Um quilómetro infernal. Campeão olímpico empurra irmão até à meta

O vencedor do campeonato do mundo de triatlo foi o espanhol Mario Mola, mas os irmãos Brownlee roubaram as atenções.

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Era a última prova do mundial de triatlo e a altura de dar tudo por tudo. Foi isso que fez o britânico Jonny Brownlee, que a um quilómetro da meta ia em primeiro, com 50 metros de avanço, e com pontos suficientes para ser campeão. Mas as forças faltaram-lhe já com o fim à vista e só com a ajuda do irmão chegou ao fim.

Brownlee acabou por cruzar a meta em segundo, nos braços do irmão mais velho, Alistair, que o empurrou até à meta num final dramático, em Cozumel (México).

Brownlee, de 26 anos, procurava o segundo título de campeão do mundo, mas talvez nem chegasse ao fim sem a ajuda de Alistair, bicampeão olímpico. Visivelmente exausto e desorientado, Jonny já estava a parar, sendo mesmo ultrapassado pelo sul-africano Henri Schoeman, quando o irmão o agarrou e o arrastou ao longo dos últimos metros.

Terminaram de braço dado, a 18 segundos do primeiro, Schoeman, que concluiu os três segmentos (natação, ciclismo e corrida) em 1:46.50 horas. Jonny acabou por ver o título fugir para o espanhol Mario Mola, que terminou a prova em quinto, mas ficou à frente na classificação geral, com escassos quatro pontos de vantagem sobre o britânico.

“Foi uma reação humana natural ao meu irmão, mas teria feito o mesmo por qualquer pessoa. Acho que é o mais perto da morte que se pode estar no desporto”, disse mais tarde Alistair Brownlee.

A federação espanhola ainda pediu a desqualificação de Jonny por aceitar ajuda do irmão, o que deixaria outro espanhol, Fernando Alarza, no segundo lugar, mas a queixa não foi aceite.

O português João Pereira, 13.º classificado, foi o melhor dos quatro representantes lusos na prova mexicana, terminando no 12.º lugar do Mundial. João Silva, no 25.º lugar, foi o segundo melhor português em Cozumel, onde Miguel Arraiolos e Pedro Palma desistiram.

Com Lusa