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No entanto a peritagem não se esgota nestes profissionais, uma vez que para uma correta regularização de um sinistro as seguradoras têm muitas vezes que recorrer a outro tipo de serviços, de forma a apurar as verdadeiras circunstâncias do mesmo, surgindo assim os peritos averiguadores.

De facto, são inúmeras as situações em que o papel de um perito averiguador assume especial importância na regularização dos sinistros, munindo as seguradoras dos elementos indispensáveis a uma tomada de decisão justa e em conformidade com a verdade dos factos que o originaram.

Desde a audição dos intervenientes e testemunhas, à análise ao local do sinistro, passando pelo contacto com as autoridades e demais organismos que possam ter informações relevantes para o processo, até à opinião relativamente à compatibilidade dos danos bem como o enquadramento do sinistro em termos de responsabilidade, o papel do perito averiguador assume um papel extremamente relevante na decisão final a ser tomada pelas seguradoras.

Aliás, a importância do perito averiguador tem assumido cada vez mais um papel determinante na regularização dos sinistros, porquanto os protocolos IDS e CIDS, ao criarem óbvios benefícios na perspetiva do cliente, tornando o processo de regularização mais simples e rápido, também tornaram a informação disponibilizada pelos intervenientes mais escassa, gerando assim uma maior necessidade de recolha de elementos adicionais, num curto espaço de tempo, obrigando assim as seguradoras a recorrerem aos serviços de averiguação para poderem tomar uma decisão fundamentada dentro do pouco tempo disponível.

Além disso, mesmo perante participações de sinistros aparentemente completas, muitas vezes surgem situações fraudulentas, sendo cada vez maior o grau de sofisticação de quem as pratica, obrigando por isso a um trabalho de investigação cada vez mais robusto por parte dos peritos averiguadores.

É pois, na minha perspetiva, fundamental que a profissão do perito regulador, em particular o perito averiguador, seja cada vez mais reconhecida, não só pela atividade seguradora, mas também pela comunidade em geral, uma vez que toda ela está sujeita a ter que lidar no seu dia-a-dia com processos de regularização, sendo muito importante que o contacto com os peritos averiguadores não seja visto com desconfiança mas como uma parte fundamental do processo de regularização, cujo objetivo final é garantir apenas e tão só a sua conformidade e rápida resolução.

Neste contexto, penso que assume uma importância fulcral no futuro desta profissão o caráter independente do perito averiguador, ancorado em bases sólidas de rigor, transparência, experiência e idoneidade, pois quanto mais fortes forem estas bases e quanto mais evidente for esse caráter de independência, mais recetivos estarão os intervenientes em colaborar com a investigação, bem como mais credível será o testemunho dos peritos averiguadores para a formulação do juízo pelos tribunais competentes em caso de diferendos.

E se na MCBAP temos a preocupação de garantir que todos os peritos averiguadores preenchem os requisitos de idoneidade, independência, rigor, transparência, experiência e disponibilidade, fundamentais para o exercício desta profissão, temos consciência que por se tratar de um mercado ainda pouco regulado nesta matéria, muitas vezes poderão surgir situações menos credibilizadoras desta profissão, afetando inevitavelmente a sua imagem pública.

É pois mais que tempo que a acreditação dos peritos averiguadores, efetuada por uma entidade independente, com o reconhecimento de todo o mercado segurador, deixe de sair do plano de intenções e se concretize o mais rapidamente possível, para que este setor de atividade possa continuar a progredir no sentido de uma maior credibilidade, maior competência, mas também maior responsabilização, gerando um valor acrescentado cada vez mais seguro para o setor segurador e consequentemente para a comunidade como um todo.

O envolvimento ativo da APS (Associação Portuguesa de Seguradores) nesta matéria, procurando numa primeira fase efetuar um cadastro da situação atual, parece-me um bom primeiro passo no sentido de se concretizar o objetivo atrás elencado, não podendo deixar também de enaltecer o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela CNPR (Câmara Nacional de Peritos Reguladores) na sensibilização permanente para a importância desta temática e na prossecução do objetivo de termos esta profissão do perito regulador definitivamente reconhecida e acreditada, dando assim também mais justiça e dignidade ao trabalho árduo, sério e competente que inúmeros profissionais diariamente realizam por todo o país.