A Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra  (ESTeSC) está há 36 anos ao serviço do ensino de excelência em saúde. Quais têm sido os valores orientadores do percurso da escola?

A ESTeSC sempre foi referência no panorama do ensino na designada área das tecnologias da saúde em Portugal. Apesar de ser uma instituição jovem, a ESTeSC, pautou sempre o seu percurso com base na qualidade do seus recursos humanos e do seu projeto de ensino, respeitando o legado histórico, pondo ao serviço dos seus alunos programas de excelência, dos quais nos orgulhamos. A ESTeSC foi sempre a alavanca de desenvolvimento deste ensino em Portugal e foi um pilar de referência nos vários momentos históricos que marcaram a evolução e desenvolvimento deste ensino. Destaco a integração no Ensino Superior em 1992 e a consolidação do modelo formativo, com as licenciaturas de quatro anos (240 ECTS), contrariando assim uma vontade instalada de reduzir a duração das nossas formações, pela aplicação dos princípios emanados do processo de Bolonha.

Oferecemos assim licenciaturas de 240 ECTS, dos quais, no mínimo, 60 são adquiridos em contexto real de trabalho (prática clínica/estágio profissional), onde contamos com a colaboração dos profissionais do exercício, cuja experiência e conhecimento é crucial para a formação dos nossos alunos   As Escolas não podem ter a pretensão de formar profissionais já feitos. O que nós formamos são indivíduos dotados com um conjunto de aptidões, competências e conhecimentos, em cada uma das áreas profissionais, necessárias para o início do desenvolvimento profissional, que lhes permita aprender, desenvolver o conhecimento e abraçar os desafios societais que vão encontrar. As escolas têm que dotar o indivíduo para um mercado de trabalho cada vez mais exigente e global, devendo ainda proporcionar formação avançada (pós-graduações, Mestrados e Doutoramentos) para o reforço das competências da formação de base. A ESTeSC está sempre um passo à frente daquilo que é a realidade atual. As nossas áreas evoluem de forma exponencial e por isso temos de estar sempre em ciclo com o processo evolutivo, incorporando nos curriculos as mudanças necessárias e inovando na relação pedagógica.

No ano letivo 2014/2015 a escola inicia a formação de três licenciaturas inovadoras em Portugal, resultantes de um processo de fusão de formações. De que forma aconteceu?

Um dos objetivos do processo de Bolonha era mudar o paradigma do ensino superior a nível europeu, tornando-o mais atrativo com competências de base mais alargada e por isso mais abrangentes. Portugal adotou o processo Bolonha sem nunca repensar o modelo de ensino nem as próprias formações. Desde 2004 que foram produzidos vários documentos que apontavam para a necessidade de se refletir sobre a formação na área das tecnologias da saúde.

Em 2012 a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) publicou um relatório onde se apresentavam modelos alternativos de formação, criando novas licenciaturas, fundindo áreas que partilhavam o mesmo corpo de conhecimentos, nomeadamente as Ciências Biomédicas Laboratoriais (Análises Clínicas e Saúde Pública e Anatomia Patológica); Imagem Médica e Radioterapia (Medicina Nuclear, Radiologia e Radioterapia) e Fisiologia Clínica (Cardiopneumologia e Neurofisiologia).

A ESTeSC analisou a sua oferta formativa e agarrou o desafio lançado pela A3ES e apostou de forma clara nestas novas licenciaturas, mais abrangentes, que permite aos alunos, após o término da licenciatura, exercer em mais do que uma profissão. Este processo de reforma na ESTeSC foi um verdadeiro sucesso, que resultou de um trabalho intenso entre colegas do meio acadêmico e clínico, que desenharam melhores padrões de acordo com o melhor que se faz a nível mundial, tendo havido uma enorme recetividade do mercado nacional e internacional aos novos licenciados. O programa Erasmus tem levado jovens de toda a Europa a realizar períodos de estudos ou estágios noutros países.

O que podem encontrar os alunos ao abrigo do programa Erasmus nesta escola?

Recebemos alunos ao abrigo do programa ERASMUS desde 1995 e tem sido uma mais-valia para a escola esta troca de vivências, culturas e experiências pedagógicas. E é com orgulho que podemos constatar que, a nível de ensino e formação, os alunos portugueses na área da saúde estão muito bem preparados, do melhor que se faz a nível mundial. É por todos reconhecida a qualidade do modelo de ensino português.

Recebemos cerca de 30 a 40 alunos internacionais por ano letivo. Todos os anos fazemos uma análise e um reajustamento, pois queremos proporcionar as melhores condições e a melhor experiência aos nossos alunos do programa ERASMUS neste seu percurso. A maioria dos estudantes que recebemos estão integrados em equipas multidisciplinares supervisionados quer pelos nossos docentes, quer pelos nossos próprios alunos.

Temos cerca de 70 alunos da ESTeSC em mobilidade internacional por ano sendo que no ano passado atingimos os cem alunos. É um número muito importante do qual nos orgulhamos, porque trabalhamos para o percurso dos alunos enquanto estudantes, mas sobretudo para o seu percurso após a sua licenciatura.

O Erasmus + não é só para alunos. Os professores também podem efetuar períodos de docência em Instituições de Ensino Superior de outros países europeus. Esta é uma prática comum na ESTeSC?

A ESTeSC foi a primeira escola das tecnologias da saúde a sair de Portugal quando em 1995 fez a sua primeira mobilidade internacional ao abrigo do programa ERASMUS. Só conseguimos ser melhores e diferentes quando nos comparamos com os melhores. E o programa ERASMUS permitiu-nos isso mesmo. Melhorar e superar-nos continuamente. Foi através deste projeto que aprendemos com os melhores de como é que se deve fazer, que erros não devemos cometer e quais as melhores práticas. Temos tido uma evolução notável no que diz respeito ao nosso gabinete de relações internacionais. Consolidado em 2009, apresenta valores extraordinários no que concerne ao número de alunos em mobilidade internacional. Inicialmente, a nossa aposta era a mobilidade de alunos em estudos, no entanto, na mudança do ERASMUS para o programa ERASMUS +, a nossa aposta tem sido na sua experiência profissional através de estágios internacionais. Uma mais-valia que se reflete na taxa de empregabilidade dos alunos da ESTeSC, devido às competências que são adquiridas através do estágio feito através da mobilidade internacional. Pelo menos 30% dos alunos que estão matriculados no quarto ano têm uma experiência no espaço europeu, através do programa ERASMUS, no Brasil e na CPLP, um mercado onde estamos a apostar, consubstanciado no facto de termos sido parceiros na criação da RACS – Rede Académica das Ciências da Saúde da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Aproveitamos, igualmente, o programa ERASMUS + para a mobilidade de professores e funcionários para que possam vivenciar práticas e realidades diferentes. Temos cerca de 60 acórdãos bilaterais em vigor e cerca de oito professores por ano letivo em mobilidade internacional. Não queremos quantidade, queremos qualidade, pelo que os nossos protocolos são extremamente direcionados. Não queremos acórdãos apenas pelo número.

Podemos colocar barreiras onde quisermos menos no conhecimento e essa é a importância estratégica do programa ERASMUS.