A Psychological Effect é uma empresa que se divide em duas áreas de atividade: Duas Clínicas de Desenvolvimento Pessoal/ Saúde Mental e um Centro de Desenvolvimento Empresarial. Qual é o propósito da atuação das Clínicas e de que forma se complementam estas duas áreas?

O nosso principal objetivo é ajudar os nossos pacientes a conseguirem “viver” no verdadeiro sentido do termo. A serem pessoas mais felizes, a terem e a concretizar objetivos. Há pessoas que não vivem, apenas vão sobrevivendo. É normal estar triste, ansioso ou preocupado de vez em quando. E isso é ser humano. A diferença é que connosco, as pessoas aprendem diversas estratégias que as ajudam a lidar de uma forma saudável com esses sentimentos, de forma totalmente independente, em qualquer situação futura.  Tudo isto é trabalhado também nas empresas, através do nosso Centro de Desenvolvimento Empresarial. Acreditamos que pessoas/colaboradores felizes e motivados geram valor acrescentado e, nesse sentido, desenvolvemos ações e iniciativas, originais e únicas, que contribuem para diminuir níveis de stress e ansiedade no local de trabalho e para aumentar os índices de Felicidade Interna Bruta nas organizações. Ajudamos na implementação de ações e planos de desenvolvimento pessoal e responsabilidade social e fazemos tudo isto com Talento, Ousadia, Atitude e Criatividade.
Psicóloga Clínica com mais de dez anos de experiência profissional e Diretora-Geral das clínicas de saúde mental The Psychological Effect, Ana Oliveira é também formadora na Ordem dos Psicólogos. Que outros cargos de liderança assume e como é feita a gestão da vida profissional com os múltiplos papéis que a mulher assume no seu dia-a-dia na vida pessoal?

Quando iniciei este projeto, algumas pessoas, preocupadas comigo, tentaram demover-me. Estávamos em 2013, no auge da crise e eu tinha o que era considerado, um emprego maravilhoso (e até era mesmo!). Era psicóloga na Santa Casa da Misericórdia de São João da Madeira, desde 2006. Mas, precisamente por estar a atravessar uma altura da vida em que tinha algumas dificuldades a nível financeiro, achei que a minha única alternativa era, precisamente, criar o meu próprio negócio. E não foi fácil. Conciliei o meu emprego com a gestão do negócio, a formação na Ordem e a vida familiar até 2016, altura em que, um problema oncológico me obrigou a abrandar o ritmo e deixei o trabalho na Santa Casa. Mas nem sempre é fácil. Tive sempre o apoio do meu marido, que ficou responsável pelo Centro Empresarial. E tenho o filho mais compreensivo do mundo. E muita ajuda de toda a família. A maior parte dos dias não consigo ir buscá-lo à escola, e muitas vezes chego a casa depois da 21h00. Mas acredito que todo o tempo que passo com ele é mesmo de qualidade. Prefiro trabalhar até muito tarde alguns dias e, por exemplo, à sexta-feira, ir buscá-lo à escola e ir passear o resto do dia com ele. Quanto às tarefas “domésticas”, se trabalharmos em equipa, tudo se faz mais rápido!

O número de mulheres em lugares de chefia tem crescido, mas ainda assim a presença feminina nas organizações em Portugal tem um longo caminho a percorrer. Na sua opinião, o que seria necessário para que a mudança do paradigma fosse mais célere?

Para mim o ideal será quando esta questão já não tiver de ser colocada. Quando nós mulheres não precisarmos de provar à sociedade que somos competentes. Quando isso já não for um motivo de admiração. Quando falarmos de pessoas, em vez de “homens” versus “mulheres”.

Depende muito de nós mulheres, acreditarmos que somos capazes de gerir um negócio ou ter sucesso. Felizmente assistimos a cada vez mais casos e temos cada vez mais exemplos de sucesso no feminino. E, naturalmente, isso vai acabar por acontecer. Acho que, se individualmente, cada pessoa acreditar, seja homem ou mulher, que pode ter sucesso, definindo os seus objetivos e fazendo o necessário para os colocar em prática, irá consegui-lo. No entanto, infelizmente, assistimos ainda a desigualdades em muitas empresas em que, até a nível salarial, descriminam as mulheres. Já sem falar das questões relacionadas com a gravidez, entre outras. Aí sim, temos um longo caminho a trilhar.

As mulheres são líderes eficazes? O que diferencia as mulheres dos homens em cargos de liderança?

Bem, acho que tanto homens como mulheres podem ser líderes eficazes. Não generalizando, penso que nos é reconhecida, a nós mulheres, uma maior capacidade de nos ligarmos emotivamente às questões que preocupam os nossos colaboradores, mas também os nossos clientes. Temos também a reconhecida capacidade de desempenharmos várias tarefas ao mesmo tempo, o que é fundamental na gestão de um negócio.