Sara Macias é Advogada e Senior Partner na MACIAS Y ASSOCIADOS RL. Que papel pretendem assumir junto da sociedade?

A Macias Y Associados é uma jovem sociedade, cujos sócios têm a pretensão de marcar a diferença pelo conceito de Law Boutique, onde o cliente é apreciado e acompanhado no seu todo. A Confiança de um cliente no seu advogado deve abranger todos os momentos da vida deste e não apenas quando surge um problema jurídico. Quem nos conhece, há mais de 20 anos, sabe que a solução connosco passa por acautelar e prevenir e não apenas resolver. A advocacia preventiva na vida de um cliente é sempre recompensada pela sensação que o cliente tem, em nos ter como amigo que aconselha e não apenas que repreende.

Há uns tempos a esta parte, e pela experiencia que a via judicial não resolve muitas vezes as questões fulcrais em tempo útil, empreendemos pela Mediação Privada de conflitos, quer sob o ponto de vista corporate e em direito comercial, quer do ponto de vista do particular. Assim pensando, enveredamos pela Certificação quer em Mediação Privada quer em Mediação Pública e hoje somos pioneiros nessa área e cada dia que passa, mais vezes somos solicitados para esta via de resolução.

Que fatores decisivos contribuem para a notoriedade de uma sociedade de advogados?

A notoriedade de uma sociedade de advogado tem de ser medida pela satisfação que os seus clientes transmitem após a resolução de uma situação que os preocupava. O sentimento de acompanhamento e disponibilidade face a uma questão de uma empresa ou de um particular é sempre reconhecido por quem foi ajudado ou aconselhado.

O facto de ter clientes há mais de 20 anos que nos contactam sempre, que nos procuram, que nos recomendam a outros é o mais importante fator de notoriedade que qualquer profissional de direito pode almejar!

Sara Macias é também Head Officer do Banco Angolano de Negócios e Comércio em Portugal. O que representa para si a liderança deste cargo enquanto mulher e profissional?

Este projeto foi abraçado por mim há quatro anos e tem sido um marco de glória na minha carreira, pois tenho um enorme orgulho na Instituição e nas pessoas que represento e na equipa com quem divido essa responsabilidade.

Contudo, não revejo neste projeto a condição de mulher, pois creio que esse assunto da igualdade dos sexos já está devidamente interiorizado nas mentalidades empreendedoras e inovadoras das nossas sociedades. A Liderança sustentada alcança-se por mérito e reconhecimento de dedicação e não por género, pelo menos nas áreas em que tenho trabalhado.

Sabemos que, no que diz respeito à igualdade de género no mercado de trabalho, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Na sua opinião, por onde devia começar a mudança deste estigma?

O longo caminho que tem de ser percorrido para que haja mais mulheres em cargos de Liderança tem, em meu entender, com a evolução normal dos tempos. Não nos podemos esquecer que até há três décadas a maioria das famílias portuguesa educavam as suas filhas para serem mães e orientadoras das lides domésticas, e não para desenvolverem uma atividade profissional especifica. Se historicamente as mulheres, na sua maioria e honradas sejam as exceções,  tiveram um longo período de abstenção na vida ativa da sociedade, e só o alcançaram em pleno por volta dos anos 90, temos de dar tempo a que as gerações seguintes se afirmem no mercado e este reaja à sua presença. Nunca se poderá colocar a diferença do género em termos de inteligência ou capacidade produtiva, outrossim na sua existência nas atividades profissionais.

O tempo irá ajudar a dar sustentabilidade a quem tem capacidade e perseverança para estar no mercado, e não por ser Homem ou Mulher! Essa diferença na quota do mercado já está a ser naturalmente equilibrada, e só mentes inferiores, retrógradas e inseguras não entendem esta questão…

Qual foi, até hoje, o maior obstáculo ou desafio que enfrentou no seu percurso profissional por ser mulher?

Afortunadamente, entrei no mercado de trabalho – na banca comercial com 20 e poucos anos, e estávamos no auge dos anos 90 com brutal evolução desta área em Portugal, onde tudo acontecia e todos tínhamos uma enorme sede de conhecer mais e melhor e de saber fazer tudo! E nesses anos os mercados presenteavam a curiosidade, a vontade de inovar e de empreender, pelo que alguns de nós – jovens licenciados – integrámos grupos de JEP´S ( Jovens de Elevado Potencial ) que nos deu a possibilidade de integrar equipas de trabalho de seniores em projetos de Fusão de Bancos, Criar Salas de Mercados, Constituir equipas para unir instituições financeiras, e esse foi um grande desafio que me foi apresentado e no qual revi que o empenho é um fator de sucesso. O meu percurso profissional como advogada muito relacionada ao Direito bancário, se calhar porque desenvolvo uma área muito especifica, nunca foi alvo de qualquer obstáculo por ser mulher, pelo que nunca senti esse estigma …

Uns anos mais tarde, mais madura, tive a oportunidade de entrar no mercado da Banca Angolana, onde o desafio era ensinar as melhores práticas bancárias e também aí a qualidade de mulher nunca foi um obstáculo, pelo contrário, a mulher tem um papel muito respeitado na sociedade angolana.

LÍDERES

Homens e mulheres apresentam características diferentes em termos de liderança. Serão as mulheres melhores líderes? O que é para si ser um bom líder?

A minha perspetiva sobre este assunto já foi alterada ou melhorada, pelos diversos estádios da vida profissional onde fui deixando marca com a minha presença. Ser líder não é apenas ser mentor, não é apenas ensinar, não é apenas trazer o melhor de cada um, não é apenas desafiar e retirar da área de conforto quem está acomodado, não é apresentar melhores resultados e nem sequer é ser quem sabe mais … Liderança não é só estar no comando de uma equipa, é proteger aqueles que estão connosco!

As mulheres não são melhores líderes do que os homens apenas estão mais habituadas a gerirem múltiplos conflitos, pois socialmente é-lhes conferida a função de gerirem vários focus, como seja a sua atividade profissional, a sua casa e a vida dos seus filhos!