Escolas ignoram regras de 2012 e continuam a vender alimentos possivelmente prejudiciais à saúde

Muitas escolas optam por continuar a vender produtos “pouco saudáveis” nas máquinas de venda automática e nos bares escolares. As queixas continuam a chegar à Direção-Geral de Educação.

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Em 2012 a Direção-Geral da Educação (DGE) publicou um documento com recomendações para uma alimentação mais saudável nas escolas. No entanto, existem ainda instituições de ensino em que são disponibilizadas bebidas açucaradas e alimentos “pouco saudáveis”, segundo o Diário de Notícias.

Para além de vendas nos bares escolares e da comida servida nas cantinas, existem também máquinas de venda automática que dispensam alimentos menos saudáveis e que ainda se encontram em funcionamento nas escolas.

Alimentos proibidos:
Salgados, Pastelaria, Charcutaria, Molhos, Refrigerantes, Gelados de água, Doces com teor de açúcar superior a 50%, Guloseimas, Snacks,Fast-food, Chocolates em embalagens superiores a 50g, Bolachas e biscoitos com cobertura e/ou recheadas.

Alimentos a limitar:
Bolachas/Biscoitos com menor teor de lípidos e açúcares (Maria, água e sal, etc.), Barras de cereais, Bolos à fatia, Bolos com ou sem creme, Manteiga, Cremes para barrar, Marmelada e compotas com teores de fruta de pelo menos 50%, Néctares de fruta com um valor de fruta entre os 25% e os 50% e chocolates, Gelados de leite ou de fruta.

Alimentos a promover:
Laticínios, Fruta, Hortícolas, Pão (sandes enriquecidas com hortícolas), Água, Sumos de fruta naturais, Sumos 100% sem açúcares ou edulcorantes adicionados, Bebidas que contenham pelo menos 70% de sumo de fruta e/ou hortícolas, Tisanas e infusões.

Um estudo efetuado pela Faculdade de Ciências de Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto em 2015 mostrou que 80% das escolas que foram alvo do estudo ainda ofereciam produtos que não deviam ser oferecidos. O estudo revela ainda que apenas metade das escolas tem fruta entre a oferta que disponibiliza aos alunos e funcionários.

O DN adianta ainda que alguns pais continuam a enviar queixas à Direção-Geral da Saúde sobre a venda destes produtos em escolas, quatro anos depois de terem sido divulgadas as indicações para que estes sejam retirados das instituições de ensino.

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas, Filinto Lima, afirmou ao DN que a venda de “alimentos e bebidas que não devem ser comercializados” é “cada vez menos usual”.

Relativamente às máquinas de vendas automáticas, Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes Escolares, explicou que as máquinas de vendas são “uma fonte de rendimento para as escolas” e que por essa mesma razão algumas instituições optam por mantê-las.

Filinto Lima lembra ainda que muitos alunos em escolas onde a oferta já não existe podem comprar “os referidos produtos” a poucos metros da escola, sendo necessário “sensibilizar os alunos e famílias” para o que as crianças podem ou não comer.