Amadeu João da Cruz é Presidente Interino e Secretário-Geral do Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais (ISCEE). Que postura procurou adotar para assumir este cargo de responsabilidade e contribuir para a dinamização do ISCEE e do ensino superior?

Exerço o cargo com serenidade e humildade, pois entendo que a gestão da instituição deve ser feita em diálogo com toda a comunidade académica e com as instituições públicas e privadas, de modo a que haja concentração na definição e implementação de estratégias de desenvolvimento institucional e científica do ISCEE e de sintonização com as dinâmicas decorrentes do contexto e da conjuntura institucional e da envolvente económica, social e cultural. Trata-se pois de uma postura de abertura e de concertação, em defesa do ISCEE e do Ensino Superior em Cabo Verde.

A história do ensino superior, em Cabo Verde, está indelevelmente marcada pelo ISCEE, enquanto primeira iniciativa de ensino superior privado no país. Como analisaria o percurso do ISCEE e do ensino superior em Cabo Verde desde a fundação do instituto em 1991? 

No início da década de 90 o nosso país enfrentava vários desafios, de entre os quais os inerentes à reforma económica, que preconizava maior preponderância do setor privado e a abertura dos mercados, o que demandava disponibilidade de pessoal técnico qualificado. É nesse contexto, de forte insuficiência de quadros-técnicos, que surgiu o ISCEE, sob impulso e dinamismo de um grupo de promotores, onde se destaca como principal mentor António Canuto, com apoio de parceiros portugueses como o ISCAL, a Escola Superior de Comunicação Social e, mais tarde, o ISCTE. Cabo Verde reconhece os resultados dessa primeira iniciativa de ensino superior, pois os quadros formados no ISCEE são referência nas empresas e nos organismos públicos onde exercem a sua profissão, em muitos casos exercendo altos cargos de gestão.

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Que desafios enfrenta, atualmente, o ensino superior em Cabo Verde? 

Do nosso ponto de vista, os principais desafios são os da qualidade do ensino e da sustentabilidade das instituições, que condicionam a consolidação de todo o sistema de Ensino Superior Cabo-verdiano. O ISCEE não está imune a esses condicionalismos e por isso definiu e está a implementar estratégias assentes na consolidação das licenciaturas, numa ótica de concentração e de qualificação dos cursos, com destaque para os de Contabilidade, Gestão de Empresas, Marketing e Gestão Comercial e de Gestão e Planeamento em Turismo, bem como de diversificação na perspetiva do incremento dos cursos de mestrado e preparação de um programa de doutoramento, para os docentes universitários, investigadores e profissionais das áreas científicas onde estamos inseridos, isto é ciências económicas e empresariais. Estamos igualmente atentos às possibilidades de internacionalização e de integração do ISCEE nas redes de cooperação no contexto da lusofonia e do pan-africanismo, na perspetiva de superação e de inovação nos domínios científicos e de investigação.

Aliando a tecnologia e a inovação, de que forma o ISCEE procura destacar-se e promover um ensino de qualidade? 

Conforme referido anteriormente, a qualidade científica do ensino e o acesso ao conhecimento tecnológico, qualificado e contemporâneo, constituem eixos primordiais do ISCEE. Entendemos que devemos alinhar as condições de realização de investigação e de adequação do conteúdo curricular dos ciclos de estudos do ISCEE às tendências mais inovadoras e mais atuais, pois a Investigação e o Desenvolvimento são pilares mestras da inovação e do empreendedorismo e fatores que projetam a competitividade das empresas e da economia e o nosso Instituto quer estar na linha da frente e na vanguarda dentro das áreas científicas onde está inserido. Por isso, mantemos desde o início parcerias estratégicas e científicas com instituições de ensino superior portuguesas como o ISCAL, o ISCTE e, agora, a Universidade do Algarve, visando ajustamento dos nossos padrões de qualidade às políticas e orientações no domínio da ciência e da investigação adotadas no contexto europeu. Convém referir também que estamos em diálogo com universidades africanas que atuam na área económica, nomeadamente no âmbito do Projeto Tuning África, patrocinado pela União Europeia e União Africana. Por conseguinte, O ISCEE tem 25 anos de experiência no Ensino Superior em Cabo Verde, com uma network e conhecimentos adquiridos de grande qualidade, o que permite excelência da oferta formativa, com práticas pedagógicas de vanguarda.

Que objetivos e prioridades tem o ISCEE a curto e médio prazo? 

Os objetivos mais imediatos estão definidos e assentes na consolidação das condições de sustentabilidade científica, pedagógica e institucional do ISCEE, centradas na especialização e concentração da oferta de licenciaturas e diversificação de mestrados. Estamos também a trabalhar na preparação de um Programa de Doutoramento, tendo em vista o upgrade do nosso corpo docente e aprimoramento dos conhecimentos científicos dos profissionais da área das ciências económicas e da gestão. Além desses objetivos de qualificação científica e da oferta formativa, aspiramos intensificar as relações de cooperação com as comunidades científicas e universitárias do espaço da lusofonia e de África, na perspetiva de internacionalização do ISCEE.