ERASMUS “UMA EXPERIÊNCIA BENÉFICA PARA TODA A COMUNIDADE ACADÉMICA”

“A experiência Erasmus na ENIDH acaba por ser uma oportunidade única para desenvolver competências muito valorizadas no mercado laboral que, sem dúvida marcarão uma grande diferença no futuro destes jovens”, responde-nos Olga Delgado, Responsável pelas Relações Internacionais da Escola Superior Náutica Infante D. Henrique, quando questionada sobre a importância do programa ERASMUS.

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A Escola Superior Náutica Infante D. Henrique (ENIDH) é a única instituição pública de ensino superior em Portugal com a missão de formar quadros para os transportes marítimos e portos. Como descreveria o percurso da ENIDH?

A ENIDH foi fundada em 1924 com o objetivo de formar oficiais civis para a marinha mercante. Funcionou até 1974 na dependência da Marinha Portuguesa, transitando a partir desse ano para a esfera civil. Desde a sua criação até aos nossos dias, a Escola tem vindo a cumprir cabalmente a sua missão de formar quadros superiores qualificados para o setor marítimo-portuário, sendo reconhecida internacionalmente como uma escola de referência na área do ensino superior náutico. Atualmente a ENIDH possui cerca de 750 alunos e oferece um conjunto alargado de licenciaturas, mestrados e cursos técnicos superiores profissionais em diversas áreas de relevo para o setor dos transportes marítimos e portos.

A par das licenciaturas e dos mestrados, a ENIDH disponibiliza os Cursos Técnicos Superiores Profissionais (TeSP). Que vantagens oferecem estes cursos? A sua procura tem aumentado?

A ENIDH iniciou dois cursos TeSP no ano letivo anterior que preencheram totalmente o número de vagas (50). Este ano, a Escola abriu mais um TeSP na área de redes e sistemas informáticos, pelo que atualmente o número global de alunos de cursos TeSP já ultrapassa os cem alunos. Trata-se de uma aposta ganha da Escola, embora subsistam algumas dúvidas quanto ao financiamento destes cursos por parte do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Considerado o “país do mar”, mas sem marinha mercante, o futuro dos alunos da escola náutica passa pelo estrangeiro. Qual é a taxa de empregabilidade e o que significa estes valores para a ENIDH?

Na realidade, a marinha mercante nacional de primeiro registo, ou seja, a que emprega exclusivamente marítimos portugueses está reduzida a cerca de oito navios, o que é manifestamente pouco para um país de vocação marítima como o nosso. No entanto, o segundo registo ou registo da Madeira (MAR), já tem mais de 400 navios registados, o que constitui uma boa opção para os jovens diplomados dos cursos marítimos pela ENIDH. Temos vindo a celebrar protocolos de colaboração com armadores internacionais de modo a viabilizar o embarque dos nossos jovens diplomados (praticantes) em navios do registo MAR. Até ao momento, já conseguimos embarcar um número razoável de diplomados em navios deste registo.

O programa Erasmus é uma das iniciativas mais populares da construção europeia e que tem levado jovens de toda a Europa a realizar períodos de estudos noutros países. O que podem encontrar os alunos ao abrigo do programa Erasmus na ENIDH?

Para começar estes alunos vão contar com todo o apoio da equipa Erasmus da ENIDH, que cada dia se esforça por tornar a experiência Erasmus mais fácil e proveitosa para os seus participantes. Com a ajuda da Carla Alvim, Manuela Batista e Dulce Mendes, uma equipa de profissionais muito competentes, motivadas e orientadas para a excelência, com uma admirável preocupação com todos os detalhes e uma gentileza exemplar, o aluno ao abrigo do programa Erasmus na ENIDH vai sentir-se como se estivesse na sua casa.

O programa Erasmus na ENIDH tem vindo a expandir os horizontes dos nossos alunos e a facilitar os seus estágios profissionais. Eu própria já fui estudante Erasmus há 20 anos atrás, e posso dizer que se trata de uma experiência que ajuda a evoluir como pessoa de uma forma impressionante, e que portanto acaba por mudar a vida num sentido muito positivo. A possibilidade de conviver com pessoas de outras culturas, e de descobrir novos pontos de vista e perspetivas muito diferentes das nossas, ajuda a ter a mente muito mais aberta, a questionar a nossa realidade, e a querer melhorá-la, através de uma mentalidade mais crítica. Esta imersão multicultural ajuda sem dúvida a desenvolver a criatividade, a ter uma atitude mais inovadora, mais competitiva e mais orientada ao exterior. O facto de estar fora do nosso país também ajuda a melhorar alguns aspetos como a adaptabilidade e a resolução de problemas, a desenvolver a nossa autonomia e responsabilidade, ao mesmo tempo que a colaboração e a cooperação ganham uma nova dimensão, contribuindo para o desenvolvimento de competências de trabalho em equipa, comunicação efetiva e liderança. Resumindo, a experiência Erasmus na ENIDH acaba por ser uma oportunidade única para desenvolver competências muito valorizadas no mercado laboral que sem dúvida, marcarão uma grande diferença no futuro destes jovens.

No caso da ENIDH, este desenvolvimento de competências vê-se acentuado pela vocação internacional dos seus cursos, e pela sua missão consistente em proporcionar uma sólida formação cultural, científica e técnica, desenvolver a capacidade de inovação e análise crítica e ministrar conhecimentos científicos de índole teórica e prática, dirigidos ao desempenho das atividades específicas do setor Marítimo-Portuário, garantindo a elevada empregabilidade dos seus diplomados, característica pela qual a ENIDH sempre se destacou.

Que experiências extracurriculares a escola oferece a estes estudantes de forma a facilitar a sua integração?

A formação da ENIDH é dirigida ao setor Marítimo-Portuário. O facto de ser o transporte marítimo o exponente máximo da globalização, faz com que tenhamos muitos estudantes estrangeiros, inclusivamente sem fazer parte do programa Erasmus. O bom ambiente que se respira entre alunos, professores e pessoal não docente, assim como as instalações da ENIDH, desenhadas para promover o estudo e facilitar o lazer e o desporto, permitindo um bom equilíbrio entre o exercício mental, a socialização, o descanso e o exercício físico, facilitam a boa integração de todos os estudantes, tanto nacionais como internacionais.

Dentro das experiências extracurriculares na ENIDH, destacaria as atividades de prática de vela, da Nautituna (a Tuna da Escola) e as várias atividades desportivas (running, campeonatos de várias modalidades, etc…) em que participam equipas formadas por alunos, pessoal docente e não docente, assim como diversas atividades culturais.

A nossa Associação de Alunos tem um papel muito importante nesta integração, e estamos a trabalhar na implementação de um Sistema de Apadrinhamento entre colegas para facilitar a integração inicial dos alunos estrangeiros e envolver os alunos mais veteranos na experiência Erasmus desde o próprio país. Desta forma potenciamos a capacidade de mentoring, sendo, portanto, uma experiência benéfica para toda a comunidade académica, e que contribui decisivamente para ampliar o futuro networking internacional de todos os que fazem parte desta pequena grande família que é a ENIDH.