecnologia, e da sua iminente chegada ao mercado.

Foram os proprietários de modelos da Mercedes e da Infiniti os que, neste estudo, revelaram maior disponibilidade para ceder os comandos do seu automóvel a um robot, mas ainda assim longe da maioria. Cerca de 27% dos clientes da marca da estrela e da divisão de luxo da Nissan revelaram estar “muito interessados” em adquirir um modelo com condução autónoma logo que estes estejam disponíveis, por oposição aos que conduzem veículos da Jeep ou pick-ups da Ram (a marca do Grupo FCA especialista neste tipo de proposta), que foram os que menor interesse revelaram nesta solução.

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Já há mais de 70 anos que se calculava que os automóveis iriam deixar de necessitar de condutor

Convencer os consumidores a aceitar os automóveis que se “auto-conduzem” poderá, assim, ser um dos principais desafios para as marcas de automóveis e para as empresas tecnológicas que estão a investir milhões nesta tecnologia. É que, mais uma vez segundo o inquérito, até entre os proprietários de Mercedes e Infiniti, são mais os que a rejeitam do que aqueles que a aceitam, indicadores que confirmam as conclusões obtidas noutros inquéritos recentes, levados a cabo com o mesmo objectivo, e que mostram que a maioria dos condutores ainda não está preparada, ou pura e simplesmente não vê interesse, nos automóveis que se conduzem sozinhos.

Por outro lado, a possibilidade das falhas de sistemas e dos automóveis autónomos ficarem desorientados no meio do tráfego mais intenso, foram as principais preocupações manifestadas pelos inquiridos relativamente à condução autónoma. Mas entre os seus receios encontram-se ainda a segurança dos veículos relativamente aos hackers, ou a sua capacidade para circular em segurança também entre peões e ciclistas.

Para a MaritzCX, a maior receptividade aos automóveis com condução autónoma manifestada pelos proprietários de modelos da Mercedes e da Infiniti deve-se à sua crença de que a segurança será bastante maior neste tipo de veículo, assim como ao facto da a respectiva comunicação já apostar bastante neste factor, e de os seus actuais modelos já incluírem algumas soluções de condução semi-autónoma. Contudo, nem todos os detentores de automóveis de luxo estão preparados para abdicar do controlo dos seus veículos a curto prazo, se é que alguma vez o estarão. Entre os que afirmaram não estar interessados nesta tecnologia, os proprietários de modelos da Porsche surgem em terceiro lugar, com 57%, logo seguidos dos da BMW, com 56%.