Portugal vai proibir doces nas máquinas de venda automática do Serviço Nacional de Saúde

Governo abre "guerra" ao açúcar. Também as máquinas de venda de bebidas quentes terão de reduzir a quantidade de açúcar que pode ser adicionado.

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Esta é uma das medidas anunciadas pelo Governo que também vai taxar as bebidas açucaradas e diminuir a quantidade de açúcar por pacote na cafetaria e na restauração.

Os pacotes de açúcar passam a ter menos quantidade já este mês. A partir de março, ficam proibidas em todas as instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) máquinas de dispensa de alimentos com elevados teores de açúcar, sal e gordura trans, processadas a nível industrial. Também as máquinas de venda de bebidas quentes terão de reduzir a quantidade de açúcar que pode ser adicionado (até um máximo de cinco gramas).

De acordo com a versão do Orçamento de Estado, o imposto sobre as bebidas açucaradas vai ter dois escalões. Para bebidas com teor de açúcar até 80 gramas por litro vai ser de 8,22 cêntimos por litro sendo que as que tenham mais do que estes 80 gramas vão ser sujeitas a uma taxa de 16,46 cêntimos.

Um exemplo: numa lata de Coca-Cola de 33 cl, que tem 35 gramas de açúcar, o imposto vai encarecer o refrigerante em 16,46 cêntimos por litro, cerca de 5,5 cêntimos por lata.

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas aplaude a taxação sobre as bebidas açucaradas, que entra em vigor em fevereiro, mas ressalva que só faz sentido “se o valor for usado na componente de educação alimentar”. “A legislação diz que reverte para o SNS. Acredito que seja para medidas preventivas relacionadas”, acrescenta.

Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde, destaca uma ação tomada anteriormente para baixar o consumo de açúcares: as orientações dadas às escolas para a oferta alimentar nas cantinas. “Para percebermos o efeitos destas iniciativas, será publicado em março o Inquérito Nacional da Alimentação, que também irá avaliar a quantidade de açúcar que os portugueses ingerem”, adianta. Quando saírem os resultados, será possível perceber se é nas crianças ou nos adultos que há um maior consumo, quais as diferenças entre o norte e o sul.

Tal como o sal, sublinha Pedro Graça, “o açúcar é uma das grandes fontes de preocupação a nível europeu”, uma vez que “é um produto muito barato”, e, na maior parte das vezes, “invisível”, já que a sua maior ingestão ocorre em produtos que não são açúcares, mas onde está presente. Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, diz que “é importante que a indústria alimentar reduza a quantidade de açúcar nos seus produtos”. Como os consumidores estão habituados aos alimentos com um determinado sabor e perfil, se uma empresa reduzir o açúcar dos seus alimentos, isoladamente, pode perder clientes para a concorrência.