TERAPÊUTICAS EFICAZES E INOVADORAS

Tiago Amieiro, Diretor-Geral da Amgen Biofarmacêutica, e Fátima Bragança, Diretora de Assuntos Corporativos & Economia da Saúde da Amgen Biofarmacêutica, falam-nos sobre o percurso da farmacêutica que lançou os primeiros medicamentos revolucionários da biotecnologia.

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AMGENA Amgen iniciou atividade a sua Portugal em 1993, com a aspiração de vir a conquistar o primeiro lugar no setor farmacêutico nacional. Como perpetua o percurso da farmacêutica no nosso país?

O primeiro lugar entre as companhias dedicadas à comercialização de “medicamentos obtidos por biotecnologia”, no entanto, e bastante mais importante é o impacto e a diferença que a Amgen e os seus medicamentos fazem na vida de milhares de portugueses. A razão da existência da Amgen reside num único intuito, garantir o acesso a todos os doentes que possam beneficiar do uso dos nossos medicamentos. É esta a missão que prosseguimos diariamente e para a qual trabalhamos com empenho e grande convicção. Acreditamos que temos a obrigação de ultrapassar todas as barreiras necessárias para que a inovação que desenvolvemos chegue a quem mais dela necessita, os doentes. Em Portugal concretizamos a visão e missão da Amgen através de uma equipa eclética e multidisciplinar, desde o departamento médico, às áreas de acesso ao mercado, marketing e comercial, sem esquecer as restantes áreas que suportam o nosso trabalho diário. O percurso da Amgen em Portugal conta com um histórico de 23 anos a tratar os doentes portugueses e a cuidar da comunidade que nos rodeia. Gosto de pensar nestes anos como os primeiros 23 anos da Amgen em Portugal. Quando olhamos para o nosso pipeline, juntamente com os medicamentos que estão em avaliação no Infarmed, tenho a forte convicção de que, nos próximos 23 anos, a Amgen será ainda mais impactante na vida dos doentes e ocupará, certamente, um espaço importante no mercado e na sociedade portuguesa.

No nosso país, a farmacêutica atua, essencialmente, nas áreas de oncologia e insuficiência renal crónica. Qual tem sido, objetivamente, o contributo da Amgen em cada uma destas áreas?

São apenas duas das áreas onde atuamos, das quais temos um enorme orgulho do caminho que percorremos e dos resultados em saúde que ajudámos a conquistar. Temos a consciência de que os tratamentos hoje existentes, tanto para a oncologia como para a insuficiência renal crónica, não seriam tão efetivos sem os nossos medicamentos. O processo de crescimento e desenvolvimento da Amgen passará pela investigação e investimento em outras áreas terapêuticas, como é o caso da área cardiovascular e área inflamatória. Somos uma Companhia de inovação que trabalha diariamente para aumentar as respostas terapêuticas a necessidades médicas não satisfeitas.

Pensar que a inovação existente é já suficiente, é ignorar que existem atualmente lacunas terapêuticas que necessitam de ser respondidas, que nos permitam continuar a melhorar os indicadores de saúde, nomeadamente as taxas de mortalidade e morbilidade, para alcançar níveis elevados de resultados em saúde. Por essas mesmas razões, a Amgen investe continuamente em investigação e desenvolvimento de novas moléculas. Este investimento representa o ciclo de vida de uma verdadeira empresa de inovação, que tem por missão tratar e curar doentes. A sustentabilidade dos ciclos de inovação de Companhias como a Amgen dependem da sua própria estabilidade económica e capacidade financeira para investir em investigação e desenvolvimento (I&D) de novos medicamentos. Os doentes necessitam de respostas terapêuticas eficazes e os profissionais de saúde necessitam de ter acesso a novas tecnologias de saúde para enfrentarem novos desafios de saúde, nomeadamente no domínio da Saúde Pública onde, por exemplo, a falta de investimento em I&D compromete atualmente os indicadores de saúde no que diz respeito ao controlo de infeções e resistências a antibióticos. Também na esfera dos medicamentos órfãos, para o tratamento de doenças raras, é necessário garantir que a Indústria farmacêutica tem capacidade de investimento para a I&D de novos medicamentos. Também aqui, na abordagem e resposta a estas questões, deverá a sociedade num futuro próximo ter uma palavra a dizer.

 

A inovação em Biotecnologia aos serviço dos doentes

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FÁTIMA BRAGANÇA, Diretora de Assuntos Corporativos & Economia da Saúde da Amgen Biofarmacêutica

As novas tecnologias e a biotecnologia estão em ascensão e a revolucionar o mundo da ciência. Em que patamar se encontra o nosso país no que diz respeito à inovação farmacêutica?

