CASTELO DE CHAVES UMA VIAGEM À ÉPOCA MEDIEVAL

A propósito do Dia Nacional dos Castelos a Revista Pontos de Vista conversou com António Cabeleira, Presidente da Câmara Municipal de Chaves. Conheça o Castelo medieval de Chaves assim como que apostas turísticas estão em desenvolvimento na aconchegante e simpática cidade de Chaves.

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A 7 de outubro comemora-se o Dia Nacional dos Castelos. Na cidade de Chaves existe um castelo medieval. Que história pode ser contada sobre o mesmo?

Na cidade de Chaves existe um castelo medieval e três em todo o concelho. Os outros dois ficam localizados em Santo Estêvão e em Monforte de Rio Livre. O castelo medieval de Chaves conserva atualmente a Torre de Menagem, possivelmente construída no século XIII, e restos das muralhas que circundavam a antiga cidadela. Em 1938 foi declarado Monumento Nacional, tal como os Fortes de São Francisco e São Neutel. Desde 1978 à atualidade, está aí instalado um Museu Militar, que dá a conhecer a história militar portuguesa.

 

Quando assumiu o cargo da Presidência, qual era o panorama do turismo no concelho? Era uma área em desenvolvimento?

Quando assumi o cargo de Presidente da Câmara, o turismo já era uma aposta no concelho. O executivo anterior, no qual eu já exercia o cargo de Vice-presidente desde 2002, valorizou sempre o turismo como uma aposta estratégica. Hoje, continua a ser uma mais-valia para Chaves. Desde então, a abertura de diversos equipamentos e requalificação de outros tem potenciado o turismo. Entre eles, destaque para o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, recentemente inaugurado, projeto do conceituado arquiteto Álvaro Siza Vieira; o novo Balneário Pedagógico de Vidago; a requalificação das Termas de Chaves; e o futuro Museu das Termas Romanas resultante da descoberta de um achado singular.

A localização estratégica do concelho, devido às acessibilidades a nível nacional e da Península Ibérica de que dispõe, bem como as potencialidades emergentes do termalismo, são também importantes pilares de desenvolvimento.

 

O dia 7 de outubro foi assinalado de alguma forma no município?

Sim, o Dia Nacional dos Castelos foi assinalado em Chaves. Durante todo o dia, as visitas à Torre de Menagem foram gratuitas. Este ano, o Teatro Experimental Flaviense e a Academia de Artes de Chaves associaram-se à comemoração da efeméride, promovendo, da parte da tarde, uma peça de teatro alusiva aos Castelos e à noite um Ensemble de Metais da Academia de Artes. Foi, podemos dizer, uma viagem ao período medieval através da música, recriando os ambientes sonoros típicos do imaginário feudal, terras de castelos e cavaleiros.

Chaves é uma cidade historicamente rica o que para o turismo é um impulso bastante positivo. Mas que lugares e monumentos podem ser destacados?

Sim. De facto, a cidade de Chaves detém um vasto património arqueológico e monumental que testemunha as suas origens romanas constituindo-se assim um local com imensa atratividade e um destino turístico muito importante.

Podem ser destacados vários pontos de passagem obrigatória: os Fortes de São Francisco e de São Neutel; a Ponte Romana de Trajano, Monumento Nacional; o Paço dos Duques de Bragança, onde está instalado o Museu da Região Flaviense, inserido num complexo monumental dos mais emblemáticos que compõem o centro histórico. Este desenvolve-se em redor do Castelo, do qual resta a Torre de Menagem, e das suas Muralhas. As estreitas ruas e ruelas, tipicamente medievais, cujas características varandas se impõem como imagem de marca também.

Os flavienses, de forma geral, conhecem a história da cidade? Há iniciativas em curso que levem as pessoas a quererem saber mais sobre a mesma?

Sim, os flavienses conhecem e interessam-se bastante pela história da cidade. A comprovar tal facto tem sido a elevada adesão nas iniciativas promovidas em Chaves que envolvam, por exemplo, recreações históricas, como é o caso da nossa “Festa dos Povos em Aquae Flaviae”, que se realiza anualmente em agosto e atrai milhares de visitantes.

Outra iniciativa, por exemplo, é a nossa “Rota BTT Fortalezas da Raia”, no âmbito do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Eurocidade Chaves-Verín. É uma rota que leva os visitantes por Chaves e Verín, mostrando-lhes as suas antigas estruturas defensivas. Desde a Idade Média e, em particular, depois da Guerra da Restauração, que a meados do século XVII separou as coroas de Portugal e Espanha, foram erguidos castelos e fortalezas para proteger posições perante o inimigo: Castelo de Monterrei, vestígios da muralha de Verín, Fortes de São Neutel e São Francisco, Torre de Menagem e Castelo de Santo Estêvão e Monforte de Rio Livre; todos eles são de paragem obrigatória.

Entre castelos e fortalezas, o visitante poderá atravessar lugares que contam a outra face da Raia: a passagem dos emigrantes, a mistura de sotaques, o velho contrabando e as aldeias promíscuas, como Lamadarcos, localizada antigamente sobre a fronteira e dividida por dois reinos.