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Uso da pílula diminuiu mortalidade por cancro dos ovários

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Uso da pílula diminuiu mortalidade por cancro dos ovários

A mortalidade por cancro dos ovários desceu significativamente no mundo ocidental entre 2002 e 2012 e deverá continuar a cair, segundo um estudo publicado esta terça-feira na revista Annals of Oncology.

“A razão principal desta tendência favorável é o uso de contracetivos orais”, escrevem os autores deste estudo.

As mortes diminuíram 16% nos EUA, 10% nos 28 países da União Europeia excluindo o Chipre, para o qual não há dados, e 8% no Canadá.

No Japão, onde a taxa de cancro nos ovários é mais baixa do que em muitos outros países, a taxa de mortalidade caiu 2%, acrescenta o estudo.

Na Austrália e na Nova Zelândia, as mortes diminuíram 12% entre 2002 e 2011 – o ano mais recente para o qual há dados.

“Estes são os países onde os contracetivos orais – que têm um efeito protetor de longo prazo no risco de cancro dos ovários – foram introduzidos mais cedo e usados mais frequentemente.”, garante o estudo.

O mesmo estudo indica que a redução das taxas de mortalidade associada ao cancro dos ovários é mais visível nas mulheres jovens e de meia-idade do que nas mulheres mais velhas e é mais significativa nos EUA, Reino Unido e Europa do Norte.

Uma redução no uso de terapias de substituição hormonal para mitigar os sintomas da menopausa, assim como uma melhoria do diagnóstico e do tratamento do cancro, também poderão ter contribuído.

Pensa-se que as terapias de substituição hormonal, que usam estrogénio e progesterona para aliviar sintomas como afrontamentos, secura vaginal e baixo desejo sexual, aumentam o risco de cancro dos ovários em até 40%, segundo um estudo de 2015.

Já a pílula, pelo contrário, é comummente aceite que protege contra esta doença, considerada um “assassino silencioso” porque frequentemente só é detectada demasiado tarde.

O estudo agora apresentado, que não tem números sobre África, revela que a tendência de queda das mortes por cancro dos ovários é inconsistente entre países.

Entre os países europeus, a quebra varia entre 0,6% na Hungria e mais de 28% na Estónia, havendo mesmo um aumento na Bulgária.

Na América Latina, o número de mortes diminuiu na Argentina, no Chile e no Uruguai, mas aumentou no Brasil, na Colômbia, em Cuba, no México e na Venezuela.

Com base em dados da Organização Mundial de Saúde, os cientistas estimam que as mortes por cancro dos ovários caiam mais 15% nos EUA até 2020, e até 10% na UE e no Japão.