Já não será necessário pedir por favor para entrar na icónica torre onde Guimarães anuncia “Aqui Nasceu Portugal”. O edifício é privado, mas será expropriado pela autarquia, para dar lugar a um projecto de valorização da estrutura de defesa medieval, que tornará possível visitar o seu interior e subir ao topo através de um elevador. O projecto, apresentado esta segunda-feira, será candidatado a fundos comunitários, mas avançará com ou sem dinheiro europeu, garante a câmara.

A entrada para a Torre da Alfândega é hoje em dia feito através do histórico café Milenário, no largo do Toural, mas não está acessível a toda a gente. Quem consegue ter autorização para lá entrar percebe que dentro de torre ainda se encontram as construções de um bar que ali funcionou até aos anos 1980, por exemplo. O plano da Câmara de Guimarães para aquele local aponta para a demolição de tudo aquilo que foi sendo acrescentado, deixando apenas à vista as pedras da estrutura de defesa medieval.

Para o acesso à torre será criada uma caixa de escadas em ferro, que introduz um percurso ao longo dos pisos, permitindo a interpretação da construção. No seu interior será ainda colocado um elevador envidraçado que permitirá esta leitura, bem como o acesso ao topo da Torre da Alfândega. A partir dali há uma vista privilegiada sobre a cidade que passará a poder ser partilhada pelos visitantes. O acesso ao público será feito a partir da rua do Anjo, que também vai ser requalificada, juntamente com o edifício contíguo à torre medieval, que está actualmente em ruínas.

O projecto da Câmara de Guimarães já tem parecer favorável da Direção Geral do Património Cultural, que também autorizou a autarquia a avançar com uma ideia que se apresenta como complementar à visitação da Torre da Alfândega: a criação de um passadiço no tramo da muralha da cidade, ao longo da Avenida Alberto Sampaio. As duas iniciativas vão ser candidatos a financiamento através do Portugal 2020, mas o vereador do turismo da Câmara de Guimarães, José Bastos, garante que a intervenção na Torre da Alfândega avança “com ou sem fundos comunitários”.

Em Março, veio a público a informação de que a torre tinha sido transacionada entre privados, em 2014, por 190 mil euros. Na altura, a autarquia não exerceu o direito de preferência que tem sobre qualquer edifício situado na zona histórica que seja vendido. Agora, vai avançar para a expropriação do prédio que confronta com a muralha. “Já foi dado início ao processo, que agora pode ser amigável ou litigioso, mas avançará”, explica ao PÚBLICO José Bastos. A data para o início da obra também está dependente da finalização da expropriação, mas a intenção da autarquia é avançar para a concretização do projecto “a curto prazo”.