Portugal está a tentar acompanhar a investigação & desenvolvimento de novos medicamentos de biotecnologia, num ambiente extremamente competitivo, quer em termos europeus quer em relação ao resto do mundo. Temos óptimos profissionais de saúde e/ou investigadores, em investigação básica e clínica, e ótimos centros, reconhecidos internacionalmente. O que se faz em Portugal faz-se com os padrões de excelência em que é feito nos países em que as normas de qualidade são mais rígidas. Todavia temos ainda bastantes constrangimentos ao nível burocrático e legal, de processos e procedimentos, que nos impedem de competir mais eficientemente com os outros e de atrair mais investimento nestas áreas, nomeadamente quando a exigência para seleção de países se relaciona com rapidez de análise, de aprovação procedimental e contratual e de implementação de estudos clínicos, pré-clínicos ou observacionais. Existe aqui uma oportunidade de melhoria, na qual estamos empenhados em colaborar ativamente, para bem dos nossos doentes e profissionais, do desenvolvimento científico do nosso país e para a sustentabilidade financeira do nosso Sistema Nacional de Saúde. Podemos falar agora de acesso à inovação terapêutica, ou seja, de efetivamente o fruto de todo o investimento no desenvolvimento de novos fármacos ficar disponível para o tratamento dos doentes. Sobre este tópico, existem os mesmos e outros constrangimentos. Continuamos a ser um país em que os tempos de aprovação de financiamento são dos mais longos e mais afastados da legislação em vigor. Os processos de avaliação são complexos e ainda com espaço de melhoria de eficiência e simplificação. A aposta num modelo de avaliação conjunta de base europeia poderia ser uma das soluções, mas há que repensar o próprio modelo de avaliação em si mesmo, a par das discussões supranacionais. A inovação farmacêutica é cada vez mais radical e requer inovação de avaliação, quer em técnicas, quer em metodologias, quer em procedimentos.

Em Portugal, estamos a assistir a um momento de renovação de avaliação pelo INFARMED, que desejamos que seja um marco crucial para uma mudança estruturalmente e profundamente positiva para todos os agentes da saúde, mas principalmente para os doentes.


A Amgen é líder mundial na produção biotecnológica com amplas capacidades para apoiar o desenvolvimento clínico e a produção comercial de novos potenciais produtos, em múltiplas áreas terapêuticas. Que desafios se impõem, a médio prazo, à farmacêutica?

Como já referi anteriormente, manter os nossos doentes com acesso à inovação terapêutica que pode fazer a diferença na sua sobrevivência, morbilidade e qualidade de vida, é e será sempre o mote da Amgen em Portugal e no mundo. Por outro lado, estamos conscientes dos desafios económicos e financeiros com que se debate o nosso país e o nosso SNS, em particular. Por isso, a Amgen quer ser um parceiro na procura de soluções. A par da inovação radical que desenvolvemos, pretendemos comercializar em Portugal nos próximos anos vários medicamentos biossimilares, os quais vão contribuir certamente para reduzir os custos em algumas áreas terapêuticas e assim libertar alguns fundos adicionais para o investimento/financiamento em inovação. Assim se promove o ciclo do medicamento de forma equilibrada e sustentada no tempo, com o estímulo correto à inovação e ao investimento nacional e internacional.

A Amgen está na vanguarda da investigação e desenvolvimento de produtos. Qual tem sido a prioridade e a linha orientadora da Amgen?

Uma grande aposta em inovação radical através de biotecnologia (e recentemente através da imuno-oncologia) em áreas de verdadeira necessidade terapêutica, “auscultando” criteriosamente as necessidades em saúde das populações. Apostar em nova tecnologia e medir os resultados vai continuar a ser o nosso ADN. Estamos convictos que trazemos aos doentes valor terapêutico acrescentado através de medicamentos inovadores, e que aquele tem que ser medido de forma consciente, criteriosa, sistemática e precisa na forma de resultados específicos em saúde. Estamos certos que a sociedade como um todo, e todos os agentes da saúde, em particular, esperam por isso, para poderem participar na decisão em saúde de forma informada com base em medição de resultados. A capacitação dos doentes e da sociedade em geral é uma área de potencial desenvolvimento neste sentido.

Termino apenas desejando que Portugal continue a manter o espírito dos nossos grandes descobridores, mantendo a palavra “descobrimentos” como sinónimo de “inovação e desenvolvimento” dos dias atuais, em que o SNS possa ser um marco desse triunfo.