A proibição do véu islâmico que cubra o rosto foi aprovada na câmara baixa do Parlamento holandês por 132 dos 150 deputados que a compõem. A legislação, que terá ainda de passar no Senado, proíbe burqas e niqabs em alguns lugares públicos onde é crucial identificar as pessoas, como edifícios do governo, transportes públicos, escolas e hospitais.

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem validou em Julho de 2014 a proibição do uso do véu islâmico integral adoptada por França em 2010, considerando que não violava a liberdade de religião.

No entanto, há vários anos que este tema tem estado no topo da agenda política. O primeiro governo do actual primeiro-ministro Mark Rutte (2010-2012) já tinha proposto uma lei que proibia o véu integral em todos os espaços públicos. Só não foi avante porque este Executivo, apoiado pelo Partido da Liberdade (PVV), de Geert Wilders, caiu.

Mas a hipótese de proibir o uso do véu islâmico, pelo menos em alguns locais, nunca saiu do topo da agenda política, muito por acção de Wilders. Mark Rutte está de novo no Governo, e o PVV –segundo uma sondagem divulgada segunda-feira– vai à frente nas intenções de voto para as eleições legislativas de Março de 2017.

O partido de Wilders é um dos membros da nova constelação transnacional de extrema-direita e anti-imigração e anti-islão, de que fazem parte a Frente Nacional de Marine Le Pen ou a Liga Norte italiana. Wilders é admirador do sucesso de Donald Trump nos Estados Unidos – e o PVV ganharia 33 dos 150 deputados que compõem a câmara baixa do Parlamento, se as eleições se realizassem agora, segundo a sondagem semanal do Instituto Maurice de Hond. Actualmente, tem apenas 12 lugares.