É professora, investigadora, artista plástica e diretora da Escola Superior de Design do IPCA. Como descreveria o seu percurso?
Efetivamente sou formada em Belas Artes, formação de base e pós-graduada. Iniciei o meu percurso como professora do ensino superior de forma natural, terminei a licenciatura e candidatei-me a um lugar de assistente na FBAUP; nessa mesma altura candidatei-me a doutoramento e concluí-o em tempo útil. O que me assegurou a possibilidade de carreira como professora no ensino superior numa instituição onde podia crescer, o IPCA. A par de ser artista sempre me interessou a partilha que a profissão de professor possibilita. Rapidamente cheguei à conclusão que ser professor é continuar a aprender sempre, desde que se esteja disponível para tal. A direção da escola surgiu como consequência da criação da Escola Superior de Design do IPCA e da confiança depositada em mim para o exercício do cargo, o que muito me honrou e honra.

Na ESD existem as Licenciaturas de Design Gráfico e de Design Industrial, os cursos de Mestrado em Ilustração e Animação, Mestrado em Design e Desenvolvimento do Produto e mais recentemente o Mestrado em Design Digital. Existem ainda os Cursos Técnicos Superiores Profissionais em Design do Calçado; Design de Moda; Design para os Media Digitais e Ilustração e Arte Gráfica. Quais são as grandes vantagens da vossa oferta formativa?

A nossa oferta formativa nasceu como resposta às necessidades da região. Essa parece-me a principal vantagem da ESD e dos seus cursos enquanto estratégia IPCA de ligação ao meio empresarial e industrial do norte.

Através do Design, enquanto escola, potenciamos e cultivamos relações de parceria com o tecido industrial e criativo da região, através da inovação e competências específicas da área. Formamos profissionais de elevada qualidade, Designers nas diferentes áreas, Ilustradores e Animadores, preparados para o mercado regional, nacional e global, com resultados excelentes. Os melhores embaixadores do Design IPCA são os nossos estudantes que, com a sua tenacidade e capacidade de trabalho, vêm contribuído para demonstrar que somos uma mais-valia enquanto instituição de ensino superior na região. Tenho a convicção que os nossos profissionais são agentes transformadores, isto além de uma vantagem, no cumprimento da nossa missão, é também um orgulho.

Enquanto diretora da Escola Superior de Design, que características aponta como mais-valias de uma liderança no feminino no ensino?

Compreendo a questão, mas preocupa-me que em 2017 ainda a façamos. De facto, os rácios de mulheres dirigentes em Portugal, não são exemplares, há um caminho grande a percorrer, mas não julgo que as mulheres sejam assim tão diferentes dos homens nas lideranças. Acredito sim que as mulheres ainda não tiveram as oportunidades suficientes. Agora, claro está, que, apesar de não apreciar generalizações, podemos, eventualmente, falar de uma maior ou melhor capacidade de ouvir e estabelecer pontes ou consensos. Mas não gosto de reduzir a questão à testosterona e à competição que esta implica, pois parece-me que a inteligência emocional e as soft skills também se adquirem pela educação e treino.

A que se deverá o facto de haver mais mulheres que homens no ensino superior?

Na minha opinião, deve-se essencialmente ao facto das raparigas atingirem a maturidade muito mais cedo que os rapazes, logo, os programas do ensino de base parecem mais adequados para o sucesso das raparigas. Não quer dizer que elas são melhores que eles, quer dizer que crescem de forma diferente. No entanto, apesar dos alarmes lançados nos últimos anos, em 2016 apenas tínhamos mais 24.165 de raparigas num universo de 356.399 estudantes matriculados nas IES.

No mundo atual como se explica o facto de os homens serem em maior número nos cargos dirigentes?

Porque aqui ainda há muito a fazer. É necessário construir políticas estruturais que possibilitem a igualdade no acesso aos cargos para homens e mulheres, e não estou a falar de cotas, apesar de entender que em determinadas situações são necessárias como contributo para a mudança de paradigma. Portugal, apesar de toda a evolução dos últimos anos continua a ter uma sociedade conservadora que exerce uma pressão imensa sobre as mulheres. Sobre o que é expectável uma mulher ser. Efetivamente a igualdade de género só estará conquistada quando não necessitarmos de falar nela. Há, portanto, um caminho a fazer, mas é responsabilidade de todos nós, todos os dias, fazer por mudar. E o que me parece relevante é que esta mudança não começa na escola, mas em casa, na educação que damos aos nossos filhos, nomeadamente na organização dos dias e respetivas tarefas assim como formas de estar e agir.