Descobertos sete planetas novos com características semelhantes à Terra

Uma equipa internacional de astrónomos, entre eles a portuguesa Catarina Fernandes, detetou, fora do Sistema Solar, sete planetas semelhantes à Terra, e em três deles a água poderá existir em estado líquido e, talvez, vida.

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Uma equipa internacional de astrónomos descobriu um sistema planetário com sete planetas muito semelhantes à Terra. Três deles estão na zona habitável da sua estrela, ou seja, têm condições para a existência de água (e de vida) mas há escassas informações sobre o mais distante. A estrela, TRAPPIST – 1, fica a 39,5 anos-luz da Terra (posição relativa na constelação de Aquário) e é uma anã vermelha muito mais fria e pequena que o nosso Sol (tipo de estrelas mais comum na nossa galáxia do que as semelhantes ao Sol). O facto de os planetas que a orbitam estarem a uma distância curta, criam as tais condições terrenas. Agora, os cientistas querem ir em busca de vida: “Já não é uma questão de ‘se’. É uma questão de ‘quando’”, diz Michael Gillon, da NASA.

Para os cientistas, este sistema tem vários aspetos de interesse e o anúncio foi considerado, na conferência de imprensa da NASA, como um “salto de gigante na pesquisa de vida extraterrestre”.

Neste sistema, os planetas estão muito próximos da sua estrela, dez vezes mais pequena do que o nosso Sol. “Se estivermos num destes planetas, teremos uma bela vista para os outros planetas. Estarão tão visíveis como a nossa Lua ou até mais”, contaram os astrónomos na conferência da NASA.

“Não se sabia que estrelas tão pequenas também podiam ter planetas na sua órbita e a vantagem é que nestes sistemas em que a estrela é mais pequena, é muito mais fácil estudá-los”, explica Susana Barros.

Para a NASA, encontrar uma nova Terra é apenas uma questão de tempo.

Este não é o primeiro sistema encontrado pelos cientistas com vários planetas, mas é o primeiro que tem tantos planetas semelhantes à Terra. Todos eles estão na zona de Goldilock, ou seja, estão a uma distância da TRAPPIST – 1 que permite a existência de água no estado líquido à superfície. É também o sistema mais parecido ao nosso alguma vez observado.

A proximidade à Terra permite aos astrónomos estudar as atmosferas destes planetas com relativa facilidade. A sua descoberta foi possível através do Telescópio Espacial Spitzer, que durante 20 dias consecutivos observou o escurecimento que estes planetas provocam na sua estrela, uma anã do tipo M que não tem estado no centro das atenções dos cientistas nos últimos anos, quando passam entre a TRAPPIST – 1 e a Terra. O escurecimento acontece quando um corpo celeste impede os raios de luz visível emitidos pela estrela de viajar até nós.
Os cientistas já têm algumas ideias de como se formou este sistema. O mais provável é que os seis planetas mais interiores tenham nascido a grande distância da estrela, mas que depois tenham migrado para mais perto da TRAPPIST-1. Agora estão tão próximos uns dos outros e da sua estrela que os campos gravitacionais dos corpos celestes interagem de tal maneira que permitem aos astrofísicos estimar a massa de cada planeta.

Sabe-se agora que têm entre 0,4 e 1,4 vezes a massa da Terra e que estão mais perto da estrela do que Mercúrio está do Sol. Mas, como a TRAPPIST-1 é menos quente, é a sua proximidade que impede os planetas de congelarem.

Olhando para as atuais características deste sistema, julga-se que estes planetas estão a seguir uma evolução muito semelhante à teorizada em Vénus, Terra e Marte. Isto significa que, mesmo estando na zona habitável da estrela, é possível que algum destes planetas tenha uma atmosfera tão tóxica e sufocante como a de Vénus, onde não pode existir vida tal como a conhecemos. Ainda assim, isso não exclui a hipótese de um destes três planetas albergarem (ou vir a albergar) vida como a da Terra. “Esta é uma pedra de Rosetta com sete línguas diferentes — sete planetas diferentes que podem fornecer perspetivas completamente diferentes sobre a formação dos planetas”, acrescentou Julien de Wit, cientista de dados no MIT que participou nas investigações.