Design de Iluminação é o termo universalmente utilizado para o que também poderíamos designar por arquitectura da luz.

Mais do que um mero “embelezamento”, o trabalho do designer de iluminação é responder às necessidades das pessoas, criando ambientes simultaneamente confortáveis, biologicamente bem adaptados, funcionais e apelativos.

A luz tem a capacidade de alterar profundamente a percepção que temos do espaço. Assim o demonstram as duas fotos em baixo, que à primeira vista nos podem parecer de locais distintos mas que são do mesmo espaço e tiradas de forma semelhante. O que muda é a nossa compreensão sobre o espaço – à esquerda parece mais pequeno e baixo do que à direita, e a ambiência é distinta.

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Moradia na Comporta – design de iluminação por Visual Stimuli, arquitectura / interiores por Conceitos de Arte
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Moradia na Comporta – design de iluminação por Visual Stimuli, arquitectura / interiores por Conceitos de Arte

Esta capacidade da luz alterar a ambiência e a forma como compreendemos o espaço torna a iluminação uma ferramenta determinante na reabilitação, uma vez que a arquitectura está fortemente condicionada pela edificação pré-existente.

Estas duas fotos mostram ainda como a iluminação adapta o nosso espaço a diferentes momentos: À esquerda um ambiente tranquilo mas de média intensidade, propício para o inicio da noite; À direita um ambiente de baixíssima intensidade, onde a luz do pequeno pátio/jardim exterior nos cria um cenário interior tão dramatizado quanto funcional – com um interruptor à cabeceira da cama, é luz apenas suficiente para nos levantarmos de madrugada sem incomodar ninguém e voltarmos facilmente a dormir sem termos despertado excessivamente devido a luz intensa.

O objectivo da iluminação é portanto variável conforme a circunstância e o tipo de espaço. É por isso que em casa o maior enfoque está geralmente no conforto e ambiência, mas por exemplo numa loja já será tornar os produtos mais apelativos ao consumidor, ou em património será ajudar a decifrar o significado da arquitectura e história do local.

Contrariamente ao que acontece em países como França, Inglaterra ou Suécia, em Portugal o design de iluminação ainda é uma disciplina praticamente desconhecida.

Para definir a iluminação recorre-se frequentemente a fornecedores de equipamento que “oferecem” os projectos para ganharem a oportunidade de especificar apenas os equipamentos que comercializam… E quase sempre são usados argumentos como a uniformidade de luz e a intensidade para sobrecarregar o projecto com uma tal quantidade de equipamento que o projecto “oferecido” logo fica pago e repago…

Pelo contrário, qualquer bom designer de iluminação sabe que não é uma grande quantidade de luz ou uniformidade que permite uma boa compreensão do espaço, acuidade visual ou conforto. A nossa visão resulta totalmente do contraste e do estímulo. A chave é a luz certa no sítio certo! Não menos e não mais.

É por isso que um pequeno investimento num projecto de design de iluminação, não só garante maior qualidade do resultado final, como fica imediatamente mais económico do que desperdiçar dinheiro em equipamento excessivo, com todos os encargos que tal opção tem também para o futuro…

Pensar correctamente a luz permite com menos fazer melhor, tanto em nossa casa como em todos os outros locais que vivenciamos, até à escala da cidade.