Violência doméstica: Régua identifica trinta atitudes agressivas

O “Violentómetro” tem o formato de uma régua de papel e identifica trinta comportamentos, menos graves ou muito graves, cuja permissividade e escalada fazem aumentar o risco de maus tratos, para combater a violência doméstica.

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Violentómetro” é um projeto nascido no México para combater a violência doméstica. Na prática, o “violentómetro” descreve 30 comportamentos uns pouco e outros mais violentos que surgem muitas vezes no namoro ou no casamento. Começa nos menos graves (piadas agressivas, chantagens ou mentiras) e acaba na violação, agressões graves ou tentativa de homicídio.

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) adaptou o projeto para Portugal e fará chegar, em breve, a dezenas de escolas no País. Com um formato semelhante a uma régua de papel, o medidor da agressividade nas relações teve um impacto inesperado na população universitária transmontana quando, em finais de novembro, foram distribuídos os primeiros 1300 exemplares. “Houve uma procura muitíssimo superior ao esperado”, confirmou à VISÃO Ricardo Barroso, psicólogo e professor da UTAD. “As pessoas receberam os conteúdos do dispositivo com surpresa. Alguns comportamentos não são considerados agressivos e foi para nós evidente que ainda há muito por fazer na consciencialização relativa a este assunto”, explica aquele docente universitário, um dos mentores da versão portuguesa do projeto.

O “Violentómetro” pode também ser comparado a um marcador de livros, próprio para estar à mão ou guardar na carteira. Identifica trinta comportamentos, menos graves ou muito graves, cuja permissividade e escalada fazem aumentar o risco de maus tratos. Esses podem começar com piadas agressivas, chantagens, mentiras ou desprezo. E por aí acima, até à morte. “Quanto mais cedo estivermos atentos e travarmos a agressão, melhor. Por vezes, a violência começa com sinais muito ténues”, resume Ricardo Barroso.

Se os estudantes que receberem esta espécie de régua identificarem no seu dia-a-dia um dos comportamentos descritos devem seguir um de três caminhos: ter cuidado; reagir e recusar; ou pedir ajuda a um profissional (de saúde ou policial).

Neste momento, há 56 escolas de todo o País, incluindo dos arquipélagos dos Açores e Madeira, em lista de espera para receber o “Violentómetro” e distribui-lo pelos alunos, confirmou à VISÃO Ricardo Barroso. Por esta altura, decorrem também conversações com três municípios da Grande Lisboa para que o projeto possa também chegar a outras franjas da população. “Os custos da impressão são integralmente assumidos pela UTAD, faz parte da nossa responsabilidade social enquanto universidade”.